Sindicatos de Santos participam hoje de Marcha em Brasília

Com o slogan Ocupe Brasília, as centrais sindicais preparam manifestações e protestos durante o dia na Capital Federal

Comentar
Compartilhar
24 MAI 2017Por Francisco Aloise 10h00
Última manifestação em Santos foi quinta, dia 11, na Praia do Gonzaga, com enterro simbólico de deputadosFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Sindicatos de Santos e região filiados à Força Sindical, CUT, CGTB, CSB, CSP Conlutas, CTB, Intersindical, NCST e UGT estão em Brasília para manifestações e atos públicos hoje na Capital Federal.

De avião, carro ou ônibus fretados, os sindicalistas e trabalhadores de todo País foram chegando a Brasília nas últimas horas com o propósito principal de fazer protesto contras as reformas trabalhista e previdenciária e também para pressionarem o Congresso Nacional a não aprovar as reformas pretendidas pelo Governo Federal.

Após a manifestação em Brasília, os sindicalistas de Santos voltam a se reunir para definirem os próximos passos dos protestos, que começaram com a greve geral no dia 28 de abril e prosseguiu em Santos, no Gonzaga, com enterro simbólico de deputados federais da região, no dia 11 deste mês.

A reunião que definiu as caravanas que seguiram para Brasília , ocorreu na última quinta-feira, no Sindicato dos Operários Portuários (Sintraport).

 Os sindicalistas fizeram um balanço de todas atividades feitas na região contra as reformas do Governo Federal e definiram a organização do evento em Brasília, que ocorrerá em frente ao Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios.

Um dos protestos será o enterro simbólico dos 296 deputados federais que votaram a favor da reforma trabalhista.

Por sinal, na última atividade de protesto, no dia 11, em Santos, sindicalistas fizeram também o enterro simbólico dos deputados federais da região: Beto Mansur (PRB), João Paulo Tavares Papa (PSDB) e Marcelo Squassoni (PRB),  junto com os demais parlamentares que votaram a favor da reforma trabalhista na Câmara Federal.

Na areia da praia, esquina com a avenida Ana Costa, foram enterradas 296 cruzes, com velas ao lado, representando os deputados que votaram a favor da reforma trabalhista.  Durante a semana, vários sindicatos pregaram cartazes em postes com as fotos dos três parlamentares e a frase “você tinha direitos trabalhistas, até estes deputados da região tomarem de você”.

Rodoviários

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo (Fttresp), Valdir de Souza Pestana, defende a pressão sobre o Congresso Nacional baseado em números.

Segundo ele, a base do governo tem 413 deputados federais, sendo 240 de apoio consistente e 173 de apoio condicionado. Os senadores, por sua vez, são 54 consistentes e 11 condicionados.

Conforme dados do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Pestana pondera que a oposição tem 100 deputados e 16 senadores: “Como se vê, a diferença é enorme”, diz ele.

Sintracomos

O presidente do sindicato dos trabalhadores na construção civil, montagem e manutenção industrial (Sintracomos) de Santos e região, Macaé Marcos Braz de Oliveira, também defende a pressão em Brasília.

“O que está em jogo não é apenas a reforma da previdência e trabalhista”, diz o sindicalista, “mas outros pontos altamente danosos ao povo brasileiro, como a desindexação geral”.

Também com base em estudo do Diap, Macaé cita ainda a desvinculação orçamentária, especialmente das despesas com educação e saúde, além da redução do gasto público.

Coordenador da Força Sindical na região, ele critica também a prevalência do negociado sobre o legislado, prevista na reforma trabalhista, e o aumento da idade mínima para efeito de aposentadoria.

Sindserv Guarujá

A presidenta do sindicato dos funcionários públicos da prefeitura de Guarujá (Sindserv), Márcia Rute Daniel Augusto, também defende a ocupação da capital federal.

“Não podemos aceitar o corte de direitos dos servidores e a proibição de novas contratações por vedação de concursos públicos nos próximos 20 anos”, diz a sindicalista.

Márcia Rute critica ainda o que classifica de “desmonte do estado enquanto instrumento de prestação de serviços, por meio de insana reforma administrativa que desvaloriza os servidores”.

Sindest vai protestar no Supremo contra corte de ponto de servidor

O presidente do sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest), Fábio Marcelo Pimentel, diz que a ocupação de Brasília tem a ver também com outras medidas além das reformas.

O desconto dos dias paralisados em greve de servidor, determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), “em sintonia com a agenda do governo, é um bom motivo”, diz o sindicalista.

“E o que dizer da decretação de inconstitucionalidade da súmula 331, do Tribunal Superior do Trabalho (TST ), permitindo a terceirização de atividade fim, também aprovada no Congresso?”, pergunta.

Sintraport

O presidente do Sindicato dos Operários Portuários (Sintraport), Claudiomiro Machado ‘Miro’, que foi violentamente agredido pela Polícia Militar na greve de 28 de abril, prepara a ida a Brasília.

“Os portuários irão em peso”, garante o sindicalista. “Temos tradição de luta e os congressistas vendilhões da pátria e dos nossos direitos sociais que nos aguardem”.

“Como acham que podem, por exemplo, desmontar a previdência social e a legislação trabalhista como se elas não tivessem dono? São nossas e custaram muita luta de antepassados”, diz Miro.

Ele reclama que o governo, deputados e senadores “não tiveram sequer o cuidado que procurar as centrais ­sindicais”.