Heraldo Andrade diz que caminhoneiros foram usados em greve

Sindisan e Sindicam Santos desmentem acusação e dizem que movimento foi legítimo

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14 FEV 201322h57

Em meio às negociações para a atualização da planilha de custos do frete, a troca de acusações entre lideranças que representam caminhoneiros autônomos que operam no porto de Santos continua.

O coordenador do Movimento União Brasil Caminhoneiro da Baixada Santista (MUBC), Heraldo Gomes Andrade, declarou que a greve foi “forjada” para atender aos interesses das transportadoras no reajuste do frete.

Segundo Heraldo, os autônomos foram usados como “massa de manobra” do Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas do Litoral Paulista (Sindisan) e do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Santos (Sindicam).

O coordenador do MUBC contestou ainda a legitimidade da greve, uma vez que o Sindicam não convocou assembléia e nem definiu a pauta de reivindicações da categoria. “Além disso, a tabela de referência de 2006 (Planilha de Custos Mínima para Prestação de Serviços para Transportador Autônomo) definida pelo Sindicam e pelo Sindisan foi mantida durante dois ou três meses. Como é que agora, dois anos depois eles querem reajuste de 22% se não cumpriram a tabela de 2006?”, questionou Heraldo.

O presidente do Sindicam Santos, José Luiz Ribeiro Gonçalves, afirmou que o movimento de greve deflagrado é legítimo. “O Sindicato tem legitimidade para representar a categoria. Já cooperativas e movimentos não têm. Quanto à assembléia, ele (Heraldo) deveria saber que ela só é convocada para a definição da pauta de reivindicações em se tratando dos interesses de trabalhadores vinculados e não no caso dos autônomos”, esclareceu.

Sobre a planilha de custo de 2006, José Luiz afirmou que foi definido reajuste de 6% com base no IGP-M e que até hoje “em alguns casos são praticados valores até acima desse percentual dependendo do serviço prestado”.

O presidente do Sindisan, Marcelo Marques da Rocha, desmente a acusação do coordenador da MUBC sobre o suposto interesse das transportadoras no aumento do frete. “Não tenho nada contra e nem a favor do José Luiz. Acredito que ele assim como eu, não faz conchavos como era o caso do Heraldo”. A greve de 24 horas iniciou no dia 24. Quando o Sindicam decidiu continuar a greve, eu rompi com o Sindicam no dia 25 à tarde, e meus caminhões voltaram a operar”.

José Luiz afirmou que além dos 9% de reajuste do frete já proposto pelo Sindisan, a categoria negociará correção de mais 13% para atingir os 22% reivindicados pela categoria. “De um ano para cá tivemos uma perda de 17,6% nos ganhos por causa dos aumentos do combustível, pedágio e manutenção dos veículos”.

A proposta será feita amanhã, em reunião no Sindisan que contará com a participação de empresários e carreteiros. O presidente do Sindisan adiantou que serão formadas duas comissões durante a reunião para a formalização do acordo entre autônomos e empresas. A comissão dos empresários será encabeçada por ele, e a dos caminhoneiros, por José Luiz. A reunião será realizada a partir das 14 horas. O Sindisan fica na Rua Dom Pedro II, 89, no Centro de Santos.  

2006

As rusgas entre o MUBC da Baixada Santista e o Sindican Santos datam de 2006, quando o Sindicam recorreu à Justiça para por fim à greve liderada pelo MUBC no porto de Santos. Na ocasião, parte dos autônomos que opera no porto aderiu, mas Heraldo foi intimado a suspender a greve, sob pena diária de R$ 10 mil.