Alérgicos ao leite de vaca devem evitar chocolate tradicional

Reação alérgica pode desencadear desde cólicas e diarréias ao choque anafilático que pode matar

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14 JAN 201320h57

Em tempos de Páscoa, quem fatura mesmo é o comércio. Nos supermercados, ovos de chocolate ao leite formam túneis coloridos que deixam principalmente as crianças com água na boca. Mas, nem todos podem saborear um bom ovo de Páscoa tradicional. São aquelas pessoas que tem alergia alimentar.

Por isso, o alergista, imunologista e coordenador técnico do Projeto Social Brasil Sem Alergia, Marcello Bossois, faz um alerta: muitas mães desconhecem que o leite de vaca, alimento contido na maioria dos ovos de chocolate, pode ser extremamente perigoso para seus filhos. Isso, pois as proteínas contidas neste produto, como a caseína, a alfa lacto albumina e a beta lacto globulina, são grandes causadoras de alergias alimentares. Além disso, a lactose -- açúcar encontrado no leite bovino -- provoca intolerância alimentar, que é um processo diferente da alergia alimentar.

Ambos os processos podem ser bastante perigosos, sobretudo a alergia alimentar ao leite de vaca, que pode levar ao óbito, e pode se desenvolver em qualquer pessoa, independente de sua idade, sexo ou estilo de vida. No entanto, os recém-nascidos são os mais afetados pela alergia e intolerância alimentar. Cerca de 6% das crianças até o 3º ano de vida sofrem com a alergia alimentar. Já a intolerância à lactose, como aos demais compostos de diversos alimentos como o glúten, os crustáceos, além de corantes e conservantes, atinge 25% dos brasileiros.

"A criança é quem mais sofre, pois o sistema imunológico dos recém-natos ainda é imaturo, favorecendo o surgimento da alergia alimentar, uma vez que seu sistema de defesa não está totalmente formado. Além deste fator, a introdução precoce, em crianças, de leite de vaca, contido em grande parte dos ovos de chocolate, favorece à agressão da mucosa intestinal imatura. Isso aumenta muito a permeabilidade intestinal a macromoléculas do leite bovino, induzindo a uma resposta imune de alergia", afirma Bossois.

A substância que causa alergia é chamada de alérgeno. Para se defender dessa substância, o sistema imunológico produz anticorpos, como o IGE, que por sua vez faz o organismo responder com reações alérgicas.

Sintomas

“Os sintomas das alergias alimentares podem ser variados, sendo mais freqüente o surgimento de alterações gastro-intestinais aguadas ou crônicas com diarréias e cólicas abdominais, além de manifestações respiratórias como rinite, sinusite, asma e otite.

As reações na pele são comuns com as dermatites de contato, eczemas de contato e urticárias. Mas, dependendo do grau de alergia da criança, as reações podem ser muito perigosas, desde hematológicas como anemia e aumento dos eosinófilos, podendo chegar a um processo de choque anafilático, o que poderá levar o paciente ao óbito", comenta o alergista.

Como diagnosticar?

Para o diagnóstico, podem ser feitos exame de sangue (detectar a presença de um processo alérgico através de alterações nos níveis do anticorpo IGE), exame de fezes e teste alérgico de puntura (as proteínas presentes no alimento são colocadas em contato com a pele do paciente, afim de analisar a presença da alergia ao leite de vaca).

Prevenção

A melhor forma de prevenir a alergia alimentar é evitar que a criança consuma o alimento antes dos 3 anos de idade.