Ala governista da Câmara de Santos questiona licitação do transporte público

Novo contrato firmado pela Prefeitura de Santos com a Viação Piracicabana tem prazo de 8 anos

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12 MAI 201510h57

A licitação que está definindo a Viação Piracicabana como a concessionária do serviço público municipal de transporte em Santos pelos próximos 8 anos está sendo questionada até pela base governista do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB).

Na sessão de ontem da Câmara, o vereador Sandoval Soares (PSDB) teve aprovado um requerimento questionando o processo e, principalmente, a razão de a concorrência não prever gratuidade da tarifa para pessoas a partir de 60 anos — hoje o benefício é concedido a quem tem a partir de 65 anos.

A habilitação da Viação Piracicabana foi publicada no Diário Oficial de Santos ontem. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) tem de aguardar cinco dias úteis e, caso não seja impetrado recurso por outra empresa concorrente, vai publicar a homologação do contrato.

A Administração Municipal informou ao Diário do Litoral que não há uma definição da data para o reajuste da passagem de ônibus. “Caso a proposta da empresa classificada e habilitada passe a valer, a passagem passará de R$ 2,90 para R$ 3,25”.

A nota lembra ainda que “após 40 meses de congelamento de tarifa, o reajuste será de 12,07%. A inflação medida no período (média do IGPM/FGV, IPCA/IBGE, IPC/Fipe e INPC/IBGE foi de 21,79%”.

Não há data específica para entrada do aumento da passagem (Foto: Matheus Tagé/DL)

Cartel

Ao discutirem o requerimento de Sandoval Soares, vereadores, como Evaldo Stanislau (PT), falaram em “cartel” do setor.

Já Adilson Júnior (PT) estranhou o fato de poucas empresas terem participado da concorrência. Nove empresas de transporte retiraram o edital para análise e duas participaram do processo — a Piracicabana e a Mobibrasil Transportes São Paulo Ltda.

“Deve ser um mau negócio participar dessa licitação. Precisamos entregar uma placa de congratulações para a Piracicabana”.

Sandoval disse estar à vontade para apresentar o requerimento até em função de ser do mesmo partido do prefeito, “mas tenho de dar satisfações a quem me elegeu”.

Carlos Teixeira Filho, o Cacá Teixeira (PSDB), considerou leviano sugerir a formação de cartel. “Se alguém sabe de algo, que vá ao Ministério Público denunciar”.

Além do requerimento de Sandoval, o vereador Benedito Furtado (PSB) apresentou ontem um outro — a ser votado nas próximas sessões — pedindo estudo da possibilidade de manter a tarifa em R$ 2,90.