Ano Novo chinês preocupa especialistas em gripe aviária

A China informou mais de 50 infecções pela cepa H7N9 em 2014, após o vírus ter passado de aves para seres humanos pela primeira vez no ano passado

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22 JAN 201412h08

O feriado do Ano Novo Lunar, a maior migração humana anual do mundo, preocupa especialistas em saúde pública em meio à série de casos de gripe aviária desde o início do ano na China.

A China informou mais de 50 infecções pela cepa H7N9 em 2014, após o vírus ter passado de aves para seres humanos pela primeira vez no ano passado. Ainda é difícil contrair o vírus e a maioria dos casos está relacionada ao contato com aves, mas cientistas temem que isso possa mudar se ele sofrer mutação para uma forma que lhe permita se disseminar facilmente entre as pessoas.

Para especialistas que monitoram a doença, o feriado, que começa em 31 de janeiro, é preocupante, pois ocorre durante os meses de inverno no Hemisfério Norte, quando os casos costumam aumentar. Além disso, milhões de pessoas - muitas vezes carregando aves - se amontoam em ônibus e outros meios de transporte para seguir até suas cidades natais. A China estima que 3,6 bilhões de viagens serão feitas durante o feriado.

A carne de aves é uma parte central de mesas de jantar de muitas famílias asiáticas durante as festividades do Ano Novo Lunar. Muitas vezes os animais são comprados vivos e mortos em casas da China e de outros pontos da região. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou cuidado no abate e na preparação de aves, incluindo a lavagem das mãos com frequência. Carne e ovos bem cozidos não representam uma ameaça.

O feriado do Ano Novo Lunar, a maior migração humana anual do mundo, preocupa especialistas em saúde pública em meio à série de casos de gripe aviária (Foto: EBC)

"Este é o primeiro inverno com o H7N9. Estamos em território desconhecido", disse Gregory Hartl, porta-voz da OMS em Genebra. "Temos visto um aumento dos casos, que atribuímos basicamente ao fato de que é inverno. Isso, combinado com forte movimento de pessoas em trens lotados com frangos, pode dar origem a muito mais infecções, mas em anos anteriores isso não ocorreu."

Os primeiros casos de H7N9 foram notificados no fim de março, perto de Xangai, e mais de 200 outros já foram identificados desde então, incluindo cerca de 50 mortes. Um médico de 31 anos tornou-se uma das mais recentes vítimas, intensificando temores de que ele possa ter sido infectado no hospital onde trabalhava. Mas nenhum de seus pacientes ou outros contatos próximos relataram sintomas de gripe, de acordo com a Comissão Municipal de Saúde e Planejamento Familiar de Xangai.

Casos da doença em grupos familiares têm sido comuns, mas até o momento a OMS afirma não ter ocorrido transmissão sustentada de humano para humano. No entanto, cientistas advertem que o H7N9 contém marcadores genéticos que poderiam ajudá-lo a infectar mamíferos mais facilmente do que outras cepas de gripes aviária. Aves infectadas também não apresentam sintomas, dificultando o rastreamento da doença.