01h : 04min

Assine o Diário e o Santista por R$8 por mês no plano atual

‘O Michel pode ficar com a bunda na janela’, diz Beto Mansur a homem da mala

Deputado (PRB/SP), ex-prefeito de Santos, caiu no grampo da Polícia Federal com Rodrigo Rocha Loures (PMDB/PR) no dia 9 de maio

Comentar
Compartilhar
08 JUN 2017Por Estadão Conteúdo18h52
Deputado falou sobre o 'pré-93', projeto de grande interesse para o setor portuárioFoto: Fotos Públicas

A Polícia Federal interceptou uma conversa entre o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) e o deputado Beto Mansur (PRB-SP) na Operação Patmos – desdobramento da Lava Jato que pegou, após delação da JBS, o presidente Michel Temer (PMDB), o senador Aécio Neves (PSDB-RJ) e familiares do tucano. O diálogo, no dia 9 de maio, nove dias antes da Patmos ser deflagrada, durou mais de 5 minutos. O assunto: Pré-93, projeto que autoriza a renovação de contratos de arrendamento no porto de Santos por mais 35 anos.

O tema ‘Pré-93’ foi objeto das 82 perguntas da Polícia Federal a Temer no inquérito, perante o Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga o presidente por suspeita de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa. O presidente ainda não respondeu o interrogatório da PF.

Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer, foi preso sábado, 3. O ex-deputado foi filmado pela Polícia Federal, em 28 de abril, saindo apressado de um estacionamento em São Paulo com uma mala estufada com R$ 500 mil em propina da JBS.

Na conversa com Loures, o deputado Beto Mansur, que foi prefeito de Santos, conta que havia viajado com o secretário Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e com ‘aquela Cristiane que é advogada deles lá’. “Eles estão irredutíveis de mexer no…no…”

“Pré-93”, completa Loures.

“No Pré-95, Pré-93, né? Então, você chegou a conversar com o Michel?”, questionou Mansur.

“Cheguei, não!”, responde o homem da mala.

Beto: “Ou não?”

Rocha Loures: “Com o presidente, não. Eu havia dito a ele na semana passada que este era um bom momento para pacificar essa matéria, que está numa espécie de limbo jurídico. Acho ruim o Governo não aproveitar a oportunidade pra fazer… ontem fiz uma reunião com a equipe lá do ministro Padilha. Falei com Gustavo Rocha (subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil) também. É acho que agora ehh… realmente é a hora. Seria a hora é… de levar a tese jurídica que sustenta. Não há … não há nenhuma ilegalidade.”

Beto: “É! Mas eles estão preocupados que o Michel pode ficar …. com a bunda na janela, alguma coisa.”

Rocha Loures: “Mas num. .. num.. Eu no … Eu sinceramente li lá o material que o Escritório do Piquet Carneiro.”

Beto: “Eu também li.”

Rocha Loures: “É?”

Beto: “O que ocorre que eIe… o Gustavo tá muito taxativo nisso, dizendo que não vai mexer.”

Rocha Loures: “É! Ele … ele. .. me … ligou ontem pra mim também, dizendo que o ministro Padilha tava éééé … desconfortável com essa solução. Éééé… o fato é o seguinte, tem um limbo jurídico, à época em que os Pré-93 existiam, você lembra bem, eles estavam todos dentro da regra depois houve uma mudança de regra, naturalmente que … éé … ai precisa fazer essa regra de transição, que não existe até hoje, né? Inclusive os terminais públicos, empresas públicas têm também…”

Segundo relatório da PF, Beto diz a Rocha Loures que quer ajudar, ‘mas que fica a impressão que ele teria interesse, tendo Rodrigo retrucado que iria fazer um ultimo esforço’. O deputado, afirma o documento, ‘diz que se Rodrigo for falar com o Michel ele Iria junto’.

Com a palavra, Beto Mansur

“O pré-93, eu ainda era deputado antes de ser prefeito (de Santos). Aprovamos uma lei aqui na Câmara dos deputado, a 8630/93. O que é a lei? Quem tivesse terminais antes daquela produção da lei, o governo deveria adequar esses contratos. O governo nunca fez isso. Depois fui prefeito e não é só em Santos que você tem terminais Pré-93, acho que você tem 35 terminais no Brasil inteiro. Muito estão operando com liminar na Justiça. Quando o Michel foi baixar esse decreto, teve um grupo de trabalho que discutiu não só o Pré-93 mas também o Pós-93. O que o pessoal queria? Resolvesse o problema para os terminais de antes de 93. A maior Pré-93 estão com discussão na Justiça. O Pós-93 era aquela renovação de mais 35 anos, reivindicação de todos os terminais. A gente estava atrás disso também. O que aconteceu? Eu também participava dessas reuniões, mas não tenho absolutamente nada com Rocha Loures. Eu sempre defendi que o Governo resolvesse o Pré-93, mas o que eu fiz? Eu conversei com o Gustavo, da assessoria jurídica, viajei com Moreira Franco, na minha frente estava a Cristiane estava ajudando o Gustavo nesse decreto. Eles me falaram: Beto, esquece porque nós não vamos mexer com Pré-93, porque o presidente pode ter uma improbidade administrativa. Para mexer com isso tem que ser projeto de lei ou medida provisória. O Rocha Loures me ligou como outras pessoas que trabalham nesse tema, e sabe que eu trabalho nisso há muito tempo, me ligou para saber. Eu falei: ‘Rodrigo, esquece, porque eu já conversei com o Moreira, com o Rodrigo e eles me falaram’. Usei termo chulo, de gíria, não tem nada de mais grave nisso e nem ilícito. Da minha parte não mexo com coisa errada. Eu não tenho relação exótica com ninguém. Eu, na verdade, defendo tem que haver uma solução para esses terminais.”

 

Colunas

Contraponto