"Região não está preparada para acidentes desse porte”, afirma Marcia Rosa

Prefeita de Cubatão criou o próprio comitê de crise para gerenciar os prejuízos ambientais ocorridos na Cidade após incêndio na Alemoa

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06 ABR 201521h56

Cubatão foi atingida diretamente pelo incêndio na área portuária da Alemoa. No último sábado, dia 4, os moradores foram surpreendidos por milhares de peixes na margem dos rios que cercam a Cidade. No entanto, segundo a chefe do Executivo cubatense, Marcia Rosa, o Município não foi convidado a fazer parte do comitê de crise criado pela Prefeitura de Santos.

"A região não está preparada para acidentes desse porte. A questão está sendo tratada como assunto local de Santos, mas é regional, atinge a população de outras cidades. Dizem que há plano de evacuação, mas Cubatão estaria no raio dessa evacuação e o município não tem nenhuma informação", critica a prefeita.

Marcia Rosa alerta sobre a necessidade de providências quanto à formulação de uma estratégia de prevenção regional conjunta para emergências como este incêndio e na cobrança dos prejuízos coletivos causados pelos acidentes. "A poluição gerada pelo acidente tem impacto em toda a Baixada Santista. Comunidades que vivem da pesca e os consumidores de pescado estão sendo prejudicados. Pode estar ocorrendo contaminação do solo e da água e sequer há informações sobre que tipo de espuma está sendo usada no combate ao incêndio e que está sendo levada com a água para o mar".

Três toneladas de peixe morto foram retiradas dos manguezais da Cidade. “Considerando que cada peixe tenha 300 gramas, cerca de 15 mil peixes foram mortos”, explica a prefeita, acrescentando ainda que cobras d’águas também foram encontradas mortas neste monte. “Isso quer dizer que a poluição não atingiu somente a superfície do rio, mas também o corpo, atingiu certa profundidade. Não adianta dizer que a fumaça não é um problema. Poluente é poluente e Cubatão, mais do que ninguém, sabe o que é isso”.

Prefeita e representantes de vários órgãos da Cidade querem mais informações sobre incêndio na Alemoa (Foto: PMC)

Pesca

A preocupação da prefeita vai além da poluição. As comunidades pesqueiras da Cidade podem ficar sem o seu sustento. Segundo ela, os pescadores chegavam a retirar do rio cerca de 400 quilos de peixe por dia. “Não tem mais peixe. Nenhum. O incêndio atingiu Cubatão, principalmente, no meio ambiente”, lamenta Marcia. Segundo a chefe do Executivo, a maré atingiu 1,6 metros até o final da tarde de ontem e cobriu toda a área de mangue. “Ou seja, a esta altura, a substância contaminante invadiu tudo”, explica.

Assim que tomou conhecimento da situação, a Prefeitura de Cubatão criou um grupo para gerir os prejuízos na Cidade com representantes da OAB; do Centro de Capacitação e Pesquisa do Meio Ambiente (Cepema), ligado à USP; das comunidades; além do secretariado municipal e técnicos do setor. Diante das discussões sobre os problemas, que duraram todo o dia de ontem, a Administração Municipal preparou um ofício e encaminhará para todos os órgãos envolvidos, além da Agem, do Ministério de Pesca, do Gaema e do Ministério Público. Cubatão está se mobilizando para analisar amostras de peixes mortos e da água do mar colhidas em vários pontos, para verificar a presença de metais e produtos tóxicos. A análise das amostras será providenciada pelo Cepema.

Hoje, uma equipe do Ministério da Pesca chega a Cubatão, para tratar dos milhares de peixes mortos encontrados no Rio Casqueiro e verificar a situação junto com pescadores e técnicos da Prefeitura. O envio da equipe foi acertado após contato da prefeita com o ministro Helder Barbalho. "Não é apenas a Administração Municipal que está sem informações. Moradores e até órgãos ambientais, como é o caso da Cetesb em Cubatão que não está participando diretamente dos trabalhos. Estamos usando pessoal próprio para fazer o monitoramento ambiental, coletar amostras para exames e outras providências", explicou a prefeita.

Representantes dos pescadores artesanais das comunidades da Ilha Caraguatá e da Vila dos Pescadores também relataram os problemas enfrentados. Com a maré, um derrame de combustível no mar na Alemoa pode em dez minutos estar sob as palafitas da Vila dos Pescadores, e ocasionar outra tragédia como a da Vila Socó, e os moradores não contam com informações sobre como agir em tais casos. Com a morte dos peixes, mais de 100 famílias de pescadores na Vila Esperança e 40 na Ilha Caraguatá estão sem saber como se manterão no futuro.