Teatro de Cubatão segue sem espetáculo e quase 30 anos de abandono

Prédio inacabado se transformou em hospedaria e motel para moradores de rua e usuários de drogas

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13 ABR 201510h38

Há quase 30 anos o Teatro Municipal de Cubatão está em obras. Mas em 2015, a situação do mais antigo elefante branco da Cidade está degradante. Quem passa em frente ao local todos os dias sabe do que a Reportagem está relatando: portas quebradas, muros pichados e lixo espalhado por todo lado.

No entanto, para quem entra no local, a situação vista é muito mais triste. O prédio inacabado se transformou em hospedaria para moradores de rua e usuários de drogas. O cheiro é insuportável. Poças de água da chuva também se formaram no local, por conta de vazamentos no telhado. O que será, no futuro, segundo a Prefeitura, uma policlínica, hoje é um problema de saúde pública.

O abandono do prédio foi alvo de denúncia - já encaminhada à Promotoria de Justiça da Cidade - pelos vereadores Dinho Heliodoro (SDD) e Ivan Hildebrando (PDT). E esta foi só uma das vezes que o teatro em obras é parte principal de críticas na Câmara ou da população da Cidade.

"O cenário é de horror. Vasos sanitários, móveis quebrados, forros danificados, pichações, muitos criadouros da dengue, restos de comida e muitas fezes em todos os compartimentos”, informa Heliodoro.

Após denúncia feita pelos vereadores de que o local não tem vigilância, a Prefeitura colocou um vigilante impedindo a Imprensa de fotografar o interior do teatro.

As obras no Teatro Municipal começaram em 1987, na gestão do prefeito José Osvaldo Passarelli (Foto: Luiz Torres/DL)

O Teatro de Passarelli

O histórico do Teatro Municipal de Cubatão é de total abandono. Em 1987, o então prefeito José Osvaldo Passarelli, deu início às obras do local com a promessa de ser um dos teatros mais modernos do País. Em 1989, sai Passarelli e entra Nei Eduardo Serra, que paralisou as obras e iniciou a construção do Hospital Modelo, ao lado do teatro, com a alegação de que a população mais de hospital do que de teatro. Na eleição seguinte, em 1993, Passarelli volta ao governo, retoma as obras do teatro e paralisa as obras do hospital. Novamente temos eleições e Nei Serra sai vitorioso, em 1997 - uma de suas primeiras ações é montar o seu gabinete nas obras do Hospital Modelo e paralisar as obras do teatro.

O próximo prefeito a assumir, em 2001, foi Clermont Silveira Castor. Durante o primeiro mandato, o teatro permaneceu “em obras” e abandonado. Em 2005, Castor partiu para seu segundo mandato. Durante este período, o teatro passou a ser administrado pela Ong Tupec, com patrocínio da Petrobras, para terminar as obras do local, mas o então prefeito lavou as mãos quando a organização foi acusada de roubar o dinheiro inprecisava vestido pela empresa.

Em 2009, a atual prefeita assume. Inaugura o Novo Anilias com um novo teatro, mas que ainda não está em operação, o que leva a população à realidade de dois teatros sem funcionamento na Cidade. Reeleita e reassumindo a Prefeitura em 2013, Marcia Rosa então planeja transformar o antigo prédio em mais um equipamento de saúde.

Promessa de campanha, Quarteirão da Saúde está em fase de revisão final

Seguindo as promessas de campanha da prefeita Marcia Rosa (PT) nas últimas eleições, o prédio abandonado do teatro se tornaria a policlínica da Cidade, que hoje funciona no antigo prédio da Companhia Municipal de Trânsito (CMT).

A remodelação do local formaria o Quarteirão da Saúde, projeto da prefeita petista que tem a intenção de integrar o equipamento aos demais situados nas vizinhanças, como o Pronto- Socorro Municipal e o Hospital Municipal, para que a população tenha em mesmo local o acesso aos principais serviços de Saúde do município. Segundo a Administração Municipal, o projeto está em revisão final e sendo preparado para entrar em fase de licitações.

“O projeto de adequação do antigo teatro como policlínica passou por várias modificações, após a aprovação do projeto arquitetônico e pela vigilância sanitária, estão sendo agora feitos os projetos complementares, que compõem o chamado projeto básico, que permitirá a licitação: do projeto elétrico, de instalações hidráulicas, de climatização, de proteção e combate a incêndios, estrutural, sistema de proteção contra descargas atmosféricas, memorial descritivo, especificações técnicas e orçamento estimativo”, respondeu a Prefeitura em nota encaminhada ao Diário do Litoral.

Quanto às invasões no local, a Secretaria de Segurança Pública e Cidadania da Cidade diz que estão sendo solicitadas rondas mais constantes da Polícia Militar, bem como um isolamento maior do perímetro da edificação.

“Com a entrada em funcionamento do serviço de Vídeo Monitoramento em Cubatão, uma câmera instalada na confluência das avenidas Henry Borden e Nove de Abril permitirá controlar ainda mais os acessos à edificação”, informa a secretaria.