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Impeachment começa a moldar eleição nos EUA

Pesquisas anteriores à abertura do processo de impeachment já apontavam para a consolidação de Warren entre os três candidatos com maior potencial para disputar contra Trump, ao lado de Joe Biden e de Bernie Sanders.

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28 SET 2019Por Estadão Conteúdo17h03
O presidente dos EUA, Donald Trump.Foto: IM LO SCALZO/EFE/AB

Se a decisão sobre o impeachment fosse hoje, o presidente dos EUA, Donald Trump continuaria na Casa Branca. Com a maioria republicana no Senado, Trump está blindado até o fim do mandato. Mas as investigações que atingem o presidente começam a mudar os rumos da campanha eleitoral de 2020.

Do lado republicano, Trump tenta usar o caso para mobilizar sua base de apoio. Já entre os democratas, as investigações tendem a tornar o disperso cenário de pré-candidatos mais claro. Até agora, a beneficiada é a senadora Elizabeth Warren.

Pesquisas anteriores à abertura do processo de impeachment já apontavam para a consolidação de Warren entre os três candidatos com maior potencial para disputar contra Trump, ao lado de Joe Biden e de Bernie Sanders. Warren demonstra crescimento consistente e ao menos duas pesquisas recentes apontaram a democrata na liderança.

Na sexta-feira, em entrevista à CNN, Warren defendeu que os democratas mantenham o foco em uma investigação específica sobre a tentativa de pressão de Trump para que a Ucrânia investigasse Biden. Há outra ala do Partido Democrata que tenta aprovar uma investigação mais ampla. "O presidente está pedindo ajuda contra um rival político e pedindo a um governo estrangeiro algo que tem valor para ele pessoalmente. Isso é contra a lei", disse Warren.

Ela foi a primeira entre os pré-candidatos a pedir o impeachment de Trump, em abril, quando o procurador especial Robert Mueller finalizou seu relatório sobre a influência da Rússia nas eleições. Na ocasião, sua campanha alcançou o pico de doações eleitorais.

Além disso, a democrata tem extensa plataforma de campanha sobre políticas anticorrupção e de enfraquecimento de lobbies empresariais. Mas o fator decisivo para que ela se destacasse dos demais é o imbróglio que envolve Biden.

O filho do ex-vice-presidente, Hunter Biden, é um dos pontos fracos do ex-vice-presidente. A lembrança, a cerca de cinco meses do início das primárias, dos relacionamentos empresariais de Hunter pode desgastar o pai. O segundo filho do democrata também é frequentemente lembrado pela imprensa por episódios em que confessou vício em drogas e alcoolismo.

Para o professor da Universidade George Washington e especialista em estratégia política, Gary Nordlinger, no entanto, não há candidato democrata que possa se beneficiar com o impeachment, já que o partido corre o risco de ser derrotado no Senado. Entre os democratas no Congresso, o cálculo sobre o ritmo e intensidade do processo é eleitoral.

A medida anunciada por Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados, que vinha segurando a pressão contra Trump, é vista como uma resposta ao eleitorado que considera as ações do presidente graves demais para que não tenham resposta do Congresso. "Mas, mesmo agora, Pelosi não diz que pretende destituí-lo. Ela diz que vai investigá-lo. Ela sabe que isso tudo pode se voltar contra os democratas", afirma Nordlinger.

Já a estratégia na Casa Branca começou quando Trump determinou a divulgação do telefonema entre ele e o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, no dia seguinte à abertura do impeachment - e teve sequência com pedidos de doações a eleitores. Brad Parscale, gerente de campanha, anunciou que, em 24 horas, o comitê republicano arrecadou US$ 5 milhões nos 50 Estados. "Um grande obrigado a Nancy Pelosi", comemorou Eric Trump, um dos filhos do presidente.

O uso do impeachment como arma política já estava nos planos. Menos de uma hora depois de Pelosi anunciar o início da investigação, os assessores de Trump já haviam lançado nas redes sociais um vídeo sobre a obsessão da oposição pela tentativa de remover o republicano do cargo. A peça já estava pronta, à espera do momento certo.

Pesquisas apontam que o apoio ao impeachment cresceu ligeiramente nos últimos dias, embora ainda não mostre uma mudança substancial. A taxa de aprovação do presidente também se mantém em cerca de 40% - a reprovação, um pouco acima dos 50%. Os números são computados pelo site FiveThirtyEight.

Protegida pelo serviço secreto americano, a Casa Branca ganhou uma camada de segurança extra no último mês graças a tapumes que cobrem uma reforma nos portões da entrada e impedem a aproximação de visitantes. Após a abertura do impeachment, a movimentação de manifestantes seguiu o ritmo normal. "Trump seguirá alegando que as notícias são falsas, que os democratas fazem uma caça às bruxas. Vai usar isso a seu favor. Não vai ter impacto em sua reeleição, a maioria dos republicanos apoiam Trump", afirma Nordlinger.