Acidente nos Alpes muda acesso à cabine dos aviões comerciais

A Norwegian Air Shuttle, terceira maior empresa aérea de baixo custo da Europa, foi a primeira a anunciar a mudança, que entrará em vigor amanhã

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26 MAR 201517h03

Várias companhias aéreas anunciaram hoje (26) que mudarão as regras de acesso ao cockpit (cabine de pilotagem) de seus aviões, tornando obrigatória a presença de duas pessoas na cabine durante todo o voo.

A Norwegian Air Shuttle, terceira maior empresa aérea de baixo custo da Europa, foi a primeira a anunciar a mudança, que entrará em vigor amanhã. A britânica EasyJet também fará valer novas regras a partir desta sexta-feira. “A segurança dos passageiros e da tripulação é prioridade máxima para a companhia”, afirmou a EasyJet em nota.

Outras empresas que anunciaram medida idêntica na tarde de hoje foram as canadenses Air Transat e Air Canada, e a islandesa Icelandair. A finlandesa Finnair já aplicava a regra que prevê que se um piloto se ausentar outro membro da tripulação tem obrigatoriamente que entrar na cabine.

As regras da aviação civil europeia não exigem a presença permanente de duas pessoas na cabine de comando quando um de seus ocupantes, o piloto ou o copiloto, tenha de se ausentar por qualquer razão. Mas especialistas acreditam que mudanças serão implementadas pela Agência de Aviação Europeia.

De acordo com o especialista alemão, Harald Stocker, a aviação civil vai mudar de forma significativa após o desastre aéreo com o avião da Germanwings. “Até então acreditávamos que pilotos não tinham intenções suicidas, que eles conduziam as aeronaves com responsabilidade”, disse ele.

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(Foto: Associated Press)

O especialista acredita que não só as regras sobre a presença no cockpit serão alteradas, mas também os cuidados em relação ao estado psicológico dos pilotos. “É preciso checar as condições psicológicas dos pilotos em exames anuais, se eles estão enfrentando crises, preocupações, se estão sobre pressão externa. Os pilotos terão que ser treinados para observar seus colegas e perguntá-los sobre suas condições”, enfatizou.

Stocker explicou que as portas da cabine de comando podem ser abertas do lado de fora com um código, mas que, no caso da Germanwings, é provável que o código tenha sido invalidado por digitação incorreta ou tenha sido alterado de dentro da cabine, pelo copiloto. “A razão pela qual a porta da cabine é trancada por dentro, sem acesso para quem está de fora, é para prevenir terroristas de entrar no avião. Esse procedimento não deve ser alterado”, informou.