Artigo - Alphaville de Santos

Imagine poder andar pela região central toda restaurada, com fachadas novas e bem cuidadas, com um charmoso contraste entre o velho e o sofisticado

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21 MAI 2021Por Artigo06h40
Silvio Sebastião Pinto, Analista Programador e EscritorSilvio Sebastião Pinto, Analista Programador e EscritorFoto: DIVULGAÇÃO

Por Silvio Sebastião Pinto

Eu trabalhei durante muito tempo na Berrini, Faria Lima, Paulista e Alphaville nos últimos 21 anos, criando softwares corporativos, e tem sido uma vida corrida. Exceto, é claro, agora, com a rotina on-line imposta pela pandemia.

Uma característica que une esses lugares à minha rotina é a dificuldade de acesso na maior parte do ano, por conta do excesso de veículos. Quem precisa se deslocar dentro da capital todo dia, em direção a esses pontos concentradores de empresas, gasta em média duas horas para chegar ao trabalho. Então são cerca 80 horas perdidas por mês. A opção é ligar o rádio e relaxar. 

Então eu fiquei imaginando, e se essas empresas resolvessem se mudar para Santos? E se a nossa cidade criasse um centro empresarial, com atrativos fiscais e benefícios financeiros, para trazer para a baixada centenas, milhares de empresas? Poderíamos oferecer o centro velho para um parque de escritórios de grandes empresas, que trariam uma miríade de consumidores todo dia, e não apenas nos finais de semanas e feriados. Muitas dessas empresas contratariam profissionais da região, e os restaurantes, lojas, shoppings e hotéis estariam sempre cheios. O centro poderia ser revitalizado com espigões modernos e se tornar um referencial de polo tecnológico. Imagine poder andar pela região central toda restaurada, com fachadas novas e bem cuidadas, com um charmoso contraste entre o velho e o sofisticado. Santos tem condições para ser uma potência semelhante a Singapura. 

Empresas produtoras de softwares e escritórios administrativos de outras áreas não demandam vastas instalações nem poluem, bastam salas comerciais com boa estrutura de energia elétrica, internet, transporte, comunicação, e isso nós temos.

O acesso à baixada é feito por vias velozes e seguras, e o trajeto seria feito num tempo médio menor, e com certeza uma viagem mais prazerosa. Começar o dia depois de percorrer rodovias largas e fluídas, depois de contemplar as belas paisagens da serra do mar, o verde intenso, o cheiro gostoso da mata e do vento que vem do mar, o sol nascendo no horizonte e a imensidão de águas vistas lá de cima vão fazer cada dia valer a pena, independente do que acontecer no restante do dia. 

É uma possibilidade. Se a cidade quiser podemos, sim, trazer para perto de nós um sem número de empresas que vão gerar inúmeros benefícios. Se a cidade oferecer vantagens a essas empresas as chances de termos aqui um polo de escritórios, um centro produtor e consumidor de tecnologias de grande porte, é real.

* Silvio Sebastião Pinto, analista programador e escritor