800 mil pessoas se suicidam todos os anos, uma a cada 40 segundos

De acordo com a OMS, a taxa global de suicídios havia caído um pouco entre 2010 e 2016, embora o número de mortes tenha permanecido estável

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09 SET 2019Por Folhapress19h02
A taxa global de suicídios em 2016 -o último ano para o qual havia dados disponíveis- ficou em 10,5 por 100 mil pessoasFoto: Agência Brasil

Quase 800.000 pessoas cometem suicídio a cada ano -mais do que as vítimas de guerra, homicídio ou câncer de mama, segundo um novo relatório da Organização Mundial da Saúde publicado nesta segunda-feira (9).  No Brasil, Foram 13.467 mortes em 2016, ano ao qual se referem os dados consolidados pelo estudo. 

De acordo com a OMS, a taxa global de suicídios havia caído um pouco entre 2010 e 2016, embora o número de mortes tenha permanecido estável por conta do crescimento da população global. "Apesar do progresso, uma pessoa ainda morre a cada 40 segundos por suicídio", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em comunicado, insistindo que "toda morte é uma tragédia para a família, amigos e colegas".

A taxa global de suicídios em 2016 -o último ano para o qual havia dados disponíveis- ficou em 10,5 por 100 mil pessoas. No mundo, as mortes de jovens por suicídio só perdem para aquelas no trânsito; em seguida, vêm aquelas por violência. As taxas, porém, variaram amplamente entre países e regiões, com uma taxa de suicídio relativamente baixa em alguns lugares como o Chile (3,8 para cada 100 mil) e extremamente alta em outros, como a Guiana, que lidera esse inglório ranking, com uma taxa de mais de 30 por 100 mil.

O Brasil, essa taxa é de 6,1 a cada 100 mil mil mortes, abaixo da média mundial. Em todo o mundo, pessoas do sexo masculino têm uma propensão maior a se suicidar do que as do sexo feminino.

No mundo, a taxa global de suicídios caiu quase 10% entre 2010 e 2016, com o Pacífico Ocidental mostrando declínios de quase 20% e o Sudeste Asiático registrando um declínio de apenas 4,2%.

As Américas, enquanto isso, foram a única região que mostrou um aumento nos suicídios, com uma alta de 6% nos seis anos.

"Sabemos que na região das Américas o acesso a armas de fogo e armas é um importante meio de suicídio", disse Alexandra Fleischmann, da divisão de saúde mental da OMS, a repórteres em Genebra, em resposta a uma pergunta.

O declínio geral é explicado pelo fato de que vários países -38 no total- adotaram estratégias de prevenção ao suicídio, afirmou a OMS, enfatizando, no entanto, que muitos outros países devem seguir o exemplo.

Prevenção "Suicídios são evitáveis", disse Tedros, exortando "todos os países a incorporar estratégias comprovadas de prevenção de suicídio nos programas nacionais de saúde e educação de maneira sustentável".

Há um mito amplamente difundido de que o suicídio acontece de repente. Isso não é verdade. O suicídio é premeditado e os sinais de alerta são visíveis. Muitos deles se manifestam juntos. As mudanças de comportamento e problemas de conduta que se estendam por duas semanas ou mais, preocupação recorrente com a própria morte, falta de esperança, visão negativa sobre si, sua vida e sobre o futuro, são alguns dos indicadores mais recorrentes.

A ideação suicida também costuma ser comunicada verbalmente, mas não é levada a sério. Frases como "vou desaparecer", "vou deixar vocês em paz", "eu queria poder dormir e nunca mais acordar" e "é inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero sumir" são comuns em casos que antecedem a tentativa de tirar a própria vida.

Além disso, pessoas com ideias suicidas tendem a se isolar em casa, deixam de atender a ligações e de participar de atividades sociais as quais antes compareciam, além de interagir menos em redes sociais.

Os métodos mais comuns de suicídio são enforcamentos, tiros e, especialmente nas áreas rurais, a ingestão de agrotóxicos. A maioria dos suicídios ocorre em países de baixa e média renda, onde vive a maioria da população global, mas as taxas são mais altas nos países mais ricos, segundo o relatório da OMS.

Depois da Guiana, a Rússia registrou a segunda maior taxa do mundo, com 26,5 suicídios por 100 mil pessoas. Também figuram no topo da lista Lituânia, Lesoto, Uganda, Sri Lanka, Coreia do Sul, Índia e Japão, além dos Estados Unidos, que registraram 13,7 suicídios por 100 mil pessoas.

Ele alertará sobre os perigos de descrições gráficas ou representações de suicídio, que demonstraram desencadear suicídios imitáveis entre pessoas que lutam com problemas de saúde mental.

Em julho, a Netflix disse ter removido uma cena de suicídio da primeira temporada do seriado "13 Reasons Why", após preocupação de especialistas em saúde mental que temiam que o suicídio fosse glorificado. Dois estudos publicados em maio descobriram que o suicídio entre jovens americanos aumentou significativamente nos meses seguintes ao lançamento do popular programa em 2017.

"A pesquisa mostrou ao longo de muitos anos que existem pessoas que imitam, que são vulneráveis", disse Fleischmann.

O relatório da OMS também disse que os países podem reduzir significativamente o número de suicídios limitando o acesso a pesticidas. No Sri Lanka, as regulamentações e proibições de pesticidas levaram a uma queda de 70% nos suicídios entre 1995 e 2015, resultando em 93.000 vidas salvas, segundo o relatório.

E na Coréia do Sul, a proibição de um herbicida em 2011 e 2012 levou à redução de metade dos suicídios por envenenamento por pesticidas entre 2011 e 2013, disse o documento.

Como ajudar No Brasil, o Ministério da Saúde e o CVV (Centro de Valorização da Vida) tem cartilhas e sugestões de como abordar o assunto com pessoas que possam estar cogitando tirar a própria vida e como reagir em casos de urgência. Não julgar os sentimentos comunicados, por exemplo, é essencial para a prevenção. 

Procure um local confortável e calmo para falar com essa pessoa sobre suicídio. "Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio", diz a cartilha. Incentive a busca por ajuda profissional e se ofereça para a acompanhar essa pessoa na consulta. Se a pessoa que você acredita estar em risco more com você, garanta que ela não tenha acesso a meios para atentar contra sua vida. 

Caso acredite que essa pessoa está em risco iminente de suicídio, não a deixe sozinha. Busque imediatamente o CVV (188) e os serviços de emergência Samu (192).

Se você precisa de ajuda ou conhece alguém que precise, entre em contato:
Serviços de saúde
CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).
Centro de Valorização da Vida - CVV
Ligue: 188 ou acesse o chat online: www.cvv.org.br
Serviços de Emergência
SAMU: 192

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