Renan acusa Planalto de 'patrocinar' criação do PL para diminuir PMDB

"Como pode o governo patrocinar uma coisa que objetiva diminuir o tamanho de um aliado? Isso é um péssimo exemplo da reforma política que nós vamos ter", disse Renan

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26 MAR 201513h48

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou nesta quinta-feira o Palácio do Planalto de patrocinar a refundação do Partido Liberal e classificou a atitude como a "pior criação" da articulação política do governo nos últimos meses. "Como pode o governo patrocinar uma coisa que objetiva diminuir o tamanho de um aliado? Isso é um péssimo exemplo da reforma política que nós vamos ter", disse Renan, ao ser questionado sobre a ideia do PMDB de desencadear uma batalha jurídica para impedir que o PL seja criado.

"Nós precisamos acabar com essa farra da criação de novos partidos. Principalmente, de partidos patrocinados pelo governo que pretendem fazer a fusão para levar aliados. Do ponto de vista da articulação política dos últimos meses, essa foi a pior criação", afirmou. Sem citar nomes, o peemedebista insinuou que os titulares dos ministérios da Educação e das Cidades estavam por trás da ideia de fundar o novo partido. Apesar de negar, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, tem sido apontado como o grande patrocinador da iniciativa. O ex-ministro da Educação Cid Gomes também é visto como um desafeto do PMDB que estaria ajudando a sigla a sair do papel.

Renan Calheiros acusou o Palácio do Planalto de patrocinar a refundação do Partido Liberal (Foto: Divulgação)

O PMDB vê na iniciativa um movimento para enfraquecê-lo. Na avaliação da cúpula da sigla, a demora da presidente Dilma Rousseff em sancionar a lei que cria uma quarentena para a fusão entre partidos - apelidada de projeto anti Kassab - é proposital. A sanção ocorreu esta semana, mas somente depois de o PL conseguir dar entrada ao pedido para registro no Tribunal Superior Eleitoral. Os peemedebistas acreditam que uma futura fusão do PL com o PSD de Kassab tem como objetivo abrir uma nova janela de infidelidade para que parlamentares possam mudar de partido e desidratar o PMDB.