Fabricantes dos trens garantem aceitação do VLT

Cerca de 30 mil valencianos usam diariamente o VLT, cujos primeiros veículos estarão em Santos em 22 de maio próximo, quando serão liberados para testes

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31 MAR 201410h23

De Valência (Espanha)

Cerca de 30 mil pessoas diariamente utilizam o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) em Valência, na Espanha, cuja população é de 700 mil habitantes - mesmo número de moradores de Santos e São Vicente. A partir de 2015, santistas e vicentinos passarão a ter o transporte como nova opção de deslocamento.

Esta semana, os 12 jornalistas da região que acompanharam a comitiva brasileira em viagem àquela cidade litorânea, banhada pelo Mediterrâneo, percorreram alguns quilômetros dentro do (VLT) para conhecer de perto a relação do transporte com a Cidade e com seus moradores. De imediato, o VLT se mostrou equipamento confortável, seguro, silencioso e, apesar da pouca velocidade, eficaz em relação ao tempo, pois não para em semáforos. 

Dentro da composição, em entrevista ao Diário do Litoral, o vice-presidente da Vossloh, empresa responsável pela fabricação dos trens, Juan José Sanchis, disse que o santista não terá dificuldades de adaptação. “O VLT funciona em Valência desde 1992. Ele percorre 18 quilômetros e possui câmeras internas, para dar mais segurança à população e evitar vandalismo. Isso aproxima a população ao veículo”, disse Juan Sanchis.

Conforme observado pelo Diário, o VLT é semelhante a um metrô de superfície, só que com velocidade reduzida. Porém, permite que os usuários possam contemplar a paisagem da cidade, diminuindo o estresse diário. “Os turistas também costumam apreciar o VLT em função da visibilidade e o próprio desenho dos vagões, que se identificam com a cidade”, afirma o vice-presidente Vossloh – empresa alemã com sede na Espanha.

Primeiro VLT estará em Santos em 22 de maio (Foto: Nara Assunção)

Segundo apurado pela reportagem, a adoção do VLT diminuiu o fluxo de veículos e, por ter uma parada a cada 300 metros, mantém o movimento comercial. Além disso, por ser elétrico, não prejudica o ecossistema. “O VLT se integrou à Cidade de Valência, que foi pioneira na Espanha em adotar o transporte, já bastante usado na França. É um transporte de baixa manutenção. O VLT não atrapalha o cotidiano das pessoas”, afirma.

Na área de manutenção do VLT, o gerente de projetos da Vossloh, Javier Julián, explica que a incidência de acidentes envolvendo outros veículos se mostrou, ao longo dos anos, muito baixa. “O sistema é muito eficiente em função da sincronia com os semáforos. Além disso, as locomotivas possuem um sistema frontal de absorção de impactos, que inclusive não perfura os veículos atingidos. Os assentos também possuem sistema de amortecimento, preservando os usuários”, garante Julián, que também é responsável pelo projeto em Santos e São Vicente.

Chegada

Como já anunciado, (leia mais em (Primeiro VLT chega dia 22 de maio em Santos)  a primeira das 22 composições do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) estará em Santos em 22 de maio próximo, quando será liberada para testes. Os veículos serão transportados para o Porto de Bilbao (ainda na Espanha) por caminhões, seguirão de navio até o Porto de Amberes (Bélgica) e depois para o Porto de Santos.

As três primeiras composições elétricas já estão prontas e serão embarcadas até dezembro. Outras seis serão montadas no Brasil, na Cidade de Três Rios (RJ), totalizando nove composições no primeiro lote. As demais 13 composições também serão montadas no País. Cada composição é formada por sete vagões (incluindo a locomotiva), tem 44 metros de comprimento, com 14 portas e capacidade para 400 passageiros (72 sentados).

A primeira estação – na Vila Valença, em São Vicente - será entregue já em abril. A velocidade máxima é de 70 quilômetros por hora e o tempo de espera será entre três e cinco minutos no máximo. O VLT operará em um trecho de 11 quilômetros entre Barreiros (São Vicente) e o Porto de Santos, cuja linha será ampliada à Avenida Conselheiro Nébias e Valongo.

O projeto todo – obras e veículos – custará mais de R$ 1 bilhão ao Governo do Estado de São Paulo. Somente com os trens serão gastos R$ 250 milhões. Os 22 trens terão capacidade de transportar 220 mil de pessoas por dia. O VLT vai funcionar das 5 da madrugada à meia noite, sendo que sua manutenção ocorrerá no intervalo desse período. De Samaritá (São Vicente) ao Porto, o passageiro levará 30 minutos – 50% a menos que o deslocamento feito por outro meio de transporte.

Os executivos da Vossloh, empresa parceria da brasileira TTrans, confirmaram, durante visita à fabrica do VLT, que o equipamento terá janelas amplas, ares-condicionados, luminárias de led, espaço para cadeirantes e obesos, sistema de gravação de imagem e outros equipamentos, que permitirão ao condutor total visão do sistema operacional.