Campanha em prol de músico já arrecada 40%

Vítima de golpe, artista de Santos promove arrecadação de dinheiro usando a internet

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30 MAR 201400h23

O músico santista Johnny Hansen, conhecido principalmente por seu trabalho à frente da banda Harry (uma das introdutoras da cena industrial no Brasil), vive hoje em São Thomé das Letras (Minas Gerais) uma situação conhecida por muitos artistas da Baixada Santista. Vítima de golpe, ele se viu obrigado a lançar campanha na internet para arrecadação de dinheiro. Em poucos dias, já obteve 40% do valor que precisa para reverter a situação.

O tormento de Hansen e dos principais músicos de lá começou quando os bares de rock de São Thomé começaram a enfrentar problemas com isolamento acústico, o que dificultou o trabalho dos artistas. A Prefeitura passou, então, a ameaçar alguns locais de interdição, logo em janeiro, um dos principais meses em que os artistas mais tocam.

Hansen chegou a integrar uma comissão de músicos que participou de uma reunião na Administração Municipal. O resultado é que os bares acabaram reabertos, mas os estabelecimentos, por receio da fiscalização, passaram a contratar mais músicos fazendo apenas o estilo voz e violão.

Com histórico de tocar guitarra em bandas, sobrou a Hansen a tentativa de se adequar. “Vi que precisava de um violão, uma caixa ativa para voz, microfone e pedestal”. Não demorou, e ele fechou acordo com o dono de um restaurante, no momento em que surgiu a oportunidade de comprar um violão Fender.

Líder da banda Harry, Hansen se apresenta em Santos no dia 23 de maio (Foto: Arquivo Pessoal)

Pelo combinado entre Hansen e o dono do estabelecimento, o instrumento seria pago com apresentações musicais até o ressarcimento total. Foi aí que o destino lhe pregou uma peça: Hansen fez cinco shows para o estabelecimento, mas o proprietário fugiu de São Thomé das Letras.

Hansen se viu com um violão que precisava ser pago, e não encontrou outra alternativa a não ser devolver o instrumento ao antigo dono. “O que seria contraproducente, pois precisaria dele para trabalhar”.

E como arrumar o dinheiro para ficar com o violão Fender? A ideia veio inspirada em políticos, logo ele que nunca ergueu uma bandeira partidária. “Se os petistas podem, porque não eu?” E, inspirado em políticos do PT que precisaram abrir contas para pagar multas em decorrência do processo do mensalão, nasceu a ideia de pedir contribuições em sua conta.

“Para que eu possa continuar a trabalhar, e usando o gancho do meu aniversário (26 de março), decidi lançar a campanha”, justifica.

A iniciativa, lançada há poucos dias, já dá os primeiros resultados. Cerca de 40% do valor já está na conta, mas ele precisa ainda dos 60% restantes. Quem quiser colaborar com Hansen pode depositar a contribuição no Banco Itaú, Agência 5304, conta poupança 04612-0, em nome de MRPF.

Em tempo, Hansen não lançou a campanha e cruzou os braços: o H.A.R.R.Y & The Addict, versão atualizada do Harry, voltou agora de uma turnê em Goiânia e se apresentará em Santos, no dia 23 de maio, no Café Central.