Com fim do incêndio, movimentação no Porto deve voltar ao normal até terça

No começo da noite, a desmobilização das equipes do Corpo de Bombeiros na área do acidente foi permitindo o desbloqueio parcial do Viaduto da Alemoa, principal acesso aos terminais do porto

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10 ABR 201519h55

Com o fim do incêndio nos tanques da Ultracargo, hoje, por volta das 10 horas, a movimentação de caminhões em direção ao Porto de Santos deve se normalizar entre segunda e terça-feira. A previsão é do presidente da Codesp, Angelino Caputo.

No começo da noite, a desmobilização das equipes do Corpo de Bombeiros na área do acidente foi permitindo o desbloqueio parcial do Viaduto da Alemoa, principal acesso aos terminais do porto.

Com o viaduto interditado, agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos faziam comboio a partir da Via Anchieta com a Avenida Martins Fontes, seguindo pela Avenida Getúlio Vargas e ruas São Bento e Cristiano Otoni.

O bloqueio nas estradas vai ser mantido e vai diminuir gradativamente, até a situação se normalizar. “Não dá para acabar, agora, porque senão só vai transferir a fila de caminhões da estrada para Santos”, observou o vice-governador do Estado, Márcio França (PSB).

Há, entre 12 mil e 18 mil caminhões com viagens represadas ao maior porto da América Latina, desde o início do incêndio nos tanques. O número não é maior porque as empresas exportadoras, ao saberem das consequências do incêndio, deixaram de agendar as viagens.

Segundo Caputo, a retomada será mais fácil pelas empresas ligadas à safra de grãos, que já passam por um agendamento na Codesp, ao contrário das que exportam contêineres.

Segundo explicou o comandante do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, Marco Aurélio Pinto, o trabalho de rescaldo do fogo deve durar mais uma semana. As equipes continuam no local até a Ultracargo voltar, gradualmente, a fazer a manutenção dos tanques.

‘Pequenas chamas’

Ao declarar o incêndio extinto desde as 10 horas, o comandante comentou que havia “pequenos vazamentos”. “Estamos atentos porque se trata de combustíveis”. O resfriamento dos tanques e controle dos vazamentos continuava sendo feito com água a espuma. “Ainda há pequenas chamas, mas é normal”, disse, por volta das 17 horas, durante entrevista na Prefeitura.

Revisar a legislação

O comandante e o secretário especial de Portos, Edinho Araújo, entendem ser necessária a revisão da legislação. “Unidos na tragédia, unidos na reconstrução”, comentou Edinho Araújo. E entre as alterações sobre licenças nos armazéns, Marco Aurélio Pinto disse ser favorável a uma lei deixando um distanciamento maior entre os tanques.

Os oito dias de incêndio, que totalizaram 192 horas de fogo, chegaram a ser comparados ao fogo que destruiu os prédios Andraus (24 de fevereiro de 1972) e Joelma (1º de janeiro de 1974), que acabaram por propiciar novas e procedimentos e combate a incêndios. O licenciamento de empresas armazenadoras também deve receber uma nova legislação municipal.

Em entrevista coletiva realizada no Paço Municipal, que contou com a participação do vice-governador do Estado, Márcio França (PSB), e do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), entre outras autoridades, foi elogiado o trabalho conjunto entre órgãos da União, Estado e Município e também a colaboração de empresas privadas na atuação nos tanques. “Priorizamos a vida humana”, comentou Edinho Araújo.

Em um rápido balanço dos oito dias de combate, o comandante dos bombeiros citou o início do incêndio como o momento mais crítico da ação, pela necessidade de se organizar as equipes no local. “Todo o período foi crítico”.

Inquérito

Segundo o delegado geral da Polícia Civil no Estado, Youssef Abou Chahin, a perícia sobre o incêndio na Utracargo começou desde o primeiro dia (2).

"Ela (Polícia Científica) está acompanhando os fatos. O maior desafio vai ser descobrir como isso começou e se existe um culpado para isso", afirmou ele na tarde de hoje (10) no Palácio da Polícia, em Santos, durante uma visita ao Departamento de Polícia Judiciária (Deinter-6).

"Eu acredito em um trabalho pericial bem feito, com coleta de dados e depoimentos de testemunhas", frisou. O inquérito será presidido pelo delegado seccional de Santos, Manoel Gatto Neto.