Artigo - Geração Nem-Nem

Hoje no Brasil temos mais de 14 milhões de pessoas sem trabalho e um número também muito grande sem estudar

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07 JUN 2021Por Artigo06h40
José Roberto Chiarella, educador e advogadoJosé Roberto Chiarella, educador e advogadoFoto: DIVULGAÇÃO

Por José Roberto Chiarella

Nem-nem é uma expressão recente criada na nossa língua e que ganhou fama, especialmente depois que a pandemia da Covid-19 começou a crescer aqui no Brasil. Ou seja, por volta do começo do ano passado já era usada, mas por analistas, para descrever uma situação socioeconômica que apresenta jovens que não possuem nem emprego e nem estudam. Daí saiu o nem-nem e uma recente pesquisa mostrou que um em cada três jovens entre 15 e 24 anos integra esse triste grupo. Hoje no Brasil temos mais de 14 milhões de pessoas sem trabalho e um número também muito grande sem estudar.

O fundamental nessa história é entender que a Educação tem de se tornar um hábito e que também precisamos compreender que não é só o Ministério da Educação (MEC) que tem papel importante e, sim, também os gestores públicos da área que precisam mostrar trabalho. Digo isso por praticamente todos, na linguagem popular, ficarem tirando o corpo, o que é denominado de transferência obrigacional do ente público. Educação não é igual a receita de bolo, em que uma vale para muitas situações. Temos segmentos diferentes na sociedade, com alunos distintos criados nesses lares. Essa dita receita de bolo serve para fazer os jovens passarem pelo Ensino Médio, pelo vestibular e chegarem, e até completarem, os cursos nas universidades. Daí em diante é que a situação se complica.

Nesse crucial momento da vida os recém-formados buscam uma oportunidade de emprego que deveria ser criada pelo governo, entre outros pontos, através de incentivos fiscais às empresas privadas. No entanto, o que vemos no mercado de trabalho é que nossos governantes, sejam federais, estaduais e municipais, têm jogado para toda uma geração uma ideia errada de empreendedorismo, algo para o qual eles não foram preparados adequadamente. Aí é que entra o famigerado nem-nem e esse importante segmento da sociedade enfrenta um complicadíssimo hiato na vida. Está mais do que claro que falta capacitação na preparação.

Santos está no meio dessa situação. Aqui enfrentamos as mesmas dificuldades para empregar os jovens e com isso perdemos bons profissionais que acabam tendo de deixar a cidade para buscar uma boa colocação em outros lugares. Santos precisa de uma política pública para mantê-los trabalhando aqui, gerando renda e riquezas, criando suas famílias e movimentando a economia local. Para isso, para que possamos trazer empresas que criem vagas para nossos jovens, temos de ter uma política de incentivos fiscais. Ninguém está inventando a roda, pois outras grandes cidades prosperaram dessa maneira. Benefícios oferecidos já levaram até mesmo à ocupação de regiões inabitadas e que se desenvolveram. Temos de evitar que as famílias dos santistas - claro aqueles que podem fazer isso - queimem suas reservas financeiras para dar conhecimento profissional para os jovens entrarem num mercado já saturado.

A Educação é o caminho mais eficaz para mudarmos a nossa sociedade como um todo e está nítido que sem investimentos do Poder Público, no caso municipal, continuaremos a produzir nem-nem aos montes. Vale lembrar que esse processo exige, no mínimo, uma década de capacitação dos nossos jovens. Precisamos nos preparar para a vida pós-pandemia e o momento é agora! Não podemos continuar à mercê de mal-intencionados que só promovem seus interesses político-partidários e se esquecem da população. Temos de buscar esse equilíbrio para atingir o objetivo final de acabar com os nem-nem.

* José Roberto Chiarella, educador e advogado