Ataques aéreos sauditas atingem bases rebeldes no Iêmen

Os ataques, que tiveram o apoio de outros nove países, atraíram forte reação do Irã, que chamou a operação de uma "invasão" e de "um passo perigoso" que deve piorar a crise no país

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26 MAR 201512h36

A Arábia Saudita atacou importantes instalações militares no Iêmen nesta quinta-feira, depois de anunciar uma ampla coalizão regional para expulsar os rebeldes xiitas do comando do país. Alguns dos bombardeios atingiram posições na capital Sanaa e destruíram residências nas proximidades do aeroporto internacional.

Os ataques, que tiveram o apoio de outros nove países, atraíram forte reação do Irã, que chamou a operação de uma "invasão" e de "um passo perigoso" que deve piorar a crise no país.

O Irã "condena os ataques aéreos contra o Iêmen nesta manhã, que deixaram alguns iemenitas inocentes feridos e mortos, e considera esta ação um passo perigoso", disse a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Marzieh Afkham em comunicado. Ela disse que a ação militar pode complicar e piorar a crise no Iêmen.

"A invasão não trará resultado, mas sim a expansão do terrorismo e do extremismo em toda a região", disse ela.

Os ataques aéreos sauditas aconteceram horas depois de o presidente Abed Rabbo Mansour Hadi, aliado próximo dos Estados Unidos, ter fugido pelo mar depois de os rebeldes terem avançado na direção da cidade portuária de Áden, onde ele havia se refugiado.

A emissora de televisão saudita Al-Arabiya informou que o reino destacou 100 jatos de combate, 150 mil soldados e unidades navais para a "Operação Tempestade Decisiva".

Os rebeldes xiitas, conhecidos como houthis, pedem a seus partidários que protestem nas ruas de Sanaa na tarde desta quinta-feira, informou a agência de notícias estatal Saba, que está sob controle rebelde. Emissora de televisão ligadas ao rebeldes e a seu aliado, o ex-presidente Ali Abdullah Saleh, mostraram imagens do que seria uma área residencial atingida pelos bombardeios.

A emissora de televisão Al-Masirah, ligada aos houthis, citou o Ministério da Saúde informando que 18 civis foram mortos e 24 ficaram feridos.

Além do aeroporto, foram atacados o campo de treinamento onde militares norte-americanos treinaram forças iemenitas, que está sob controle de generais leais a Saleh. Oficiais de segurança iemenitas disseram que os alvos também incluíram uma base de mísseis em Sanaa que passou para o controle dos houthis no início do ano.

Os houthis disseram em comunicado que jatos sauditas atingiram a base militar, conhecida como al-Duleimi, e que responderam com mísseis antiaéreos. Os ataques também atingiram a base aérea de al-Annad, na província de Lahj, sul do país.

Cerca de 100 conselheiros militares norte-americanos se retiraram dessa base no final de semana, de onde coordenavam uma campanha com o uso de drones contra a Al-Qaeda na Península Arábica, considerada por Washington o braço mais perigoso da rede terrorista.