De Rosis quebra o próprio recorde

Marcus De Rosis presidirá a Câmara de Santos pela quarta vez, no biênio 2015-2016. Ele recebeu 18 votos

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16 DEZ 201411h20

O vereador Marcus de Rosis (PMDB), de 53 anos, entrou ontem para a história da Câmara de Santos quebrando um recorde pessoal: será presidente do Legislativo pela quarta vez. Com um discurso pregando a independência da Casa frente ao Executivo e prometendo uma reformulação da TV Câmara, ele foi eleito por 18 votos favoráveis - um voto contra e uma abstenção - para presidir a Casa no biênio 2015-2016, sucedendo a Sadao Nakai (PSDB).

De Rosis já era recordista por ter presidido a Câmara por três vezes, nos biênios 1995-1996, 2007-2008 e 2009-2010. Seu pai, Oswaldo Carvalho de Rosis, presidiu a Casa em dois biênios (1977-1978 e 1981-1982).

O voto contrário a de Rosis partiu de Antônio Carlos Banha Joaquim (PMDB). A abstenção veio de um pré-candidato a presidência, José Lascane (PSDB). Lascane não conseguiu sequer outros quatros apoios para montar a chapa. Jorge Vieira da Silva Filho, o Carabina (PR), só entrou em plenário depois de ter o nome anunciado e acabou não votando. Votaria em Lascane.

A Mesa Diretora também será composta por Hugo Duppre (PSDB), primeiro secretário; Marcelo Del Bosco (PPS), segundo secretário; Kenny Mendes (DEM), primeiro vice-presidente; e Igor Martins de Melo, o Professor Igor (PSB), segundo vice-presidente.

Apresentação do time

Palmeirense, Marcus de Rosis começou a construir seu time para apoiá-lo há 16 meses - sem dar qualquer pista dessa intenção. Quando seu esquadrão contou com 13 assinaturas, de Rosis colocou seu time em campo, chamando a Imprensa para apresentar cada membro da equipe, no mês passado. No campo adversário, Lascane, que já havia anunciado que seria candidato, mantinha a  esperança de reverter o quadro.

“Não se constrói política com rancor. Não se constrói política com ódio no coração”, disse de Rosis, na abertura dos discursos ontem. “Sei da responsabilidade que estou assumindo”.
O peemedebista comentou que o processo de construção de sua candidatura “não foi fácil” e disse ter procurado a todos, com exceção de Lascane, por entender que ele tinha o desejo de presidir a Casa.

Dizendo estar “mais preparado do que nunca” para presidir o Legislativo, afirmou que era hora para “pensar em Santos e no povo de Santos”.

Peemedebista  começou a construir sua candidatura há 16 meses. Quando presidiu a Casa, ergueu a sede própria do Legislativo santista (Foto: Matheus Tagé/DL)

Comissões

Um acordo de lideranças dos partidos decidiu a composição nas 15 comissões permanentes da Casa.

A de Justiça, Redação e Legislação Participativa, considerada a mais importante, será presidida por Douglas Gonçalves (DEM). A de Finanças e Orçamento continuará com José Lascane.

‘O Legislativo não é um departamento da Prefeitura’

O senhor já presidiu a Casa por três vezes. O que motivou o senhor a viabilizar essa sua nova candidatura?

O que motiva todo parlamentar. Você ser um presidente de uma Câmara, em uma cidade como Santos, é sempre motivo de orgulho e, ao mesmo tempo, de muita responsabilidade. Não foi só uma vontade minha. Você não constrói isso sozinho, não constrói esperando que venha sentado no seu colo. Isso se constrói com as pessoas que acreditam em você. Você precisa ter credibilidade. É uma eleição diferente de uma eleição da rua, que elege vereador. É uma eleição de confiabilidade, feita com muita conversação. Nesse aspecto eu sou incansável, determinado. Não me canso de dialogar. Daqui pra frente, a responsabilidade de dar continuidade na evolução da Casa, principalmente em algo que se chama ‘informação’. Uma cidade como Santos, com povo politizado, precisa ter uma informação privilegiada, saber o que esse poder produz para a Cidade. Muitas vezes, por falta de informação, a população não sabe que todo o orçamento é votado nessa Casa, os projetos de lei mais importantes passam por essa Casa.

Como será essa construção da nova forma de informação que a Casa vai oferecer?

Não é fácil construir isso. Será tão difícil, como foi difícil construir essa sede. Precisamos ter um veículo de informação moderno. E nós vamos entrar de cabeça nesse sentido. Vamos reformular totalmente a TV Legislativa, vamos fazer a TV aberta e uma produção, com convênio da TV Câmara ou TV Senado, vamos reproduzir um programa. As sessões serão transmitidas pela TV aberta, vamos modernizar com a TV digital e equipamentos modernos. A Casa não tem condições, nesse momento, fazer produção interna. Os funcionários são bons, mas a maioria está em desvio de função. Precisamos contratar gente do ramo.

Muitos dos discursos hoje, ao parabenizarem o senhor, falaram da necessidade de independência do Poder Legislativo frente ao Executivo. Como será relação do presidente Marcus de Rosis com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa?

Fui presidente da Câmara, na gestão do prefeito João Paulo Tavares Papa, depois fui líder dele e homem de confiança do Governo, mas nunca deixei o Legislativo ser um departamento da Prefeitura. Isso eu nunca permiti. Daqui pra frente, não vou transgredir em momento algum a independência do Poder Legislativo. O vereador tem de ser respeitado. A Casa tem de ser respeitada. Acho que é a condução que qualquer prefeito de bem deseja: um relacionamento republicano. Ele tem sua base do governo, da qual o PMDB fez parte por dois anos, aliás, diga-se de passagem, foi o PMDB que garantiu as votações mais difíceis nesta Casa. Eu mantenho relacionamento ótimo com o prefeito. Fui amigo do pai do prefeito. Não vamos ter qualquer problema, basta que respeite a independência do poder. E a oposição é oposição, e isso é salutar em qualquer governo. E vai ter de ser respeitada.