Egípcios protestam contra presidente Mohammed Morsi

Presidente egípcio ampliou os próprios poderes ao emitir um decreto que isenta suas decisões de contestação legal

Comentar
Compartilhar
24 NOV 201210h38

Confrontos eclodiram entre críticos e simpatizantes do presidente egípcio, Mohammed Morsi, em várias cidades do Egito nesta sexta-feira (23), após o líder egípcio ter assumido novos poderes. Pelo menos 100 pessoas ficaram feridas.

Na quinta-feira, 22 de novembro, Morsi aumentou os próprios poderes por decreto e isso o colocou acima da supervisão do judiciário.

Em Alexandria, populares furiosos invadiram e incendiaram a sede do partido islamita de Morsi, o da Justiça e Liberdade, com 25 feridos nos tumultos. Como sexta-feira é feriado no Egito, o local estava vazio quando foi invadido, saqueado e queimado.

No Cairo, uma multidão voltou a ocupar a praça Tahrir contra as medidas de Morsi.

Confrontos semelhantes aconteceram também nas cidades de Assuã e Gizé. Em outras três cidade do canal de Suez, os manifestantes atearam fogo nos escritórios da Irmandade Muçulmana, ao qual Morsi é ligado.

O presidente discursou nesta sexta-feira para milhares de partidários. Segundo ele, as medidas foram tomadas para frear os "carunchos" e "insetos" do antigo regime de Hosni Mubarak, derrubado em fevereiro de 2011, que estariam atrasando o progresso do Egito.

Ele acusou alguns juízes de planejarem dissolver a Câmara Alta, a qual blindou de dissolução com o decreto de ontem. "Existem alguns carunchos que estão comendo a nação egípcia" disse.

Manifestantes não aceitam novo decreto do Governo (Foto: Mohammed Asad/Associated Press/Estadão Conteúdo)