08h : 12min

Conheça o
Caderno + DL

Ler

Assine o Jornal por R$8
por mês no plano atual

AssineLer Jornal

Brasileiro é um dos poucos latinos presentes em comício de Trump

"Ele fala a verdade na cara das pessoas. Gosto disso", explicou à reportagem, ecoando a insatisfação dos seguidores de Trump com os políticos

Comentar
Compartilhar
19 OUT 2016Por Folhapress17h00
Trump ainda tem o apoio de ao menos 40% dos eleitores, e eles não se entregamFoto: Divulgação

O evento foi organizado na última hora, mas mesmo assim atraiu centenas de pessoas para ver Donald Trump, em mais um esforço do bilionário para estancar a sangria de sua campanha presidencial.

Embora seus números nas pesquisas tenham entrado em queda livre desde a revelação de comentários obscenos feitos sobre mulheres em 2005 e uma série de acusações de agressão sexual, Trump ainda tem o apoio de ao menos 40% dos eleitores, e eles não se entregam.

No galpão de um centro equestre de Colorado Springs, cidade aos pés das famosas Montanhas Rochosas (centro-oeste dos EUA), o figurino do público era feito de variações em torno do tema Trump, e incluía camisetas com insultos variados à adversária democrata, Hillary Clinton, máscaras do bilionário e um mar de bonés vermelhos com o slogan da campanha: "Faça a América grandiosa novamente".

Mas apenas um simpatizante de Trump usava o uniforme canarinho. Era o paulista Walter Feitosa, 58, que vive há 27 anos nos EUA e vestiu um agasalho da seleção brasileira para ver de perto o candidato que espera ajudar a eleger em novembro. Para ele, o apelo principal de Trump é ser alguém que foge do figurino do político tradicional.

"Ele fala a verdade na cara das pessoas. Gosto disso", explicou à reportagem, ecoando a insatisfação dos seguidores de Trump com os políticos.

Com quase três décadas de EUA, casado com uma americana e com duas filhas nascidas no país, Feitosa já viveu nos Estados da Virginia e do Texas antes de se mudar para o Colorado, onde trabalha com compra e venda de carros e tem uma empresa de limpeza de carpetes.

Desconfiado de que Hillary Clinton tem o sistema a seu favor, não duvida de que possa haver fraudes na eleição que prejudiquem Donald Trump, uma suspeita que o bilionário tem mencionado com mais intensidade nos últimos dias.

"Acho que pode haver sim", diz. "Na eleição presidencial de 2000 eu vi um eleitor votar sem ter documento de identidade, só porque insistiu. Isso é errado".

O brasileiro era um dos poucos latinos presentes no comício desta terça (18) em Colorado Springs, confirmando a impopularidade de Trump com a minoria que ganhou peso nos últimos anos, passando a formar 14% do eleitorado. Para Feitosa, o minguado apoio latino a Trump é resultado do discurso de medo de Hillary, que assusta os latinos ao dizer que o republicano irá deportar todos os imigrantes ilegais do país caso seja eleito.

"Isso é impossível. Não dá para expulsar 12 milhões de pessoas", diz Feitosa, admitindo que o próprio Trump fez a promessa durante a campanha, antes de aliviar seu discurso.

A desconfiança de Feitosa com Hillary Clinton vem da sensação de que ela usa suas conexões políticas para ter vantagens pessoais e se safar de enrascadas, como o controvertido uso não autorizado de uma conta de e-mail privada quando era secretária de Estado (2009-2013). O FBI (polícia federal americana) decidiu não indiciá-la, mas Feitosa acha que ela foi por um arranjo político.

"Nisso ela é professora", afirmou Feitosa, pouco antes de o público que aguardava Trump pedir a prisão de Hillary, fazendo coro num dos gritos de guerra da campanha presidencial republicana: "Tranquem-na!".

Colunas

Contraponto

Construtora CredLar