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Empresário diz que pagou R$ 7,1 milhões em terreno para sede do Instituto Lula

Gusmão chegou a comprar o terreno na zona sul de São Paulo onde seria erguido o prédio, mas a obra não se concretizou e ele diz ter saído com prejuízo

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06 SET 2017Por Folhapress16h17
Na quarta-feira (13), o ex-presidente Lula prestará depoimento sobre o assuntoFoto: Valter Campanato/Agência Brasil

Acusado de ter sido "laranja" da Odebrecht na compra de um terreno para a construção da sede do Instituto Lula, o empresário Dermeval de Souza Gusmão Filho negou nesta quarta-feira (6) que a operação tenha envolvido pagamento de propina.

Em depoimento ao juiz Sergio Moro durante duas horas, em Curitiba, o dono da construtora DAG afirmou que o negócio proposto a ele pela Odebrecht era de interesse de sua empresa.

Gusmão chegou a comprar, por R$ 7,1 milhões, o terreno na zona sul de São Paulo onde seria erguido o prédio, mas a obra não se concretizou e ele diz ter saído com prejuízo.

O caso é investigado na Operação Lava Jato. Na quarta-feira (13), o ex-presidente Lula prestará depoimento sobre o assunto.

Para o MPF (Ministério Público Federal), a aquisição da área teve dinheiro do "Setor de Operações Estruturadas", o departamento de propina da Odebrecht.

O empresário disse que ele adquiriu o terreno e descreveu a operação como um investimento comum no mercado da construção civil.

Ele afirmou a Moro que foi procurado por Paulo Melo, ex-diretor-superintendente da Odebrecht Realizações Imobiliárias, com uma "oportunidade de negócio" que lhe interessou.

Gusmão diz que depois o empreiteiro Marcelo Odebrecht lhe contou que o objetivo era construir no local a sede da entidade ligada a Lula.

Pelo acordo, a DAG faria a obra e depois a venderia para o instituto ou a alugaria.

A Odebrecht, de acordo com o depoimento, não queria comprar o terreno porque se tratava de um "negócio pequeno" e sua aparição como interessada na compra da área poderia levar os proprietários a aumentarem o preço.

Ainda segundo Gusmão, a construtora queria evitar "exposição política", com o risco de "colar" sua imagem à de Lula.

Além disso, "a tomada de frente da Odebrecht poderia inibir a boa vontade de outros grupos empresariais", disse Gusmão, numa referência à busca de doações que seria feita para viabilizar a obra e a implementação da entidade.

Segundo o depoimento do empresário, o advogado Roberto Teixeira, amigo do ex-presidente, era quem intermediava o negócio em nome do instituto.

Ele disse que, "pelo contexto", entendia que Teixeira era o representante do petista, mas que só ouviu o advogado de fato mencionando o nome de Lula duas vezes.

Uma delas foi quando recebeu o aviso de que o ex-presidente queria conhecer o local com uma comitiva.

De acordo com o construtor, Lula "não gostou" do terreno e, depois disso, o negócio foi desfeito. Por fim, ele acabou vendendo o imóvel para a Odebrecht.

A encomenda da obra, segundo Gusmão, pedia que o prédio tivesse garagem subterrânea, auditório, salas de reunião e uma espécie de hotel, com algumas suítes.

'PAGANDO O PATO'

Dermeval Gusmão detalhou gastos que teve com o negócio, como os custos de manutenção e de segurança do terreno.

Sobre o que chama de "fábrica de dinheiro" da Odebrecht, numa referência às planilhas de pagamento de propina da construtora, o empresário disse: "Não peguei 1 real disso aqui".

Ele negou envolvimento em benefícios ao ex-presidente ou a outras pessoas. "O que a Odebrecht fez, eles é que têm que explicar."

"Hoje, com o desenrolar desse processo, vendo a quantidade de pagamentos feitos à minha revelia, que eu não tinha a menor ciência, por fora, o que eu posso dizer é que eu fui enganado", afirmou o empresário.

"Eu entrei nesse processo como laranja, e hoje eu vejo que eu fui um pato. Isso que eu fui."

OUTRO LADO

A assessoria de imprensa de Lula, em nota, diz que o empresário "deixou bem claro que não teve nenhum contato nem conhecimento de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou a diretoria do Instituto Lula tivessem solicitado o tal terreno".

"Ele confirma que o ex-presidente não teve interesse no terreno. E que a compra do terreno pela DAG não teve nenhuma relação com contratos da Petrobrás, mas que era um negócio imobiliário entre a Odebrecht e a DAG. E que se fosse destinado ao Instituto Lula o imóvel seria vendido ou alugado, não doado".

Ainda de acordo com a nota, Gusmão "aponta que o dinheiro que teria saído da tal planilha do Setor de Operações Estruturadas jamais foi usado para a compra do terreno".

"O Instituto Lula jamais teve qualquer outra sede que não o sobrado no bairro do Ipiranga adquirido em 1991 por entidade que antecedeu o instituto", diz a entidade.

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