Entrada da Cidade

Assassinato de Marielle faz seis meses sem nenhum esclarecimento

Para Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, a falta de solução para o caso é inadmissível

Comentar
Compartilhar
14 SET 2018Por Folhapress13h17
Até agora, a polícia prendeu cinco suspeitos, mas a participação de cada um dos supostos envolvidos ainda é desconhecidaFoto: Mário Vasconcellos/Agência Brasil

 O calendário marcou nesta sexta-feira (14) seis meses dos assassinatos de Marielle Franco (PSOL), vereadora do Rio, e do seu motorista, Anderson Gomes. Apesar da repercussão internacional, os crimes continuam sem resposta.

Para Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, a falta de solução para o caso é inadmissível. "O Estado brasileiro, as autoridades federais e estaduais e as instituições do sistema de justiça criminal têm todos a responsabilidade de garantir que o assassinato de Marielle Franco seja devidamente investigado e que os verdadeiros responsáveis sejam identificados e levados à justiça", disse.

Até agora, a polícia prendeu cinco suspeitos, mas a participação de cada um dos supostos envolvidos ainda é desconhecida. Para o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, os assassinatos podem ter participação de agentes do estado.

No dia em que morreu, Marielle participava de um encontro de mulheres negras na Casa das Pretas, espaço na Lapa, região central do Rio. Imagens de câmeras de segurança mostram que dois carros estacionaram na rua.

Quando Marielle saiu da casa e o carro onde estava deu partida, os dois carros trocaram sinais de alerta e a seguiram. dos criminosos emparelhou com o veículo em que Marielle estava, na rua Joaquim Palhares, próximo à estação Estácio do metrô, atiraram e fugiram em disparada sem roubar nada. 

Marielle estava no banco de trás de um Chevrolet Agile branco com sua assessora, que sofreu ferimentos leves. Na frente, estava seu motorista, Anderson Pedro Gomes, que também morreu. Ao todo, foram 13 tiros. O carro foi atingido nove vezes, sendo que todas as balas foram em direção ao banco traseiro, onde ela estava, segundo a Polícia Civil.

Quatro tiros atingiram a cabeça da vereadora. Outros três, a lateral das costas do motorista. Como a maior parte dos disparos atingiram a vereadora, os investigadores da Polícia Civil avaliam que o atirador sabia que Marielle estava sentada naquele lugar. O caso teve repercussão internacional e entrou na pauta da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA (Organização dos Estados Americanos).

A morte de Marielle ocorreu em meio à intervenção federal na segurança pública do estado. Na prática, com isso, a investigação está sob a responsabilidade do governo Michel Temer (MDB), que decretou em fevereiro a intervenção e escalou um general do Exército para o comando da inédita medida. Polícia Militar e Polícia Civil respondem diretamente aos interventores.

Enquanto isso, o apoio dos moradores da cidade do Rio de Janeiro à presença do Exército vem caindo nos últimos dez meses, mas ainda ser majoritário. O índice dos que são a favor da convocação dos militares diminuiu de 76%, em março, para os atuais 66%, enquanto aqueles que são contrários passaram de 20% para 27%.

Desde outubro, quando o Datafolha fez essa pergunta pela primeira vez, a aprovação às Forças Armadas na capital fluminense já perdeu 17 pontos -naquele mês, eram 83% favoráveis ao emprego de militares para combater a violência no Rio.

Apesar disso, a maioria da população do Rio pede a prorrogação da intervenção federal na segurança pública, prevista para acabar em 31 de dezembro deste ano. 

Crime político
Desde o início, a principal linha de investigação é a de motivação política. Diferentes vereadores prestaram depoimento na condição de testemunha, entre eles, um indiciado na CPI das Milícias, concluída em 2008, na qual Marielle trabalhou.

A assessora de Marielle, que estava no carro no momento do ataque, saiu do país com o marido por medo de represálias. Marielle tinha como causa o avanço dos direitos das mulheres, principalmente as negras. Trabalhou na Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), onde atendia vítimas de grupos criminosos e de violência policial. Também ajudava famílias de policiais assassinados.

Com frequência denunciava abusos cometidos por policiais em favelas. Dias antes de morrer, criticou o 41º Batalhão da Polícia Militar, o mais letal do Rio.

Colunas

Contraponto