Deputados federais da Região avaliam possível impeachment de Bolsonaro

Após perfil no Twitter inaugurar "placar do impeachment", Junior Bozella se mostra favorável e Rosana Valle prefere não se manifestar

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19 JAN 2021Por Carlos Ratton07h00
Pedidos contra Bolsonaro crescem nas redes e ruas após caos em ManausFoto: ADRIANO MACHADO/REUTERS

Se um dos 57 pedidos de impeachment (impedimento) do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entrasse em votação na Câmara dos Deputados hoje, o deputado federal Junior Bozella (PSL), com 78.712 votos conquistados nas últimas eleições e de direita, votaria pelo impeachment. Já a deputada Rosana Valle (PSB), que conquistou 106.100 votos e pertencente a um partido de centro-esquerda e de oposição, não quis se manifestar se livraria, ou não, o presidente do afastamento.

A Reportagem resolveu consultar os deputados da Região porque um perfil no Twitter inaugurou o "placar do impeachment" a fim de mostrar para a população como cada deputado votaria em caso de impeachment. No domingo (17), 106 deputados se manifestaram favoráveis ao impedimento e 42 contra. Outros 365 deputados ainda não haviam se posicionado. A conta na rede social intitulada @sos impeachment existe desde 2019, mas o placar só foi inaugurado no dia 15. Para compor o resultado, eles monitoram as redes sociais dos deputados, além de cobrar àqueles que ainda não se manifestaram sobre o tema.

ATO.

Também no último domingo, foi realizado um ato pró-impeachment do presidente e pela vacinação contra Covid-19, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em frente ao Palácio do Planalto. O ato "Impeachment na Rua" foi organizado por um movimento suprapartidário e consistiu numa performance artística em que uma pessoa vestida de "morte", carregando uma foice nas mãos, ia "matando" outros participantes do protesto.

"Pode ter certeza que serei um dos nomes que vão liderar esse processo. O impeachment, além de remédio constitucional, passou a ser a única cura contra o principal vírus da nação: Bolsonaro. Não posso comungar com as ações de um insano e irresponsável. O que está em jogo é vida dos brasileiros e a nossa democracia", dispara Bozella, que após ser incluído inadvertidamente em um grupo de WhatsApp dos parlamentares apoiadores de Arthur Lira (PP-AL) saiu do grupo alegando não autorizar a inclusão de seu nome. Bozella defende a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) na disputa pela presidência da Câmara.

PANELAÇO.

No último final de semana, Bolsonaro também foi alvo de panelaços em Santos, nas demais cidades da Baixada e diversas outras no Brasil, organizado pelas redes sociais. Além do batuque, as pessoas também gritaram "Fora, Bolsonaro" e "Bolsonaro Assassino". Também foi possível ver luzes de casas e apartamentos piscando no momento dos protestos. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), apesar de criticar a postura do Governo Federal frente à pandemia, segue inerte aos pedidos de impeachment.

Partidos de oposição protocolaram um novo pedido. Assinaram Rede, PSB, PT, PCdoB e PDT. Juntos eles reúnem 119 deputados. Conforme dados da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, foram protocolados 61 pedidos desde fevereiro de 2019. Quatro deles foram arquivados e duas novas denúncias foram realizadas neste ano e estão sob análise junto com outras 55.

CONSTITUIÇÃO

De acordo com a Constituição Federal e a legislação que institui o Sistema Único de Saúde (SUS), as responsabilidades se dividem entre Município, estado e União. No entanto, o Ministério da Saúde (Governo Federal) encabeça o SUS, portanto, assume uma responsabilidade específica sobre a pandemia.

A Human Rights Watch, em seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos, lançado na última semana, acusa Bolsonaro de "sabotar" os esforços para controlar a disseminação da covid-19. Bolsonaro sempre negou os riscos e impacto da pandemia e é o único presidente antivacinas no Mundo, neste momento. Dias atrás, a Conectas Direitos Humanos engrossou o coro, cobrando "uma inflexão radical na postura negacionista de Governo Jair Bolsonaro" e a "remoção imediata do general Eduardo Pazuello", ministro da Saúde.

MANAUS

A pressão nas redes sociais para que autoridades tomem providências contra o presidente cresceu depois do colapso ocorrido em Manaus (AM) com o avanço dos casos de Covid-19, com internações, unidades de saúde sem oxigênio, pacientes enviados para outros estados, enterros batendo recordes e cemitérios a instalarem câmaras frigoríficas. Tudo em função da inércia Federal frente à questão.

No dia 7 de janeiro, o Ministério da Saúde foi alertado a respeito da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus. A pasta foi comunicada sobre a situação no mesmo dia das secretarias de Saúde. Uma semana depois e com medidas de pouco alcance acertadas, o oxigênio começou a faltar na cidade.

Até sexta-feira (15), mais de 226 mil pessoas haviam sido infectadas pela Covid em todo o Amazonas. Mais de 1,7 mil estavam hospitalizadas e mais de seis mil morreram. Foram registrados que 320 profissionais de saúde desfalcam a rede municipal devido à infecção pelo coronavírus.