Investigar Suape é 'retaliação', afirma Campos

O pré-candidato do PSB à Presidência da República se disse "completamente tranquilo" em relação à investigação da obra em Pernambuco

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19 MAI 201421h23

O pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, afirmou ontem (19) que a inclusão da investigação sobre obra no Porto de Suape, em Pernambuco, na CPI da Petrobras do Senado foi uma "retaliação" política. "É claro que o que visam é a retaliação. Mas estamos tranquilos porque Suape é bem gerido", disse o pré-candidato.

Instalada na quarta-feira passada e controlada pela maioria governista, a comissão parlamentar de inquérito do Senado incluiu nos trabalhos apurações com potencial para atingir adversários da presidente Dilma Rousseff na sucessão presidencial. A CPI vai investigar, além de negócios sob suspeita da estatal - como a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos -, obra de dragagem em Suape paga pela Petrobras em parceria com o governo pernambucano - até abril comandado por Eduardo Campos. Também será investigado o afundamento da plataforma P-36 no governo Fernando Henrique Cardoso, aliado do pré-candidato do PSDB ao Planalto, senador Aécio Neves.

Em entrevista à rádio Bandeirantes de Campinas (SP), Campos se disse "completamente tranquilo" em relação à investigação da obra em Suape. "(Suape) é uma empresa estadual bem gerida, com suas contas aprovadas", afirmou o ex-governador. E repetiu que o que não pode acontecer é a investigação de Suape ou a possível investigação da CPI dos metrôs, que vai apurar suspeitas de formação de cartel em São Paulo e no Distrito Federal e teria potencial para atingir os tucanos, tirarem o foco da Petrobras.

Eduardo Campos afirmou que a investigar obra em Porto de Suape é 'retaliação' (Foto: Divulgação)

‘Terrorismo’

Campos criticou o que ele chamou de "terrorismo eleitoral" relacionado ao fim do Bolsa Família. "O Bolsa Família tem sido usado como instrumento de terrorismo sobre os mais pobres para sustentar a presidente Dilma de modo artificial nas pesquisas. Ninguém vai acabar com o programa. O que faremos é aperfeiçoá-lo." Disse ainda discordar da gestão atual da Petrobrás e do uso da defasagem de preços da gasolina para controle da inflação. Campos afirmou que, num eventual governo, adotaria uma gestão da estatal com base em quatro princípios: a escolha de diretores por competência, a blindagem da empresa da corrupção, o cumprimento de planejamentos estratégicos e o estabelecimento de uma regra "clara" para os preços dos combustíveis. "Para os investidores confiarem num país, sua economia tem de contar com regras. E é isso que faremos", disse, sem detalhar como tais princípios seriam implementados,

Segundo Campos, o Brasil está vivendo o "tempo da farsa", no qual o governo vem "escondendo debaixo do tapete os reajustes de preços que terá de fazer nos combustíveis e na energia elétrica, e que só fará depois de passada a eleição". Perguntado se não era um contrassenso criticar um governo do qual até pouco tempo atrás fazia parte, Campos afirmou que o PSB tem identidade e personalidade próprias. "Saímos pela porta da frente."