Ajuda deve bater à porta do menino Kauê

Vítima de paralisia cerebral deve obter assistência da Prefeitura de Santos. Além do tratamento em casa e do leite, Kaue precisa de remédios antialérgicos e contra depressão

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31 JAN 201423h47

A história do pequeno Kaue, de 11 anos, vítima de paralisia cerebral, publicada no último dia 20, pelo Diário do Litoral, sensibilizou a Prefeitura de Santos, que informou que estuda a possibilidade de viabilizar as necessidades da família. “A família já é cadastrada no Centro de Referência de Assistência Social (Cras), inscrita no cadastro único e recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), por meio do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS)”, informou em nota oficial.

A Reportagem mostrou o martírio do porteiro Jackson Santana de Jesus, desempregado, pai de três filhos, sendo Kaue o primogênito. “Na verdade, por um erro médico, meu menino nasceu depois da hora. Ele teve falta de oxigênio no cérebro, ficando dois meses em uma unidade de terapia intensiva neonatal. Ele saiu do hospital com uma lesão cerebral, que ele carregará para o resto da vida”, contava Joselene, mãe do menino.

Ela revelou que a família vem travando uma verdadeira guerra para dar ao pequeno Kaue uma vida digna que pode durar muito pouco. É que o plano de saúde (Unimed) do casal está atrasado quatro meses, o que pode interromper o tratamento em domicílio. Para piorar, o plano de saúde também é responsável por fornecer um leite especial, de fundamental importância para Kaue, cuja lata de 400 gramas custa R$ 175,00.

“Para suprir as necessidades de meu filho, é preciso alimentá-lo com 200 gramas por dia. Ou seja, uma lata dura somente dois dias. Sem esse alimento, Kaue perde peso rapidamente”, contava Jackson, olhando o menino no colo da esposa.

Jackson e Joselene travam uma verdadeira batalha pelo pequeno Kaue (Foto: Luiz Torres/DL)

Outros tratamentos

Além do tratamento em casa e do leite, Kaue precisa de remédios antialérgicos e contra depressão (que custam entre R$ 50,00 e R$ 200,00) e da assistência de especialistas, como fonoaudiólogo e fisioterapeuta. Mas a família não tem condições de arcar com as despesas.

“Ele fazia equoterapia de graça (método terapêutico e educacional que utiliza cavalos), pela Prefeitura de Santos, mas a fila é muito grande e o Kaue só consegue o tratamento uma vez a cada dois meses”, contou Joselene, enfatizando que o menino melhora significativamente quando consegue uma vaga e que ele ainda está próximo de se submeter a uma cirurgia gástrica.

Jackson, que recebe o seguro desemprego, revelou que consegue pagar o aluguel porque está morando com os pais. Com relação ao leite, ele afirma que não consegue ajuda governamental para o menino. “O governo já negou meu pedido por duas vezes. Não sei o que vou fazer quando a Unimed suspender o tratamento e o leite, ministrado por intermédio de uma sonda”.

Para piorar, o menino necessita de aparelhos ortopédicos que custam cerca de R$ 1 mil. “Nós conseguimos comprar os primeiros, mas agora não dá mais. Ele cresce e perde o equipamento. Aí, nós doamos para pais que também necessitam”, afirmou Joselene.

O porteiro mostrou esperança de conseguir um emprego e salientou as despesas que tinha para levar o filho à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), em São Paulo. “Custa R$ 300,00. Não dá para levar o Kaue. O carro gratuito, cedido pela Prefeitura, é de uso coletivo e impróprio para levar meu filho”, finalizou.