X
Educação

TCU abre processo para investigar irregularidades no Enem e interferência no Inep

Bolsonaro pediu ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, para que houvesse questões que tratassem o golpe militar de 1964 como uma revolução

Bolsonaro é defensor do Golpe Militar de 64 / Isac Nobrega/PR

 O TCU (Tribunal de Contas da União) abriu um processo para investigar supostas irregularidades na organização do Enem em 2021; fragilidade técnica e administrativa na preparação das provas; e interferências na gestão do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsável pelo exame.

O órgão, vinculado ao MEC (Ministério da Educação), passa por uma crise na véspera da aplicação do Enem, que começa neste domingo (21).

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Uma debandada de servidores esvaziou postos-chave do Inep. Eles apontam assédio moral por parte da presidência do órgão.

Além disso, há suspeitas de interferência direta do governo Jair Bolsonaro no conteúdo das provas. O presidente chegou a afirmar que, agora, as provas começam a ter a "cara do governo".

A tentativa de interferência ideológica envolve uma gestão feita pelo próprio chefe do Executivo.

Bolsonaro pediu ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, para que houvesse questões que tratassem o golpe militar de 1964 como uma revolução.

O presidente é um defensor da ditadura e já tentou reescrever a história em outros momentos. O golpe foi rememorado nos quartéis, em cerimônias oficiais, no primeiro ano do governo.

Segundo integrantes do governo, o pedido de Bolsonaro teria ocorrido no primeiro semestre do ano. O pleito não foi adiante porque os itens da prova passam por um longo processo de elaboração.

Na terça (16), a presidente do TCU, ministra Ana Arraes, recebeu um grupo de deputados federais que apresentaram críticas à gestão do Inep. O presidente do Inep é Danilo Dupas Ribeiro.

As acusações feitas pelos parlamentares foram sistematizadas numa representação. No dia seguinte, o TCU abriu o processo, como faz em procedimentos do tipo.

Desde o início deste governo há pressão para que a prova elimine temas que Bolsonaro e apoiadores conservadores entendem como inadequados –ditadura, questões de gênero e racismo, entre eles.

A pressão ganhou proporções inéditas na gestão de Dupas Ribeiro à frente do Inep e de Milton Ribeiro no MEC. Ambos reforçaram recados e pressões: questões entendidas como subjetivas teriam de ser suprimidas.

Ao todo, 37 servidores do Inep entregaram cargos de chefia, diante da "fragilidade técnica e administrativa da atual gestão".

O MEC afirma que as saídas não têm relação com problemas na execução do Enem, mas com mudanças em pagamentos de gratificações, o que os servidores negam.

Deixe a sua opinião

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Brasil

Condomínios devem se preparar para festas de fim de ano

Especialista em Direito Condominial, Rodrigo Karpat dá dicas de como condomínios podem evitar problemas causados no Natal e Ano novo

Esportes

Athletico empata com Palmeiras, escapa de queda e se concentra na Copa do Brasil

O Furacão teve mais trabalho do que esperava nesta segunda (6), mas conseguiu diante dos reservas do Palmeiras um empate que o livra do risco de ser rebaixado no Campeonato Brasileiro.

©2021 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software