SEDUC

Presidente do Sindpesp diz que reforma do Palácio da Polícia é ‘obrigação’ do Estado

Raquel Kobashi Gallinati se reuniu com delegados no Deinter-6, nesta segunda-feira (24), e frisou que a reforma 'não é uma escolha política'

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24 JUN 2019Por Gilmar Alves Jr.20h00
Raquel Gallinati, o deputado Kenny Mendes (Progressistas), o diretor do Deinter-6, Manoel Gatto Neto, e outros delegados da Baixada Santista e Vale do Ribeira durante a reuniãoFoto: Nair Bueno/DL

Diante da indefinição sobre o futuro do Palácio da Polícia de Santos, que tem projeto básico de reforma pronto, mas inexiste previsão de recursos para execução da obra, a delegada Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), afirmou nesta segunda-feira (24) que a obra não é uma "escolha política", mas sim uma "obrigação" do governo João Doria (PSDB). 

"Aquele gestor que foi eleito pelo povo deve cumprir com suas obrigações. Existe uma necessidade urgente para que o Palácio da Polícia Civil de Santos tenha a estrutura adequada para continuar mantendo o seu trabalho e as suas funções", declarou Gallinati aos jornalistas, após se reunir com o diretor regional da Polícia Civil, Manoel Gatto Neto, outros delegados da Baixada e Vale e o deputado estadual Kenny Mendes (Progressistas) na sede do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6). 

Além da reforma, outros temas foram tratados na reunião, como valorização das carreiras na Polícia Civil e déficit de policiais.

"Reiteraremos os ofícios e as cobranças para que o governo cumpra com as suas obrigações", disse Gallinati.

No último dia 17, em visita a Santos, o secretário de Estado da Segurança Pública, João Camilo Pires de Campos, disse, na Câmara de Vereadores, que será analisado se há necessidade de retificação do projeto básico de reforma do Palácio da Polícia e "torná-lo um pouco mais simples". 

Pelo projeto atual, a obra custará ao menos R$ 28 milhões.

Ao ser questionada na entrevista sobre a possibilidade da reforma ser mais simples, Gallinati afirmou que a obra tem que ser feita de forma responsável. 

"Se essa reforma simples der estrutura e der condições para que a polícia possa trabalhar e a população possa vir até esse prédio, obviamente será muito bem-vinda. O que não queremos mais é que se mascare problemas. Simplesmente pinturas de paredes, pois isso não reforma a estrutura de um prédio. Então não queremos que se mascare o real problema. Queremos realmente que o problema seja encarado de frente, com seriedade e competência", declarou. 

O diretor do Deinter-6 disse aos jornalistas que são várias possibilidades para a reforma. "Nós estamos estudando de diminuir o tamanho da reforma para, talvez, baratear o custo da obra. Discutimos também sair desse prédio e locar um outro imóvel. Mas a locação nunca é um bom negócio para o Estado."

O deputado Kenny Mendes declarou que avalia ser viável a hipótese de uma reforma diferente da que consta no projeto básico. 

"De repente, primeiramente, a parte externa, estrutural, para que não haja risco de desabamento. E, de repente, adequar alguns setores. Não é preciso utilizar esse edifício inteiro", declarou. 

Ele também citou a possibilidade de repasse do prédio para a iniciativa privada e novos imóveis para abrigar as estruturas que hoje funcionam no Palácio. 

"A decisão está nas mãos do governador", disse o deputado. 

SSP

Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que está sob estudo o que será feito no Palácio da Polícia. 

“A Polícia Civil iniciou um programa para reformas e modernização das delegacias paulistas. As reformas atenderão 120 delegacias. Todas foram selecionadas com base em critérios técnicos e operacionais. A previsão é que a partir do primeiro semestre do ano que vem outras unidades de polícia judiciária do Estado sejam reformadas”, disse a pasta. 

A SSP também frisou que a atual gestão investe na valorização e ampliação do efetivo policial em todo o Estado. 

“Estão em andamento concursos para a contratação de mais de 2.750 policiais civis. Também foi autorizado, no início desse mês, abertura de concursos para a contratação de 2.750 policiais civis, a partir do próximo ano. Em relação ao déficit, o dado apontado pelo sindicato (superior a 14 mil) leva em consideração postos de trabalho já extintos e não contabiliza a requalificação de mais de 2 mil carcereiros que passaram a ser agentes policiais, em razão da lei sancionada pelo governador em março”, diz a pasta. 

A secretaria destaca ainda investimentos em armamentos em viaturas. 

“Na região da Baixada Santista, foram adquiridas 174 viaturas, no valor de R$ 11,6 milhões, de 2011 até aqui. Não há falta de coletes ou equipamentos para o trabalho policial. Estão em andamento licitações para a substituição de 8.239 coletes balísticos e a compra de 3.740 pistolas semiautomáticas e 580 carabinas. Mil coletes balísticos, fruto de uma parceria com o Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), serão distribuídos aos policiais civis”, afirma.