Oito toneladas de peixes mortos são retiradas do Estuário

Prefeitura de Cubatão e Ibama estão preocupados com a possível comercialização e consumo deste pescado contaminado na Região Metropolitana da Baixada Santista

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08 ABR 201511h48

48 horas passadas e oito toneladas de peixes mortos foram recolhidas, em cerca de 20 km de extensão. Este é o saldo — calculado na manhã de ontem — do possível dano ambiental causado pelo incêndio na Alemoa no estuário santista e nos rios que margeiam a Região. O cálculo foi feito por técnicos ambientais da Alpina Briggs, empresa especializada em serviços de combate a derramamentos de petróleo e produtos perigosos.

A companhia atua desde o último domingo, dia 5, na limpeza dos estuários e manguezais que ficam no entorno do Polo Industrial da Alemoa. Dez embarcações da empresa fazem o monitoramento das águas, do trecho que vai do início do Canal do Estuário, na altura das balsas, até a Ponte dos Barreiros, no Mar Pequeno.

Em Cubatão, o mesmo trabalho está sendo feito a pedido da prefeita Marcia Rosa. Equipes da Terracom também fazem um mutirão de limpeza, por todo manguezal que ladeia a Avenida Beira Mar. Até o momento, mais de três toneladas de peixes mortos foram recolhidas dos rios que margeiam a Cidade.

“Os pescadores chegaram a assar um destes peixes contaminados e ele se desmanchou como manteiga. Eles não podem ser comercializados e consumidos. Estamos trabalhando para evitar que isto aconteça”, alerta a chefe do Executivo cubatense.

Ainda segundo a prefeita, a maior preocupação é com o meio ambiente e com o sustento destas comunidades pesqueiras. “Não há planejamento para uma tragédia como esta. Sim, é uma tragédia. Espécies inteiras podem ser extintas, como já ocorreu em outras épocas em Cubatão. A gente não sabe o que há na espuma usada no combate ao incêndio, por exemplo, e que os componentes químicos dela podem causar ao estuário” argumenta.

Além dos peixes mortos, foram encontrados caranguejos, siris e outras espécies. Segundo os próprios pescadores, para algumas espécies os danos só poderão ser contabilizados dentro de dez dias, devido às suas características reprodutivas.

As equipes da Prefeitura de Cubatão também encontraram equipes da ONG Instituto Ecofaxina, que relataram ter recolhido grande quantidade de peixes mortos nos cursos d’água cubatenses e de cidades vizinhas, mas não detalharam quantidades e tipos.

 >Cubatão - Só nas margens do Rio Casqueiro, mais de três toneladas de peixes mortos foram recolhidas (Foto: Luana Fernandes/DL)

Ministério de Pesca

Equipes do Ministério da Pesca estiveram na Região ontem para verificar a extensão dos danos causados e preparar um relatório que deverá ser apresentado hoje. Eles estão pesquisando a quantidade de famílias de pescadores artesanais afetadas, quantas vivem exclusivamente da pesca, se estão cadastradas etc.

Com base nesse relatório, serão definidas principalmente medidas de caráter social em proteção às famílias dos pescadores que perderam seu sustento com a impossibilidade de pescar e vender o produto da pesca. Também será definido se há necessidade de estabelecer um defeso da pesca.

“Há equipes passando pelo Mercado de Peixe para ver se os peixes contaminados não estão sendo vendidos. Eles estão fazendo o levantamento de todos os pescadores. O ministério não vai indenizar, mas vai achar as melhores formas para esta situação”, explica a analista ambiental do Ibama, Ana Angélica Alabarce.

Ainda segundo informações da representante do Ibama, o incêndio no terminal de combustível da Ultracargo, na Alemoa, está sendo acompanhado de perto pelo órgão. “O Ibama não foi convidado a sentar na mesa de crise, mas ele está acompanhando firmemente. Agora à tarde nós passaremos a ter um comando aqui. A gente tem que se preocupar. O fogo é a coisa mais importante neste momento, mas não podemos esquecer o meio ambiente, que está sendo afetado”, afirma.

Ana Angélica não descarta a aplicação de multa à empresa envolvida no acidente. “Com certeza (haverá multa). Ou pelo Estado aplicando, ou por parte do Ibama. De preferência por decreto federal”. Ela ressalta ainda que a população deve estar atenta à qualidade dos peixes consumidos. “Toda esta água que está caindo deste procedimento está contida e já há um planejamento para não voltar para o canal. O impacto existiu. As pessoas precisam se conscientizar para não comprar peixes contaminados. A contaminação existiu. A mortandade existiu. Não sabemos até quando e qual o grau desta contaminação”.