Rogério vai propor a Lula que Instituto Federal seja no Escolástica

Prefeito tentou transformar espaço em escola cívico-militar durante Governo Bolsonaro, mas proposta não teve êxito

A criação de um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IF) em Santos foi anunciada pelo presidente da República durante a solenidade em homenagem ao aniversário do Porto de Santos

A criação de um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IF) em Santos foi anunciada pelo presidente da República durante a solenidade em homenagem ao aniversário do Porto de Santos | Diário do Litoral

O prefeito Rogério Santos (Republicanos) afirmou na última quinta-feira que irá propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que o futuro Instituto Federal de Santos seja instalado no prédio do antigo Instituto Dona Escholástica Rosa. Abandonado, tomado pelo mato e em ruínas, o conjunto arquitetônico inaugurado em 1908 está sob administração da Santa Casa desde 1900 e tem oito prédios, espalhados por 17 mil metros quadrados.

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Com exclusividade para o Diário do Litoral, Rogério disse que “na primeira oportunidade” que tiver de conversar com o presidente pedirá ajuda a Lula para o resgate do imóvel histórico à beira-mar. O prefeito também admitiu que “anteriormente” tentou sensibilizar o Governo Federal para instalação de uma escola cívico-militar no local, mas que a proposta não evoluiu.

“É lógico que o Escolástica Rosa é importante para a Cidade. O que nós estamos trabalhando é para que o Governo Federal possa abraçar essa causa. É importante que o Governo Federal entre nessa questão e ajude, inclusive, a Santa Casa”, resumiu Rogério.

“A esperança agora é, com o Instituto Tecnológico que o Governo Federal anunciou, a gente vai levar a proposta de que seja feito ali porque envolve um grande centro tecnológico e a revitalização de um edifício histórico da Cidade”, completou Rogério.

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A criação de um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IF) em Santos foi anunciada pelo presidente da República durante a solenidade em homenagem ao aniversário do Porto de Santos, no dia 2 de fevereiro. Lula também anunciou a instalação de um IF em São Vicente.

Desde então, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e lideranças estudantis avaliam locais adequados à instalação das duas escolas. A prioridade são imóveis que pertençam ao Governo Federal nas duas cidades e que estejam subaproveitados.

Segundo Rogério, o Município ainda não foi convidado a contribuir com ideias acerca do tema: “Esse projeto ainda não está aberto, o presidente demonstrou essa vontade e, assim que houver alguma reunião técnica nesse sentido, nós vamos propor, sim, que seja no Escolástica Rosa”.

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Os Institutos Federais são instituições de educação básica, profissional e superior, e compõem a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. O projeto que criou os IFs foi sancionado por Lula em dezembro de 2008.

“Se o Governo fizesse essa restauração, atenderia perfeitamente os moradores da Aparecida, que é um dos bairros mais populosos da Cidade”, analisou o prefeito.

Patrimônio tombado

O conjunto arquitetônico do Escolástica Rosa é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa).

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Até 2019, os prédios históricos abrigaram a Escola Técnica Estadual (ETEC) Escolástica Rosa e o campus Rubens Lara da Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec), ambas ligadas ao Centro Paula Souza (CPS), uma autarquia do Governo do Estado.

Desde 1933, o Estado utilizava o imóvel, alugado da Santa Casa, que é a administradora do legado deixado em testamento por João Octávio dos Santos. O benemérito deixou outros 44 imóveis sob a responsabilidade do hospital para que os respectivos alugueis custeassem o centro educacional.

R$ 50 milhões

Um projeto de restauração foi elaborado pelo arquiteto e urbanista Gustavo de Araújo Nunes a pedido da Santa Casa. A obra está orçada em R$ 50 milhões. Esse investimento serviria para restaurar o prédio principal, a Capela de São João Bosco e a Casa do Diretor, os três únicos prédios que ainda estão cobertos por telhas. No conjunto arquitetônico, há outros cinco imóveis, dos quais só restaram as paredes.

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Presidente do Núcleo de Pesquisa e Estudo em Chondrichthyes (Nupec), Manoel Gonzalez, anunciou em 15 de abril, com exclusividade para o Diário do Litoral que a restauração Escolástica Rosa começaria “no final do mês” e duraria três anos.

Gonzalez é o atual locatário do conjunto arquitetônico e disse que, inicialmente, o restauro se concentraria no prédio principal, de frente para o mar. Mais: o presidente do Nupec afirmou que todo o serviço será bancado “com recursos próprios”.

“É um investimento de grande monta. O Município, que é o ente federativo que menos arrecada, não teria condições de arcar com esse valor”, conclui o prefeito.

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O Diário do Litoral aguarda explicações da Santa Casa acerca da situação do Escolástica Rosa desde 16 de abril. O provedor Ariovaldo Feliciano chegou a agendar uma entrevista para a último dia 19. Mas, o encontro acabou desmarcado devido a um “imprevisto”. A Assessoria de Comunicação do hospital prometeu “reagendar” a entrevista.