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Polícia

Pai de trabalhador baleado em São Vicente apresenta versão em entrevista

Abordagem correu as redes sociais e teve como vítima Ruan Ribeiro de Araújo, funcionário de serviços gerais no Bitarú

Carlos Ratton

Publicado em 23/02/2024 às 07:00

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Ricardo Antônio Gonçalves de Araújo, pai do Ruan Ribeiro de Araújo, se emocionou ao relembrar ocorrido com o filho / Nair Bueno/DL

Em depoimento emocionado e exclusivo concedido ao Diário do Litoral, Ricardo Antônio Gonçalves de Araújo, pai do Ruan Ribeiro de Araújo, funcionário de São Vicente que levou um tiro à queima-roupa de um policial militar enquanto trabalhava na preservação do bairro, no Parque Bitarú, revelou o drama da família.

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Ele agora só pensa na recuperação do filho, que se encontra internado no hospital em estado clínico estável, porém, com o projétil (bala) ainda em seu corpo, aguardando o momento adequado para retirá-la por conta do risco. "Tudo poderia ser diferente se os policiais tivessem me ouvido", disse, acompanhado do advogado Rui Elizeu de Matos Pereira.

Diário do Litoral - O vídeo nas redes mostra parcialmente o que ocorreu. O que houve de fato?

Ricardo Antônio Gonçalves de Araújo - Eu coordeno uma das equipes que faz a zeladoria da cidade no bairro e meu filho faz parte dela. Foi quando, trabalhando, fomos surpreendidos não por uma abordagem, em que o policial pede documentos e explicações, mas com agentes com arma em punho e exigindo que meu filho colocasse a mão na cabeça.

DL - Mas o senhor chegou a interceder?

R.A. - Meu filho já havia explicado que estava trabalhando e depois eu me identifiquei como líder da equipe e pai do Ruan, mas percebi que ele (policial) não levou nada em consideração: o fato de eu ser um senhor (idoso), ter minha limitação (física), ser pai e líder da equipe, que poderia ter o controle da situação. Ele desceu (da viatura) obcecado para fazer o que fez.

DL - Rui Pereira, como você analisa esse tipo de abordagem?

Rui Pereira - Fora do padrão policial, dos protocolos, mas uma constante dentro da verdadeira guerra urbana que estamos vivendo atualmente. Como essas operações que são opressões, na verdade, atuam nas quebradas, diques, favelas, comunidades e se alastram por todo litoral, na região, já com 21 mortes registradas (hoje já passam de 30). Lamentamos a morte de policiais, mas também lamentamos a situação de famílias que estão perdendo entes queridos, que nada têm a ver com o crime. Não está havendo diferenciação (do bandido e do trabalhador)

DL - Tudo poderia ser diferente?

Ricardo Araújo - Sim, eu cheguei a implorar para que não fizesse, mas não houve jeito. Estávamos uniformizados. Ele queria agredir meu filho. Depois que meu filho levou o tiro na perna, ele (policial) fez questão de tentar agredi-lo. Um companheiro dele (outro policial) disse que ele não estava em dia bom. Eu entendo que vivemos uma situação delicada em relação à segurança pública, mas temos que diferenciar o mal do bem. E a abordagem tem que ser feita de forma correta. Ele deu um tiro para matar meu filho. Ele já estava imobilizado após o tiro na perna e levou um tiro no peito. Entendo que é um profissional mal intencionado e desqualificado. Ele poderia ter conduzido tudo com sabedoria e cuidado. Recebi orientação para trabalhar em outro local, apesar de morar a 200 metros de onde tudo aconteceu, onde nasci e fui criado.

DL - Mas qual foi o motivo da abordagem?

Ricardo Araújo - Uma pochete (pequena bolsa) que ele avaliou como um equipamento suspeito. Ora, um cidadão de terno e gravata no centro com uma pochete é de bem e outro na comunidade é bandido?

Rui Pereira - Na versão dos policiais parecia atitude suspeita.

Ricardo Araújo - Depois cataram os cartuchos do chão e mandaram o policial se evadir.

Rui Pereira - E ainda na UTI do Hospital Vicentino, segundo informações, policiais adentraram ao leito do Ruan, fizeram fotos dele e colocaram nas redes sociais. E isso tem sido uma constante, celebrar a situação.

DL - Polícia não pode entrar em hospital e nem em qualquer lugar sem um mandado, certo?

Rui Pereira - Pois é, mas isso está acontecendo. As operações trouxeram para as áreas vulneráveis da Baixada a opressão e intimidação. No Estado Democrático de Direito, a Polícia é fundamental, é republicana, democrática e constitucional. Ao contrário, é uma corporação marginal fardada. Essa política de Estado fascista está levando cidadãos e policiais à morte.

DL - Os policiais deveriam estar com câmeras na farda?

Rui Pereira - Sim. O Governo ainda quer tirar as câmeras. Com a câmera na farda, a abordagem seria diferente.

Ricardo Araújo - Meu filho não tem passagem. Ele é uma trabalhador assim como eu.

DL - Qual será o próximo passo?

Rui Pereira - Vamos buscar a responsabilização criminal de todos. Vamos tentar responsabilizar quem deu a ordem.

Ricardo Araújo - Eu só peço que isso não ocorra mais com família nenhuma.

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