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Secretário de Justiça de Trump nega acusação de conluio com russos

Jeff Sessions afirmou que se afastou da investigação do FBI não por ter feito algo errado, mas porque as regras do Departamento de Justiça não permitiriam

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14 JUN 2017Por Folhapress00h30
O Secretário de Justiça de Donald Trump, Jeff Sessions negou a acusação de conluio com russosFoto: Associated Press

Em depoimento ao Comitê de Inteligência de Senado, o secretário de Justiça dos Estados Unidos, Jeff Sessions, disse nesta terça-feira (13) que qualquer acusação de que ele tenha participado em conluio com a Rússia para interferir nas eleições de 2016 é uma "mentira pavorosa e detestável".

"A sugestão de que eu participei de algum conluio, que eu sabia de algum conluio com o governo russo para prejudicar esse país, ao qual eu tenho servido com honra por 35 anos, ou para minar a integridade do nosso processo democrático, é uma mentira pavorosa e detestável", disse o secretário, em seu discurso de abertura, sob juramento.

Antes de enfrentar as perguntas dos senadores, Sessions afirmou que se afastou da investigação do FBI (polícia federal americana, que está sob a sua jurisdição) sobre possíveis conexões entre membros da equipe de Trump e Moscou não por ter feito algo errado, mas porque as regras do Departamento de Justiça não permitiriam.

"Eu me recusei [a fazer parte da investigação] não por ter feito algo errado durante a campanha, mas porque as regras do Departamento de Justiça exigem (...) que seus funcionários não participem de investigação sobre uma campanha eleitoral em que serviram como assessores", disse.

No início de março, Sessions, anunciou que se afastaria das investigações sobre os contatos da equipe de Trump com a Rússia durante a campanha eleitoral, depois de o "Washington Post" revelar que ele havia se reunido duas vezes com o embaixador russo em Washington, Sergei Kislyak, em 2016. Os encontros foram confirmados pelo Departamento de Justiça.

Na última quinta (8), no entanto, o ex-diretor do FBI James Comey teria afirmado a senadores, na parte da audiência que não foi aberta, que Sessions pode ter se encontrado uma terceira vez com Kislyak.

Sessions, que vinha evitando audiências no Congresso para falar da investigação do FBI sobre as possíveis conexões entre membros da campanha de Trump e Moscou, aceitou participar da sessão nesta terça após o depoimento de Comey.

Tensão com Trump

O depoimento ocorre em um momento delicado entre Trump e um de seus mais importantes aliados dentro do governo. Funcionários, sob anonimato, informaram à ABC News e ao "Washington Post" que Sessions chegou a oferecer informalmente a Trump sua renúncia nas últimas semanas.

As relações entre os dois teriam começado a se deteriorar depois que Sessions anunciou que se afastaria do comando das investigações do FBI sobre a Rússia. Outra decisão que contrariou Trump foi a do Departamento de Justiça de indicar Robert Mueller como conselheiro especial para supervisionar o inquérito.

Na última semana, o presidente criticou publicamente o Departamento de Justiça por ter submetido à Suprema Corte um recurso em relação o segundo decreto prevendo o veto a cidadãos de seis países de maioria muçulmana -e não ao primeiro. Segundo Trump, o segundo texto é a "versão diluída e politicamente correta" da primeira ordem executiva.

O republicano Sessions, 70, exercia o mandato de senador pelo Alabama desde 1997 antes de ser indicado por Trump para o posto. Considerado "linha-dura", ele foi visto como peça-chave pelo presidente na implementação de sua agenda de combate à imigração ilegal e no projeto de construção de um muro na fronteira com o México. Sessions também tem posições parecidas com Trump sobre o combate às drogas e o tráfico de armas.

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