Cubatão recorre ao Estado para manter hospital aberto

Prefeita Marcia Rosa reivindicou os recursos ao secretário estadual de Saúde, David Uip, ontem, na capital

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21 JUN 2016Por Da Reportagem11h00
Segundo o secretário municipal de Saúde, Benjamin Lopez, 75% da população  de Cubatão não têm convênio e dependem exclusivamente do sistema públicoSegundo o secretário municipal de Saúde, Benjamin Lopez, 75% da população de Cubatão não têm convênio e dependem exclusivamente do sistema públicoFoto: Matheus Tagé/DL

A Prefeitura de Cubatão solicitou ao Governo do Estado o repasse de até R$ 40 milhões para aplacar a crise econômica e manter em funcionamento o Hospital Municipal Dr. Luiz Camargo da Fonseca até o final deste ano. A reivindicação foi apresentada pela prefeita Marcia Rosa e pelo secretário municipal de Saúde, Benjamin Rodriguez Lopez, em reunião, na Capital, na manhã de ontem. O secretário estadual de Saúde, David Uip, disse que encaminharia o pedido ao governador Geraldo Alckmin ontem.

“Confiamos que antes de 48 horas teremos um retorno”, afirmou Lopez, informando que essa ajuda emergencial é essencial para manter o atendimento. “O secretário estadual garantiu apoio do Governo do Estado para, caso haja necessidade, realizar a transferência de pacientes para hospitais da região. Mas até o momento isso não foi preciso”.

Também participaram do encontro, na Secretaria Estadual de Saúde, a quarta promotora de Justiça, Larissa Motta Nunes Liger; representantes do Conselho Municipal de Saúde e da Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB), que gerencia o hospital municipal; e secretários municipais.

Crise

A Prefeitura de Cubatão é responsável por 83,4% do custeio do sistema hospitalar, que consome mensalmente R$ 4,4 milhões. A União apóia com 16,48% e praticamente não há participação do Governo do Estado, que comparece com apenas 0,13%. Com a crise na arrecadação, o município não mais consegue ser o principal provedor de recursos.

Segundo Lopez, com exceção de Cubatão, os demais municípios da região contam com equipamentos construídos e mantidos pelo Governo do Estado. Ele ressaltou que a Baixada dispõe de três Ambulatórios Médicos de Especialidades (AME) em Santos, Guarujá e Praia Grande. Um quarto ambulatório será inaugurado em São Vicente pelo Estado. Enquanto isso, Cubatão tem de manter com recursos próprios o atendimento especializado em uma unidade municipal.

“Em Cubatão, 75% dos moradores não dispõem de qualquer convênio, dependendo exclusivamente do sistema público. A cidade sofreu brutal queda de arrecadação. O hospital corre um risco enorme de não conseguir sobreviver”, disse Lopez.

“O Estado deveria assumir o hospital ou pelo menos 50% dos custos. O hospital teria de atender apenas clínica médica, ginecologia, pediatria e pequenas cirurgias de baixa complexidade. Mas, para garantir um atendimento satisfatório e de qualidade, realizamos procedimentos que vão além de nossa estrutura”, comentou o secretário municipal Benjamin Lopez.

De acordo com a prefeita Marcia Rosa, o Governo do Estado repassa ao município o equivalente a R$ 9,14 por mês por habitante. Enquanto isso, Praia Grande recebe R$ 146; Santos, R$ 109; Bertioga, R$ 68,85; Guarujá, R$ 38; e São Vicente, R$ 22,84.