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10% dos cursos superiores avaliados em 2015 pelo MEC têm nota ruim

Os dados mostram que, de um total de 8.121 cursos avaliados naquele ano, 11,3% tiveram conceito menor que 2, parâmetro considerado insatisfatório -a avaliação segue de 1 a 5

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08 MAR 2017Por Folhapress13h00
10% dos cursos superiores avaliados em 2015 pelo MEC têm nota ruimFoto: Divulgação

Cerca de um em cada dez cursos de graduação avaliados pelo Ministério da Educação em 2015 tiveram desempenho considerado ruim no CPC (Conceito Preliminar de Curso), indicador de qualidade da educação superior.

Os dados mostram que, de um total de 8.121 cursos avaliados naquele ano, 11,3% tiveram conceito menor que 2, parâmetro considerado insatisfatório -a avaliação segue de 1 a 5. Outros 57,7% e 26,5% dos cursos tiveram conceitos 3 e 4, consideradas satisfatórios, enquanto apenas 1,2% obtiveram a nota mais alta, 5.

Foram avaliados cursos de ciências sociais aplicadas, ciências humanas e áreas próximas, como administração, ciências contábeis, economia, jornalismo, direito, psicologia e turismo.

Um dos três indicadores que compõe dos resultados do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), o CPC é calculado a partir de critérios como o desempenho do aluno na avaliação, qualificação dos professores e infraestrutura da instituição.

Em geral, cursos com desempenho insatisfatório podem receber sanções, como serem impedidos de ofertar novas vagas ou de participar do Fies (financiamento estudantil). As medidas serão analisadas pelo MEC após a divulgação dos dados.

Ao todo, 447 mil alunos, de 2.109 instituições, participaram das provas do Enade em 2015. As notas separadas de cada curso e instituição devem ser divulgadas ainda nesta quarta-feira (7).

SEM MELHORA

Em 2012, último ano em que as mesmas áreas de graduação foram avaliadas, 12% dos cursos tiveram conceito insatisfatório, padrão semelhante ao observado neste ano.

Para Maria Inês Fini, presidente do Inep, instituto do MEC que organiza as avaliações, o resultado chama a atenção uma vez que "não indica uma melhora significativa das instituições avaliadas".

Segundo ela, a situação incita a necessidade de discussão sobre que medidas devem ser adotadas em relação aos cursos que mantém avaliações baixas ou não registram avanços.

"Qualquer percentual abaixo da média é preocupante. Mas também temos evoluído muito, especialmente se olharmos o crescimento no acesso ao ensino superior nos últimos anos", pondera a coordenadora substituta de qualidade da educação superior, Mariângela Abrão.

Além do CPC, as notas dos cursos avaliados compõem um índice mais abrangente, o IGC (índice geral de cursos), que avalia as instituições públicas e privadas. O indicador abrange critérios como a média dos cursos da instituição nas últimas três edições do Enade e a oferta de pós-graduação.

De 2.109 universidades, faculdades, centros universitários avaliados, 14,8% receberam conceitos 1 e 2 no IGC -parâmetro considerado insatisfatório. Outras 83,6% tiveram conceito 3 e 4, enquanto apenas 1,1% atingiram a nota mais alta.

Os dados mostram ainda que a proporção de instituições públicas com avaliação considerada baixa, de 12,7% é menor que as privadas, onde esse índice é de 15,1%.

Instituições públicas também saem na frente quando observado o percentual daquelas com nota máxima -faixa atingida por 4,9% das instituições públicas e 0,6% das particulares.

ATRASO

Geralmente divulgados no final de cada ano, os resultados do Enade 2015 sofreram atraso após serem detectados problemas na aplicação das provas, como quantidade de provas insuficiente ou até mesmo trocadas -como provas de ciências contábeis colocadas entre as de direito, por exemplo.

Segundo o Inep, levantamento feito pela equipe técnica a partir de denúncias, análise de notas e leitura de atas aponta que 399 alunos, de diferentes instituições, foram afetados.

Nove cursos, entre eles o de jornalismo da UFPI, ciências contábeis da PUC-Minas e o de relações internacionais da PUC-Rio, também ficaram fora das avaliações. Após a detecção do problema, o contrato com a empresa que organizou o exame, a Consulplan, foi rompido.

Questionada, a coordenadora-substituta de qualidade da educação superior afirma que foram apresentadas alternativas para que as instituições possam fazer parte da avaliação do Enade, como possibilidade de avaliação in loco ou cálculo a partir das notas de estudantes que fizeram a prova, por exemplo.

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