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Polícia

Roubos de celular seguidos de extorsão crescem 8 vezes em SP

Meses de agosto e setembro deste ano já somam mais ocorrências do que todo o ano de 2020

Pesquisa aponta que este tipo de crime totalizou oito vezes mais registros em relação ao mesmo período em 2020 / Agência Brasil

O Pix, serviço digital de pagamentos tem ganhado cada vez mais novidades, mas, ao mesmo tempo em que se populariza, o serviço dá fôlego a golpes que envolvem transações financeiras. No estado de São Paulo, o número de roubos de celular seguidos de extorsão teve aumento nos meses de agosto e setembro. Segundo levantamento do Departamento de Pesquisas em Economia do Crime, da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), o roubo desses aparelhos seguido de ameaças, sequestros e violência equivale a 54% de todos os registros do ano.

A pesquisa aponta que este tipo de crime totalizou oito vezes mais registros em relação ao mesmo período em 2020. “Os dados demonstram uma mudança no comportamento criminal e sugerem uma relação entre os dois tipos de crime com uma tendência de aumento”, esclarece Erivaldo Vieira, professor de economia da Fecap. As informações são do R7.

Somente nos meses de agosto e setembro deste ano foram 45 casos registrados. No ano passado, nestes dois meses, somente 5 ocorrências foram apontadas na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Em 2020, ano em que o isolamento social foi mais expressivo, os roubos de celular seguidos de extorsão somaram 38 casos. Em 2021 já existem 83 registros deste tipo de crime. 

“Trata-se de um efeito dessa possibilidade de fazer operações instantaneamente. A criminalidade acaba inovando na forma de agir”, diz o coordenador do Departamento de Pesquisas em Economia do Crime da Fecap. Segundo ele, o aumento destes casos estaria relacionado à retomada das atividades e à popularização do Pix como meio facilitado de realizar transações financeiras.

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Guaracy Mingardi, analista criminal e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que os criminosos se adaptam às novas tecnologias, tirando proveito delas. “No começo do século, explodiu o número de sequestros, a polícia começou a se especializar para coibir [esses crimes]. Depois vieram os roubos a banco, que também se transformaram nos megarrobous”, explica. “Essas modalidades agravadas pelo Pix devem evoluir até que os benefícios sejam inferiores aos custos ou até a polícia chegar aos grandes grupos.”

Com relação aos crimes de extorsão, que ocorrem não somente nos casos de roubos de celular como em outros crimes patrimoniais, o professor de economia explica que há um elevado índice de subnotificação. “A cada dez ocorrências desse tipo de crime, somente duas são registradas em boletim de ocorrência”, esclarece Vieira. O motivo principal é que as pessoas têm medo de sofrer ameaças. “Elas não têm esperança de recuperar o dinheiro, tampouco o aparelho, então não fazem o registro. Daí a subnotificação.”

Além dos motivos específicos relacionados ao aumento de cada uma das modalidades criminais, há ainda, segundo o professor, o fator relacionado ao isolamento decorrente da pandemia. “O crescimento no número de roubos de celular [é maior] à medida que a economia volta à normalidade. Os índices vão retornando ao que eram”, afirma. “Os casos de extorsão, porém, tiveram um aumento superior ao dos demais tipos de crime.”

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o aumento do número de ocorrências de crimes patrimoniais ao longo do mês de setembro foi estimulado principalmente por casos que envolvem equipamentos eletrônicos e veículos. De acordo com o órgão, a atipicidade de 2020 em decorrência das medidas sanitárias e restritivas adotadas em razão da pandemia deve ser levada em consideração. A pasta informou ainda que, na comparação entre o período de janeiro e setembro de 2021 com 2019, houve uma redução de 15% nos casos de roubo de celular na cidade de São Paulo.

Investigações insuficientes 

Para evitar esta modalidade criminal, o analista Guaracy Mingardi afirma que é necessário melhorar as estratégias de policiamento e investigação. “É preciso ir atrás de grupos mais organizados e trabalhar com a investigação sobre a receptação de roubos de celular”, afirma. “A polícia precisa investigar com profundidade, levantar antecedentes criminais dos receptadores antes que sejam levados à Justiça.” Mingardi ressalta, contudo, que nos últimos anos a Polícia Civil vem visto obstáculos cada vez maiores às investigações. “É uma questão nacional porque a maior parte dos governos está preocupada em investir nas polícias militares como uma forma de manter a ordem. As equipes da Civil têm diminuído e se burocratizado cada vez mais."

No caso dos crimes que envolvem Pix, Mingardi afirma que as investigações devem ocorrer com a ajuda da Justiça para que se obtenha a quebra de sigilo das contas bancárias e assim se chegue aos autores dos delitos. Uma investigação mais eficiente sobre crimes patrimoniais, de acordo com o analista, passa pela existência de um banco de dados completo e de fácil acesso. “Outro caminho são os informantes. Mas, para que os investigadores tenham informantes, é preciso estar nas ruas percorrendo as fronteiras entre legalidades e ilegalidades”, explica. 

Uma pesquisa realizada pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo mostra que existiam até outubro deste ano 15 mil cargos vagos na corporação. Apenas para as funções de delegado e investigador são 924 e 3,6 mil vagas sem profissionais, respectivamente. “A falta de estrutura do Estado não permite que a gente trabalhe com a nossa potencialidade. A polícia tenta antecipar os passos da criminalidade, mas com esse déficit há uma limitação”, afirma a delegada Raquel Kobashi, presidente do sindicato. Segundo ela, os investigadores trabalham com carga excessiva de trabalho e, muitas vezes, deixam a instituição em decorrência de problemas psicológicos.

Cidades com mais roubos e furtos de celular

O levantamento da Fecap revelou ainda as dez cidades com maior número de roubos e furtos de celular do estado. Em primeiro lugar, a capital paulista registrou 7,8 mil roubos e 6 mil furtos em setembro. Também em setembro de 2021, foram registradas 23.706 ocorrências envolvendo os aparelhos celulares, das quais 13.097 de roubos e 10.609 de furtos, em todo o estado. Em comparação a agosto, houve uma queda de 3,8% nos roubos e um aumento de 13,62% nos furtos.

Contudo, houve aumento de 5,51% em casos de roubo na comparação dos dados de setembro com o mesmo período de 2020 e 52,08% mais ocorrências no que se refere aos furtos. O resultado, de acordo com Erivaldo Vieira, indica os efeitos do aumento da circulação de pessoas com a redução de restrições sanitárias no estado de São Paulo.

Na capital paulista, os dez bairros com maior número de roubos somam juntos 2.050 ocorrências em setembro, o que representa 26,1% dos casos registrados no município. Entre eles estão a região do centro, Capão Redondo, República, Campo Limpo, Grajaú, Jardim Ângela, Cidade Ademar, São Mateus, Cidade Tiradentes e Sapopemba. “O centro se destaca por ter uma significativa população flutuante em relação aos demais bairros”, explica o professor Vieira. Nos demais bairros periféricos, ele destaca que existem áreas e terrenos abandonados, sem câmeras e policiamento, em que pessoas circulam e ficam mais expostas aos roubos e furtos.

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