Baixada Santista tem mais de 500 casos de dengue confirmados

Peruíbe lidera a lista com 273 casos da doença; Mongaguá mantém o silêncio sobre possível surto denunciado pelo DL na última semana

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09 MAR 201511h02

Oito dos nove municípios da Baixada Santista somaram 502 casos confirmados de dengue no primeiro bimestre do ano. Nenhuma morte foi registrada. Mas o número pode ser bem maior. Isso porque o município de Mongaguá, que não respondeu os números de ocorrências registradas na Cidade, passa por um surto anunciado pela população. A reportagem Diário do Litoral esteve na Cidade na última quarta-feira (4) e constatou que a situação é complicada, com unidades de saúde lotadas de pessoas com sintomas da doença.

Com relação aos números oficiais da Região, Peruíbe sai na frente com 273 casos confirmados. Segundo a Prefeitura, para combater a doença o Município vem realizando mutirões nos bairros para bloqueio e controle de criadouros e a fiscalização de terrenos e imóveis. Em locais com concentração de casos positivos confirmados por meio de exame sorológico, é realizada nebulização costal e veicular, também conhecido com ‘carro de fumacê’.

Itanhaém é o segundo município com o maior número de casos confirmados. No primeiro bimestre do ano, foram registradas 173 ocorrências. De acordo com a Administração Municipal, todos os bairros estão recebendo o mutirão contra a dengue. Onde há grande incidência de casos, a Prefeitura promove a limpeza de terrenos.

Santos registrou 18 casos confirmados de dengue em 2015. De julho até o final de fevereiro, o Município, que está em estado de alerta, registrou 129 ocorrências e uma morte provocada pela doença no mês de setembro.  A Prefeitura informou que realiza mutirões para identificar e eliminar focos do Aedes Agypti, inclusive com a utilização de drone (veículo aéreo não tripulado) para áreas não habitadas.  A Cidade conta com 438 armadilhas espalhadas. O objetivo é monitorar os locais onde são registradas a maior concentração do mosquito.

Oito dos nove municípios da Baixada Santista somaram 502 casos confirmados de dengue (Foto: Luiz Torres/DL)

A Prefeitura de Guarujá informou que registrou até o momento 13 casos de dengue até o momento. A Diretoria de Vigilância em Saúde da Cidade destacou que as equipes de combate à dengue trabalha com ações de exames rápidos e que, além de confirmar com exatidão e rapidez, possibilitam o bloqueio no local que ocorreu a incidência.

Em Cubatão foram registrados 12 casos confirmados da doença. Para combater a doença, o Município ressaltou que atua nas áreas com ocorrências confirmadas de dengue realizando um ‘bloqueio’ ao mosquito transmissor nos quarteirões em torno do imóvel onde a doença foi identificada.

São Vicente registrou oito ocorrências positivas da doença. Segundo a Secretaria de Saúde do Município, o trabalho foi intensificado após a verificação dos dados da Avaliação de Densidade Larvária (ADL) apresentados em janeiro. Nos bairros onde foram identificados focos positivos com Aedes Aegypti,os serviços para diminuição do mosquito serão priorizados.

Em Praia Grande foram registrados oficialmente sete casos de dengue no primeiro bimestre do ano. Segundo a Prefeitura, o trabalho de combate a doença é realizado, no entanto as casas de veranio fechadas e a resistência dos moradores quanto à entrada dos agentes nas residências tem atrapalhado o trabalho desenvolvido pelas equipes.

Segundo dados da Prefeitura de Bertioga, o Município é o que apresentou menor indíce de casos confirmados no período. Foram quatro no total. A Administração Municipal solicita colaboração da população que solicite o agendamento de recolhimento de materiais por meio do Cata-Treco, no telefone 3319-8035. O objetivo é evitar que os materiais sejam despejados nas ruas e se tornem criadouros do mosquito transmissor da dengue. A partir do próximo dia 15, as equipes realizarão nebulizações nas áreas que apresentaram casos positivos.

Mongaguá

Na última quarta-feira, o Diário do Litoral esteve em Mongaguá para conferir a denúncia dos moradores sobre um possível surto de dengue na Cidade. A Reportagem ouviu moradores nos bairros Vila Atlântica e Balneário Vera Cruz e constatou as informações. Em quase todas as residências, pelo menos o relato de um caso. No pronto-socorro Central, mais de 50 pessoas aguardavam atendimento com sintomas da doença. A maior parte de crianças.

No Facebook, os relatos dos moradores dão conta de centenas de casos na Cidade. Os bairros mais atingidos seriam Vila Atlântica, Agenor de Campos, Balneário Vera Cruz e Jardim Praia Grande, regiões que costumam ser atingidas pelas enchentes. A Reportagem flagrou terreno baldio cheios de água e piscinas com criadouro do mosquito em casa de veraneio fechada.

A Reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Mongaguá por duas vezes na última semana, mas não obteve retorno até o fechamento da edição. Na quinta-feira, em sua página oficial no Facebook, a Prefeitura de Mongaguá publicou um ‘recado’ com informações de municípios do interior, mas nada divulgou sobre a situação da doença na Cidade. 

Peruíbe inaugura ‘sala da dengue’

Com o objetivo de priorizar o atendimento e minimizar os impactos da doença na Cidade, a Prefeitura de Peruíbe instalou um complexo de salas para a acolhida de casos suspeitos e confirmados de dengue. As quatro salas ficam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para os procedimentos de hidratação, coleta, repouso e espera (com hidratação oral). 

“Ampliamos a estrutura para atender da melhor forma possível os pacientes em casos suspeitos e confirmados de dengue. A partir de agora, os moradores passam a ter acesso a salas exclusivas para exame de hemograma, hidratação, repouso e espera, contribuindo assim para a recuperação adequada”, disse a prefeita Ana Preto.

Para os casos suspeitos de dengue, o protocolo de atendimento na UPA seguirá os seguintes procedimentos: o paciente fará a ficha de atendimento no guichê preferencial da dengue e, em seguida, será encaminhado para a sala 65, para a notificação da doença e emissão do cartão da dengue. O próximo passo é a coleta de hemograma e, nos casos mais graves, de sorologia, que permitirão o diagnóstico da doença. Outro procedimento é a prova do laço e da temperatura para verificar a ocorrência da dengue hemorrágica.

Na sequência, o paciente passará pelo consultório para avaliação do especialista e, dependendo do caso, voltará à sala para soroterapia. Por último, o munícipe fará o agendamento de retorno para nova coleta de hemograma e hidratação oral, que deverá ocorrer após 48 horas do primeiro atendimento.