Prédio que desabou no Jardim Casqueiro será demolido hoje

Dos três feridos no incidente, dois ainda estão internados, um em estado grave. Projeto foi protocolado na Prefeitura no fim de fevereiro, mas obras começaram há, pelo menos, 20 dias

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02 ABR 201512h43

Victória Simonato

Após constatar risco iminente aos imóveis do entorno, a Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec) de Cubatão definiu pela demolição do restante do edifício cujo pavimento superior desabou na manhã de ontem, no Jardim Casqueiro, em Cubatão. O procedimento acontecerá hoje, a partir das 8 horas.

Ainda segundo a Prefeitura, a obra no prédio não tinha autorização para ser executada. O projeto para a reforma foi protocolado no dia 24 de fevereiro. “No dia 6 de março, o imóvel foi vistoriado por um fiscal da Secretaria de Obras, que não constatou, naquele momento, nenhuma movimentação no local. O projeto encontra-se em análise por técnicos da Prefeitura, dentro do prazo de 60 dias para a autorização ou não dos serviços”, explica a Administração Municipal.

Na manhã do dia 1º de abril, o que parecia uma piada de mau gosto pelo “Dia da Mentira” lotou a Avenida Brasil, em uma das partes mais movimentadas do bairro: um prédio — de, no mínimo, 60 anos de existência — desabou às 8h50. Três pessoas que trabalhavam na obra ficaram feridas. Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Antônio Marcos da Conceição, que comandou a operação, os três trabalhadores sofreram escoriações generalizadas e foram socorridos conscientes e com vida. Outros três funcionários conseguiram escapar no momento do desabamento.

No prédio, há menos de dois meses, funcionava uma autoescola, um armarinho e uma lanchonete no pavimento térreo, e moradias no primeiro andar. “Estávamos trabalhando há uns 20 dias neste prédio. O prédio é da Rede Krill, mas não sei o que seria feito nele. Eu vim para o lado de fora para buscar mais areia quando um bloco caiu em mim. Só foi o tempo de gritar para os colegas que estavam embaixo e correr”, explica um funcionário da obra que preferiu não se identificar. Contatada pela Reportagem, a Rede Krill afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que não possui prédios na Avenida Brasil e que não é responsável pelo local citado.

Segundo a Prefeitura, obra não tinha autorização para ser executada (Foto: Matheus Tagé/DL)

O acidente reuniu muitos curiosos e comerciantes da redondeza, que se assustaram com a proporção do acidente. “Subiu muita fumaça, tremeu todos os prédios ao lado. Assim que aconteceu o acidente, podíamos ouvir os gemidos de quem tinha ficado lá dentro”, conta o comerciante Luiz Gustavo Menezes, proprietário de uma serralheria situada ao lado do local do acidente.

Durante o atendimento, a polícia cercou a área. Três viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e cinco viaturas do Corpo de Bombeiros trabalharam para socorrer as vítimas. O prédio, que fica perto de uma escola de Ensino Fundamental, foi vendido há três meses.

Estado de saúde

No final da tarde de ontem, uma das vítimas no desabamento, Merquides Custódio Santos Júnior, de 28 anos, estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com ventilação mecânica, em estado considerado grave; outra vítima, José Carlos Gomes da Silva, de 53 anos, estava passando por cirurgia. A terceira vítima, Cosme Andrade da Silva, de 22 anos, teve escoriações leves, foi atendido no Pronto-socorro Municipal, sendo liberado. Outros dois trabalhadores foram liberados no próprio local, pois não sofreram lesões em decorrência do acidente.

Relatório

Segundo a Prefeitura de Cubatão, foi constatado “tratar-se de desabamento e/ou colapso estrutural de todo o pavimento superior de uma edificação. Conforme informações colhidas no local, a edificação encontrava-se em obras de reforma geral no pavimento térreo e superior para uso comercial. Não temos como afiançar qual foi a causa do acidente; entretanto, não há como negar que a intervenção efetuada (seja ela qual for) foi preponderante para que ocorresse o colapso estrutural de todo o pavimento”, explica relatório da Defesa Civil da Cidade.

Parte do material proveniente do colapso estrutural atingiu e danificou três veículos que estavam estacionados na lateral da edificação, na Rua Maria do Carmo (um Gol com placa de Cubatão, um Chevrolet Montana emplacado em Praia Grande e um Chevrolet Onix com placa de Santos). Outros veículos estacionados, próximo à calçada oposta, ficaram cobertos com poeira, mas aparentemente não sofreram danos.

Devido ao acidente, a rede de telefonia foi atingida e os telefones naquela região não estão funcionando. Quem precisar entrar em contato com o Samu, que fica próximo ao local do acidente, deve ligar para o 193 (Corpo de Bombeiros).