População relata medo e preocupação na Alemoa

O Diário do Litoral conversou com moradores e funcionários de empresas da Alemoa; relatos são de confusão, medo e insegurança

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03 ABR 201505h03

“Estava na balança quando vi a fumaça e avisei o funcionário. Ele apertou o alarme e logo depois pediram para a gente sair e evacuar a área”. O caminhoneiro Paulo Motta aguardava para carregar em um terminal o lado da Ultracargo e presenciou o início do incêndio. O Diário do Litoral conversou com moradores e funcionários de empresas que ficam próximas da área atingida pelo fogo. A palavra comum entre todos era: preocupação.

“Foi uma correria muito grande. Os bombeiros não conseguiam chegar por conta do trânsito, que estava todo parado. A gente também demorou para sair. Foi uma confusão enorme. Um desespero com as explosões. As ruas que dão acesso a saída são estreitas e ficaram congestionadas”, afirmou Paulo, que ficou preso no trânsito por 40 minutos até conseguir sair do trecho próximo ao incêndio. A Reportagem flagrou veículos retornando na contramão pela marginal da rodovia para fugir do congestionamento.

Com mais de 20 anos de estrada e boa parte deles dedicados ao transporte de produtos inflamáveis e explosivos, o caminhoneiro disse que é a primeira vez que vê um incêndio dessas proporções em um terminal. “Santos não está preparada para uma esse tipo de ocorrência. A CET não estava lá e não havia agentes de trânsito para organizar. Chegaram por volta das 11 horas e já multando todo mundo. Não tem equipe de bombeiros suficiente na Região. Foi um caos. A situação é muito feia. Ninguém se entedia”, destacou. A Reportagem flagrou veículos retornando na contramão, pela marginal da rodovia, fugir do congestionamento e viaturas do Corpo de Bombeiros tentando acessar a área em meio ao trânsito. 

Três caminhoneiros que prestam serviços para a empresa Santos Brasil, que fica próxima ao terminal atingido pelo fogo, também presenciaram o início do incêndio. Sem entender o que tinha contecido, eles retornavam para casa. “Deixamos os caminhões lá e saímos. Foi um desespero. As mulheres estavam mais nervosas. Deu para perceber que não havia muitas informações e houve um pouco de confusão para sair”, disse um deles.

O Diário do Litoral conversou com moradores e funcionários de empresas que ficam próximas da área atingida pelo fogo (Foto: Matheus Tagé/DL)

De acordo com Marcely Andrade, que também trabalha na Santos Brasil, um estrondo pode ser ouvido e as janelas do escritório tremeram. “Havia muita labareda e muita fumaça”. A Reportagem conversou ainda com pessoas que trabalham na Ultracargo. Uma funcionária, que não quis se identificar foi para a casa em estado de choque com o que presenciou. “Precisei tomar calmante para relaxar”.

A dona de casa Cleusa Figueiredo Santos, moradora do conjunto habitacional Athiê Jorge Cury, no Saboó, conta que estava na cozinha quando ouviu a primeira explosão. “Foi um estouro muito forte. Parecia um trovão. Fui para a janela ver o que havia acontecido e em seguida houve a segunda explosão. Apesar de ver que o fogo se concentra em alguns tanques, ficamos inseguros, pois não sabemos o que pode acontecer. É muito produto inflamável nesta área”, destacou.

Comunidade

Em frente ao local do incêndio está localizada a favela da Alemoa. A comunidade conta com aproximadamente cinco mil moradores e muitas barracos de madeira. O calor do incêndio atingiu as paredes dos imóveis e o calor era muito forte no local. “Moro há 40 anos na Alemoa e nunca presenciei algo do tipo. A explosão foi muito forte. As paredes da minha casa estão quentes. A gente sempre teve a preocupação disso um dia acontecer”, disse Antonio Silva.

Os moradores acompanhavam a movimentação do lado de fora das casas. A população não foi evacuada, mas a tensão era grande entre as pessoas. “A nossa preocupação é com a fumaça. O maior problema vai estar no ar. O vento está ajudando, mas não tem ninguém aqui para orientar a população dos riscos. O pior é que se tiver que evacuar será às pressas. E se vento mudar? E se precisar evacuar às pressas?”, questionou Ronaldo Pereira, morador da comunidade.

A família de Ronaldo deixou a casa onde mora. “Não tem como dormir com esse fogo do lado. A gente não sabe o que pode acontecer. Moramos em uma área muito insalubre”, destacou o morador.