Motta diz que não precisa da orientação de Cunha para presidir CPI

Durante a sessão, houve bate-boca e xingamentos quando ele anunciou que criaria quatro sub-relatorias e que já havia decidido os deputados que a comandariam

Comentar
Compartilhar
05 MAR 201520h22

O presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB), negou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), esteja orientando a condução da comissão que investigará o esquema de corrupção na Petrobras. Na sessão desta quinta-feira, 5, Motta anunciou e aprovou uma série de medidas que contrariam o governo federal, evidenciando ainda mais a crise entre PT e PMDB.

"Não preciso da orientação de ninguém para fazer o que preciso fazer", afirmou Motta ao ser questionado por jornalistas após a sessão que durou mais de cinco horas. "Não preciso da orientação de ninguém. Tenho a assessoria da Casa e cumpro minha presidência com autonomia", disse o presidente.

"Não estou aqui a serviço do governo ou da oposição. Estou aqui para fazer a CPI funcionar e é isso que nós vamos fazer para mostrar ao Brasil e à sociedade que vamos investigar as denúncias de corrupção na Petrobras", afirmou. "O PMDB tem compromisso com a investigação e não abriremos mão de fazer aquilo que é certo, aquilo que a sociedade espera de nós".

Durante a sessão, houve bate-boca e xingamentos quando Motta anunciou que criaria quatro sub-relatorias e que já havia decidido os deputados que a comandariam. A medida enfraquece o relatório que será produzido pelo deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), escolhido relator da comissão após acordo entre PT e PMDB.

Eduardo Cunha, que não participava da sessão, chegou minutos depois da briga ao plenário onde acontecia a CPI sob o pretexto de se colocar à disposição para esclarecimentos já que seu nome aparece na lista de pedidos de abertura de inquérito apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Após a intervenção, em entrevista, Cunha defendeu Motta. "Todos os fatos, todas as decisões que estão sendo tomadas pelo presidente têm amparo regimental. A instância de recurso, que sou eu, concordo com as decisões dele porque, previamente, ele submeteu à consulta regimental, se era correto, e entendemos que a decisão dele estava correta. Não há nenhuma dúvida de que ele está fazendo o correto. Ele não faria nada que não fosse regimentalmente correto", disse Cunha. "Não há dúvida nenhuma que a decisão dele será mantida", afirmou.

Ao fim da sessão, Motta minimizou a discussão e afirmou que não representará contra o deputado Edmilson Rodrigues (PSOL-PA). "Todas as vezes que o bom funcionamento da CPI for prejudicado, iremos exercer nossa autoridade porque queremos que a CPI funcione", afirmou Motta. O presidente disse esperar um pedido de desculpas por ter sido chamado de "moleque" e "coronel". "Se o ânimo do deputado Edmilson se exaltou e ele me desrespeitou, espero que ele se retrate", afirmou.

Hugo Motta disse que não precisa da orientação de Eduardo Cunha (foto) para presidir CPI (Foto: Agência Câmara)

Sub-relatorias

Além das quatro sub-relatorias criadas por Motta, a CPI vai analisar a possibilidade de criar outras quatro, totalizando oito. "Se for para o bom funcionamento da comissão, não temos nenhuma objeção", afirmou. O plenário aprovou a contratação da multinacional Kroll para investigar crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A CPI vai solicitar um orçamento à empresa para que Cunha autorize a contratação.

Também foram aprovados requerimentos que solicitam documentos e convocam ex-presidentes e ex-diretores da Petrobras. Questionado se também convocaria Eduardo Cunha, já que o presidente se colocou à disposição da CPI, Motta desconversou.

"(A vinda de Cunha à CPI) foi um gesto do presidente a possíveis ilações de que ele estará na lista entregue pelo PGR e o presidente veio em um gesto de atenção à CPI se colocar à disposição para as explicações que forem necessárias. Eu vi como um ato de respeito do presidente à nossas CPI", disse Motta.

O primeiro a ser ouvido será o ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco. O depoimento de Barusco está previsto para a próxima terça-feira, 10. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-gerente disse ter começado a receber propinas em 1997.