Saúde: Projeto faz doação para ajudar pessoas com Hanseníase no Brasil

Cerca de 600 itens de tecnologia assistiva serão doados para os milhares de brasileiros que possuem sequelas da hanseníase

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15 SET 2021Por Da Reportagem11h20
Cerca de 50% dos casos de Hanseníase evoluem com algum grau de incapacidade física: funcional ou visívelCerca de 50% dos casos de Hanseníase evoluem com algum grau de incapacidade física: funcional ou visívelFoto: Divulgação

O Instituto Aliança contra Hanseníase (Alliance Against Leprosy, AAL, na sigla em inglês) está lançando o TECHansen, ação organizada para doar materiais, equipamentos e dispositivos de tecnologia assistiva para pacientes que apresentam deficiências físicas e/ou alterações ocasionadas pela hanseníase no Brasil

O objetivo é oferecer melhor qualidade de vida, por isso cerca de 600 itens serão doados para quem tem sequelas da hanseníase, doença crônica infecciosa que causa lesões neurológicas irreversíveis, principalmente nos olhos, nariz, mãos e pés. "Às vezes o banho com bucha e sabonete torna-se uma luta quando perde-se a capacidade de preensão das mãos", afirma a Dra Laila De Laguiche, médica dermatologista e presidente da AAL.

A hanseníase é uma doença crônica infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que causa inflamações nos nervos periféricos e que acomete em especial a face (olhos e nariz), os membros superiores (mãos) e os membros inferiores (pés).

O Brasil é o segundo país com maior prevalência de casos da patologia no mundo, atrás apenas da Índia. De acordo com o Boletim Epidemiológico Brasileiro sobre a Hanseníase, divulgado pelo Ministério da Saúde, em 2019 foram diagnosticados 27.864 novos casos. 

Cerca de 50% dos casos de Hanseníase evoluem com algum grau de incapacidade física: funcional ou visível. Na maioria das vezes, essa realidade está relacionada ao diagnóstico tardio da doença.

Segundo a dermatologista, o tratamento medicamentoso continua sendo oferecido 100% pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas o Programa de Próteses e Órteses do Ministério da Saúde não elenca vários materiais necessários para reestruturar a dignidade do paciente.

“O Projeto TECHansen vem para somar, para preencher uma lacuna existente em nosso sistema de saúde. Todos sabemos que a Hanseníase pode acometer duramente um paciente, porém muito pouco se faz para ajudar na vida diária deste doente. É com esse intuito que o Instituto Aliança contra Hanseníase pretende efetivar esse projeto, a fim de melhorar a qualidade de vida destes doentes”, afirma a presidente da AAL.

Com abrangência nacional e ainda em fase piloto, o TECHansen atuará primeiramente nos estados do Paraná e de São Paulo. A ação foi viabilizada graças a doação da artista plástica francesa Flo de Bretagne, conhecida por suas pinturas coloridas, inspiradas na beleza da natureza e dos animais.

Além da doação, a artista também disponibilizou uma imagem de seus trabalhos para ser utilizada na ação, que é caracterizado por uma flor, chamada Harmonia, simbolizando a atenção integral ao paciente acometido pela Hanseníase.  

“A hanseníase está no rol de doenças negligenciadas no país. Com tantas emergências de saúde que enfrentamos, a doença é mais uma delas. Mas o que precisamos urgentemente considerar é que a cada 10 pessoas diagnosticadas, teremos cinco com algum tipo de deficiência física que necessitarão de serviços especializados”, afirma Susilene Nardi, idealizadora e embaixadora da ação da AAL.

Para solicitar os materiais e dispositivos disponibilizados pela AAL, é necessário que o profissional de saúde (enfermeiro, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional  e/ou médico) e que, preferencialmente, esteja alocado em algum serviço público de referência e/ou de reabilitação, com demanda de atendimentos aos pacientes de hanseníase, preencha o formulário com informações básicas sobre o diagnóstico e o acompanhamento e, no final, assinar um termo de consentimento, disponível no link https://www.allianceagainstleprosy.org/techansen/cadastro-de-pacientes/

Após a análise pelo Instituto, o material será separado e enviado sem custos para o endereço indicado no cadastro e de acordo com a disponibilidade dos materiais.  

Para Susilene, ao doar esses dispositivos o projeto beneficia não somente a pessoa afetada pela hanseníase, mas também para cobrir a dificuldade de compra dos materiais pelo SUS. "Por ser uma ação piloto, acreditamos que seja uma forma de observarmos que tipo de material os profissionais de saúde irão elencar para seus pacientes e se há necessidade de incluirmos outros que não estão na lista. O objetivo é que a ação se torne permanente na AAL”, complementa.

Os materiais, equipamentos e dispositivos de tecnologia assistiva disponíveis para doação são: luva térmica para cozinha, colher de poliamida para alta temperatura, órtese de posicionamento lumbrical,abdutor do polegar, apoio suropodálico para pé caído, adaptador universal, fixador em tiras, fixadores em alça duplo e alça simples, engrossador multiuso de objetos, copo de café descartável, hastes flexíveis (cotonete), soro fisiológico em gel, tipoia para membros superiores, bucha de silicone com suporte para sabonete, protetor ocular noturno, colírio lubrificante, pinça de sobrancelha e óculos de sol.

Para tornar o projeto uma ação permanente e expandir para os demais estados, a AAL informa que é necessário a doação de mais itens, podendo ser enviados diretamente para o endereço do instituto. Para quem preferir realizar a doação em dinheiro o processo pode ser feito diretamente no site.