Bandidos atacam militares em cinco pontos do Complexo da Maré

Os militares do Exército e da Marinha patrulham 15 favelas da região desde sábado, quando substituíram a Polícia Militar

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08 ABR 201419h50

Tropas das Forças Armadas foram atacadas por criminosos em pelo menos cinco pontos no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, entre a noite de segunda-feira, 7, e a madrugada de terça-feira, 8. Os militares do Exército e da Marinha patrulham 15 favelas da região desde sábado, quando substituíram a Polícia Militar.

Em três locais, os tiros foram disparados por ocupantes de um Corolla preto em direção a pontos de mototaxistas nas imediações das favelas Vila dos Pinheiros, Conjunto Esperança e Vila do João. As três comunidades são dominadas por traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP). A poucos metros dos pontos dos mototáxis atacados, havia barreiras montadas pelos militares, que não revidaram os tiros.

Também houve diversos disparos contra os militares nas favelas Baixa do Sapateiro e Morro do Timbau, que também ficam na área de atuação do TCP. Nestes casos, contudo, os tiros vieram das favelas Nova Holanda e Parque Maré (controladas pelo Comando Vermelho), provavelmente disparados por traficantes.

No ataque ao ponto localizado no acesso ao Conjunto Esperança, foram disparados quatro tiros. Fabio da Silva Barros, de 28 anos, foi baleado no braço direito. Os militares que estavam no ponto de bloqueio próximo acionaram uma ambulância do Samu para levá-lo ao hospital. O caso foi registrado na 21ª DP (Bonsucesso) como tentativa de homicídio. A vítima já havia sido presa por estelionato pela Polícia Federal.

"Os eventos contra os pontos de mototáxi têm ligação entre si, que já estão sendo investigados. Nos outros dois casos, foram tiros isolados, que foram destinados à nossa tropa. O objetivo é causar inquietação. Mas temos muitos militares experientes, com passagens pelo Haiti e pela Força de Pacificação do Alemão", explicou o major Alberto Horita, da Força de Pacificação da Maré

Ontem de manhã, mototaxistas que trabalham no local disseram que os atiradores seriam do vizinho Complexo do Caju, ligados à facção Amigos dos Amigos (ADA). As favelas do Caju possuem uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) desde abril de 2013. "Como pode sair um carro cheio de homens armados de dentro de uma favela pacificada para atacar a gente? Somos trabalhadores, não temos nada a ver com essa guerra de facções rivais", disse um mototaxista ao Estado.

Tropas das Forças Armadas foram atacadas por criminosos no Complexo da Maré (Foto: Agência Brasil)

A hipótese, no entanto, é vista com desconfiança pelas agências de inteligência. Isso porque durante as investigações da Polícia Federal que levaram à prisão do traficante Marcelo Santos das Dores, o Menor P, chefe do TCP, descobriu-se que ele estava tentando se unir à ADA para resistir à política de pacificação de favelas. "Além disso, temos informações de que Menor P deu ordens a seus subordinados para não atacarem a Brigada Paraquedista do Exército", disse um militar. Coincidência ou não, antes de entrar para o tráfico, Menor P foi paraquedista do Exército.

Em nota, a Força de Pacificação informou que "embora tenha ocorrido a pronta resposta pela tropa em todos os eventos citados, não foi possível realizar a detenção de nenhum integrante das organizações criminosas, tendo em vista que os mesmos realizavam os disparos e imediatamente se evadiram do local".

Presos

A Polícia Civil do Rio prendeu ontem dois homens acusados de serem grandes fornecedores de armas e drogas para o Comando Vermelho. Ricardo dos Santos Silva, de 38 anos, conhecido como Tubarão, foi detido num condomínio de luxo na zona oeste da cidade. Já havia sido preso em 2009, no Paraguai. Já Sidnei da Silva Araújo, de 42 anos, conhecido como Mangustão, foi preso na Favela do Jacarezinho. Ele transportava drogas do Paraguai para as favelas da Maré controladas pelo CV.

Reconstituição

Também nesta terça-feira, a Polícia Civil iniciou a reconstituição da operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM que resultou na morte de um sargento e outras nove pessoas na Maré. As mortes ocorreram em junho do ano passado. Trata-se da reconstituição com maior número de vítimas já realizada pela Polícia Civil.

O delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios da Capital (DH), disse que os trabalhos deveriam ser concluídos apenas na manhã desta quarta-feira. Se confirmada a previsão, esta será a reconstituição com maior duração já realizada, superando a do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, que demorou cerca de 18 horas.