Dilma exalta ações de apoio à agricultura na Expointer

Em seu discurso, a presidente mencionou números e conquistas para mostrar que o governo federal tem sido um parceiro que atua "em sintonia" com a agropecuária

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05 SET 201421h09

A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) aproveitou a presença na solenidade de abertura da 37ª Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer), na região metropolitana de Porto Alegre, para exaltar as ações do governo federal direcionadas ao setor agrícola, com o qual ela vem tentando uma reaproximação.

Em seu discurso, Dilma mencionou números e conquistas para mostrar que o governo federal tem sido um parceiro que atua "em sintonia" com a agropecuária. A candidata lembrou que o Brasil caminha para uma safra de quase 200 milhões de toneladas e vem aumentando a produtividade tanto na agricultura como na pecuária, graças à inovação tecnológica e à formação profissional dos produtores.

Além disso, Dilma mencionou o esforço do governo para que a pecuária brasileira ocupe novos espaços internacionais. "Depois de ter conseguido em julho suspender o embargo de carne à China, semana passada conquistamos mais dois mercados no Oriente Médio", afirmou. "Nossa pecuária também tem se beneficiado do redirecionamento da demanda da Rússia para outros países, em especial o nosso País."

A presidente dedicou alguns minutos de seu discurso para destacar a concessão de crédito ao agronegócio com juros baixos. Lembrou que, neste ano, são destinados R$ 180 bilhões ao financiamento de pequenos, médios e grandes produtores.

Ela afirmou que quase todas as linhas de financiamento oferecidas ao agronegócio, cerca de 85%, são subsidiadas e, portanto, tem juros reais negativos. De acordo com a presidente, apesar de este subsídio ser estratégico para o agronegócio e para o Brasil, o governo tem recebido críticas por apostar na iniciativa.

"Eu pessoalmente e meu governo também consideramos que tais críticas desconhecem o papel da agropecuária para o Brasil. Ignoram que esse setor gera rendas, empregos, tecnologia, saldo comercial positivo, gera crescimento e também gera orgulho para o Brasil e os brasileiros", disse.

Mais tarde, em entrevista concedida à imprensa, na saída da feira, Dilma voltou a mencionar o assunto. "Há um debate hoje dizendo que isso devia ser interrompido, que devíamos financiar a safra no Brasil inteiro a preços de mercado", falou. "Querer tirar os bancos públicos dessa subvenção é desvalorizar o agronegócio e principalmente a agricultura familiar."

Outro ponto tratado pela presidente, tanto na solenidade de abertura como na conversa com jornalistas, foi a habilidade do governo federal em conciliar as preocupações com produção agrícola e meio ambiente. "Nós sempre demos muita importância à compatibilidade entre produção e preservação ambiental, por isso o nosso compromisso com o programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono) é fundamental", disse na cerimônia.

Ela também lembrou que o governo aprovou o "melhor e mais importante" Código Florestal por meio de diálogo no Congresso. "Temos agora uma legislação que garante segurança ao produtor", disse. "Segurança jurídica para o produtor é uma necessidade para o Brasil."

Como vem sendo de praxe, a candidata à reeleição não citou em nenhum momento o nome dos seus adversários ao Palácio do Planalto. A ex-senadora Marina Silva (PSB), que era tradicionalmente contra a aprovação do Código Florestal, esteve ontem na Expointer e se reuniu com lideranças do agronegócio gaúcho. Já o senador Aécio Neves (PSDB) visitou a feira também hoje, mas não cruzou com Dilma.

Saia justa

Com Dilma na tribuna, representantes regionais usaram a solenidade de abertura da Expointer para apresentar suas reivindicações. Em seu discurso, o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, exaltou os resultados obtidos pelo agronegócio brasileiro nos últimos anos, mas lembrou que há questões não resolvidas que impactam o agronegócio.

O presidente da Farsul ainda disse que "agricultura familiar também é agronegócio" e defendeu a existência de um único ministério para o setor. Neste momento, dirigiu-se aos ministros Neri Geller, da Agricultura Pecuária e Abastecimento, e Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário, que estavam na tribuna. "Me perdoem os ministros, não queremos descartar ninguém. O que queremos é um único ministério ", falou.

Já o presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Rio Grande do Sul, (Fetag), Carlos Joel da Silva, discordou da sugestão. "Queria dizer que, ao contrário do Sperotto, nós queremos manter o nosso Ministério de Desenvolvimento Agrário", afirmou, seguido de aplausos. "Nossa agricultura familiar melhorou e tivemos um ministério para cuidar de nós."

A presidente Dilma Rousseff exaltou as ações de apoio à agricultura na Expointer (Foto: Agência Brasil)

Dilma foi a última a discursar, mas não mencionou a sai justa. Ela se limitou a abordar os investimentos e os avanços na área da agricultura familiar, sem dar qualquer sinalização sobre o futuro dos ministérios relacionados ao setor.

Inflação e gasolina

Depois de participar da solenidade de abertura da Expointer, Dilma passeou pela feira, considerada a maior da América Latina. Ela se deslocou até o pavilhão da agricultura familiar, onde caminhou e observou os expositores. Antes de deixar a feira, a presidente concedeu entrevista à imprensa e comentou o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,25% em agosto com relação ao mês anterior. Segundo ela, o movimento é natural para este período do ano. "Todo mundo espera uma variação pequena para setembro, uma inflação comportada", afirmou.

A presidente voltou a dizer que sua preocupação é sempre mirar o centro da meta de 4,5% e "caminhar cada vez mais" para colocar a variação de preços no patamar mais baixo possível.

Citando o conto "O Alienista", de Machado de Assis, Dilma disse que é criticada tanto por ter cachorro como por não ter cachorro "Aqueles que dizem que eu não tenho cachorro falam: 'Está deixando a inflação fugir do centro da meta'. A verdade é que no período de 12 ou 15 anos que temos meta de inflação, em 9 anos sempre tivemos um pouco acima da meta", afirmou, lembrando que o teto é de 6,5%.

A candidata à reeleição comentou que a inflação é algo que prejudica fundamentalmente os trabalhadores, os empresários e os produtores. "Ganha com a inflação quem controla mais as condições de aplicação, geralmente o sistema financeiro. O resto inteirinho da sociedade perde. Então tem que garantir cada vez mais inflação cada vez mais baixa", avaliou.

Ela salientou, no entanto, que não está disposta a prejudicar o emprego, como "alguns" sugerem. "Meu compromisso é com a meta da inflação, eu procurarei sistematicamente buscar o centro da meta Mas para isso não vou, porque não acho correto, desempregar o povo brasileiro."

Segundo ela, aqueles que a criticam por ter cachorro (em referência à obra literária de Machado de Assis) defendem que ela deveria reajustar mais a gasolina brasileira para diminuir a defasagem com relação ao preço internacional. "A parte de não ter cachorro não dialoga com a de ter cachorro. Tem que resolver, ou tem uma coisa ou outra."

Dilma afirmou que não é possível querer que o Brasil pegue um preço composto com base nos custos nacionais, e o associe a um mercado internacional. "Isso não quer dizer que não temos que buscar da nossa forma métodos de avaliar e valorizar o combustível, de reajustá-lo ou não", ponderou.

"Se eu atrelo a política de preços da Petrobras ou de qualquer lugar a qualquer fator ou dado internacional eu tenho que me perguntar primeiro como esse mercado funciona", explicou, mencionando que um conflito geopolítico entre Estados Unidos e qualquer País do Oriente Médio, por exemplo, faz o preço do petróleo, no mercado internacional, disparar.

A presidente ainda comentou outras críticas que seu governo vem sofrendo no que se refere à política econômica. "Dizem que haverá um tarifaço na energia elétrica. Incorreto. Não é assim que funciona. Outra coisa que dizem, que os preços administrados estão contidos. Outro absurdo. Depende da métrica, depende dos métodos e depende dos interesses."