Medicina ganha aliados na luta contra o coronavírus

Enquanto não temos vacinas ou remédios específicos contra a Covid-19, tecnologias nos ajudam no dia a dia para barrar os efeitos do coronavírus

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17 SET 2020Por Gazeta de S. Paulo08h08
Novas armas vêm sendo desenvolvidas para facilitar nossa batalha contra o vírusFoto: Pressfoto/Freepik

Por Vanessa Zampronho

O inimigo pode ser invisível, mas nem por isso imbatível: já incorporamos à nossa rotina uma série de atitudes para nos proteger contra a Covid-19, como o uso de álcool gel, máscaras, lavar as mãos, sair menos de casa e evitar aglomerações. Mas novas armas vêm sendo desenvolvidas para facilitar nossa batalha.

Uma delas usa a luz ultravioleta (UV) na desinfecção de objetos, que tem no sol uma das maiores fontes. Ela é subdividida em três tipos, a UV-A, UV-B e UV-C. O tipo A é o que causa o bronzeamento da pele, quando exposta ao sol; o B pode causar queimaduras se a exposição for longa, e o C não chega até a superfície - mas, por ter mais energia, é utilizado para desinfecção de materiais hospitalares. Foi daí que veio a ideia de adaptar seu uso contra o coronavírus.

“Essa radiação impede que o micro-organismo se multiplique, porque o material genético do vírus é danificado. Assim, ele não consegue fazer o principal papel dele, que é se reproduzir e se espalhar”, explica o professor de física Henrique Giannini, do Colégio Marista Arquidiocesano.

Essa tecnologia já está sendo utilizada em mercados, por exemplo: os carrinhos de compras são colocados em pequenas cabines, e são iluminados por um determinado tempo pela luz UV. Partindo dessa ideia, a Pop Up Live desenvolveu a BOX UV-C, que tem o tamanho de um micro-ondas, e pode até ser instalada em casa. “A pessoa pode colocar suas compras, e também outros objetos, como chaves, celulares, chinelos, óculos, que caibam lá dentro. E o tempo de desinfecção é de 90 segundos”, explica um dos sócios da Pop Up Live, Ricardo Van Meenen. O BOX UV-C pode ser encontrado à venda por R$ 4.100.

 

Outro equipamento usa biodesinfetantes no ar ou superfícies, que não danificam o meio ambiente – mas eliminam micro-organismos. A empresa DeVant Care disponibiliza um equipamento móvel que borrifa no ar uma solução de peróxido de hidrogênio (a famosa água oxigenada) com íons de prata, ou com ácido ascórbico (conhecido como vitamina C) ou ácido acético (o vinagre), em quantidades balanceadas. A máquina pode ser utilizada em locais variados, de uma casa até estações de metrô, rodoviárias e escolas. O valor da aplicação nos ambientes é a partir de R$ 1 por metro quadrado.

As máscaras também podem ficar mais modernas, com um tecido desenvolvido por pesquisadores do Inmetro, em parceria com a UFRJ e PUC-RJ. Nanopartículas de óxido de zinco e grafeno (obtido através do grafite) são inseridas na trama do tecido, que é capaz de filtrar o ar que respiramos, e barrar o coronavírus. Os cientistas pretendem disponibilizar a tecnologia para produzir o tecido em escala industrial – e levar o material a mais pessoas.

Até na hora de embalar o lixo, há soluções que evitam a Covid-19. A Embalixo desenvolveu um saco plástico, que contém um material antisséptico que quebra a estrutura genética do coronavírus – e impede que ele se reproduza. A eficácia do produto foi atestada pela Unicamp, e o saco também funciona contra outros vírus, como os que causam a gripe e resfriados. Ele ainda não está disponível nos supermercados, mas, para não serem confundidos com as embalagens tradicionais, o Embalixo Antivírus será produzido na cor prata, e virá em tamanhos de 15, 30, 50 e 100 litros.

Reforço no arsenal

Na área médica, diversas pesquisas estão ajudando na recuperação de pacientes com coronavírus. Uma delas usa plasma do sangue de pessoas que já se recuperaram da Covid-19 em pacientes graves com a doença. Esse plasma tem anticorpos, que dão aquela força para quem está ainda bem debilitado. Outro é um equipamento que filtra o ar de ambientes fechados, como hospitais e UTIs: ele aspira o ar e o devolve ao ambiente livre de agentes patogênicos. E uma pesquisa com um tipo de células-tronco está se mostrando eficaz para controlar a inflamação nos pulmões de pacientes em estado grave, e ainda ajuda a regenerar o órgão.