Parque da Gente, VLT e maternidade: A São Vicente que Kayo Amado quer deixar para o futuro

Totalmente focado na cidade antes de pensar em outros cargos públicos, o prefeito falou dos seus primeiros cinco anos de governo e enalteceu os esforços da sua equipe mesmo diante de uma herança indigesta: dívidas de décadas

Kayo Amado, prefeito de São Vicente, está focado nos seus objetivos com a cidade

Kayo Amado, prefeito de São Vicente, está focado nos seus objetivos com a cidade - Reprodução / PMSV

O prefeito de São Vicente, Kayo Amado, disse que ainda tem um ciclo a concluir na cidade antes de pensar em disputar outros cargos. Em entrevista ao Diário do Litoral, ele falou sobre os parques da Gente, a nova UPA Central, a maternidade, o VLT na área continental e os desafios financeiros do município.

A conversa ocorreu nas novas instalações do jornal, onde o prefeito elogiou a estrutura e disse que acompanha com atenção o crescimento da cidade. Em seguida, ele respondeu às perguntas sobre o futuro político e deixou claro que, por enquanto, o foco segue em São Vicente.

O que o prefeito quer entregar

Kayo Amado afirmou que ser prefeito é o maior cargo que poderia ocupar neste momento. Segundo ele, a prioridade é fazer a cidade se reconectar com seus moradores e oferecer espaços mais dignos de convivência.

Nesse contexto, ele destacou o projeto dos quatro parques da Gente, que serão implantados nas regiões da Náutica, Pompeba, Parque das Bandeiras e Humaitá. Os espaços terão áreas de lazer, esporte e cultura.

A proposta inclui quadras, playground, pista de corrida, espaço para bicicleta e locais de convivência. Para o prefeito, a ideia é tirar as pessoas das telas e devolvê las ao convívio social com mais segurança e conforto.

Ele disse ainda que os parques não serão destinados apenas a eventos, mas ao uso diário da população. A intenção é atender crianças, idosos, famílias e quem busca um espaço para caminhar, brincar ou descansar.

Saúde, obras e legado

Ao falar sobre o legado da gestão, Kayo Amado afirmou que sente as crianças mais felizes. Ele citou uniformes escolares, material didático, reformas em escolas, cobertura de quadras, computadores, equipamentos audiovisuais e notebooks para professores.

O prefeito disse que essas entregas ajudaram a fortalecer a relação das crianças com a cidade. Segundo ele, hoje é comum ver milhares de estudantes circulando com uniforme de São Vicente.

Na saúde, ele defendeu a demolição do antigo CREI e a construção de uma UPA no lugar. Também falou da nova maternidade, projeto que passou por ajustes técnicos exigidos pela Vigilância Sanitária, mas que está perto de ser entregue às mamães da cidade.

Kayo explicou que a estrutura está pronta, mas ainda depende de correções finais antes de entrar em operação. Ele disse que a obra foi pensada como um hospital escola e recebeu investimento privado de R$ 70 milhões.

Dívida, desigualdade e mobilidade

O prefeito também tratou da situação financeira do município. Segundo ele, São Vicente enfrenta uma das piores receitas por habitante da Baixada Santista. Isso, afirmou, torna a gestão mais difícil do que em cidades vizinhas.

Kayo disse que o problema não é novo e vem de uma sequência de dívidas acumuladas. Ele estimou o passivo municipal em cerca de R$ 500 milhões, além de outros compromissos assumidos pela prefeitura ao longo dos anos.

Mesmo com esse cenário, ele afirmou que a administração tem conseguido tocar obras e políticas públicas. A diferença, segundo ele, é que a cidade faz mais com menos.

Na mobilidade, Kayo apresentou o programa São Vicente no Eixo, que prevê a requalificação de vias importantes, como a Linha Amarela, a Capitão Mor Aguiar, a Capitão Antônio Luiz Pimenta e o entorno do Itararé.

A proposta inclui calçadas melhores, ciclovias, organização do trânsito e mais acessibilidade. O objetivo, segundo ele, é atrair investimentos e reorganizar áreas de circulação intensa.

Ele também reforçou a importância do VLT na área continental. Kayo disse que cobra semanalmente o governo do Estado e que o projeto ganhou força após pressão da prefeitura.

Segundo o prefeito, a obra vai trazer uma mudança profunda para bairros como Quarentenário, Rio Branco, Samaritá e Ponte Nova, além de devolver tempo à população.

Clima e risco no litoral

Na reta final da entrevista, o prefeito falou sobre as mudanças climáticas e o avanço do mar. Ele disse que o tema já faz parte da rotina das cidades litorâneas e exige atenção constante.

Kayo afirmou que São Vicente trabalha o assunto com universidades e projetos de pesquisa, com apoio da USP, da UNESP e da FAPESP. Para ele, o debate precisa ser técnico e coletivo.

O prefeito também alertou para os impactos em áreas irregulares, mangues e regiões vulneráveis a alagamentos. Ele defendeu ações pensadas com base em ciência, e não em improviso.

Para Kayo, as cidades do litoral precisam de apoio dos governos estadual e federal para enfrentar o problema com planejamento. Sem isso, disse, as soluções podem sair equivocadas e até piorar o cenário.