Ranking de vulnerabilidade coloca São Vicente em alerta máximo para desastres climáticos

Dados do AdaptaBrasil revelam vulnerabilidade do município; prejuízos nas últimas três décadas já somam R$ 82 milhões

Regiões como o Morro do Voturuá e o Morro do Itararé concentram os maiores pontos de atenção em São Vicente. A ocupação em terrenos de declividade acentuada, somada ao encharcamento do solo no verão, coloca essas localidades em monitoramento constante pela Defesa Civil/ Nair Bueno DL

A cidade de São Vicente é a única da Baixada Santista classificada com risco alto de deslizamentos de terra, conforme dados do AdaptaBrasil, plataforma que reúne indicadores sobre ameaças climáticas, exposição e vulnerabilidade dos municípios brasileiros. As informações foram divulgadas ao jornal DW.

Atualmente, 1.041 municípios em todo o país apresentam risco alto ou muito alto para esse tipo de ocorrência. Considerando que o Brasil tem 5.570 cidades, a projeção indica que, na década de 2030, esse número pode chegar a 1.800, o equivalente a um terço dos municípios brasileiros.

Prejuízos acumulados em 30 anos ultrapassam R$ 80 milhões

Com base no Atlas Digital de Desastres Ambientais, São Vicente registrou, entre 1995 e 2025, um cenário de perdas significativas provocadas principalmente por chuvas intensas e deslizamentos de terra.

O prejuízo público no período somou R$ 1,36 milhão, valor referente a gastos do poder municipal com ações emergenciais, reconstrução de vias públicas, limpeza de áreas afetadas e atendimento à população atingida.

Já os danos materiais alcançaram a cifra de R$ 80 milhões, montante que considera a destruição ou comprometimento de residências, comércios, infraestrutura urbana, equipamentos públicos e vias de acesso.

Os custos privados somaram cerca de R$ 666 mil no mesmo período. Esse valor inclui prejuízos com móveis, eletrodomésticos, reformas emergenciais e perda de pertences pessoais.

Ao todo, somando os prejuízos públicos e privados, São Vicente acumulou mais de R$ 82 milhões em perdas ao longo de três décadas.

A principal causa desses prejuízos são as chuvas intensas, que provocam encharcamento do solo, deslizamentos, alagamentos e danos à infraestrutura urbana, especialmente nas áreas de encosta.

Áreas de risco

As localidades com maior incidência de deslizamentos no município estão concentradas em regiões de encostas e morros. Destacam-se o Parque Prainha, o Morro do Itararé, o Morro do Voturuá e o Morro dos Barbosas.

Essas áreas apresentam maior vulnerabilidade devido à ocupação em terrenos de declividade acentuada e são constantemente monitoradas pela Defesa Civil.

A maior frequência de ocorrências é registrada durante o verão, especialmente entre dezembro e março, período de chuvas mais intensas e constantes, o que aumenta o encharcamento do solo e eleva o risco de deslizamentos.

Sinais de alerta e prevenção

Como medidas preventivas, a população deve ficar atenta a sinais como rachaduras no solo ou nas paredes, portas e janelas que emperram, além de árvores ou postes inclinados.

Também é fundamental manter calhas e saídas de água limpas, evitar descartar lixo em encostas e não fazer alterações no terreno, como cortes ou aterros.

Em situações de risco, a orientação é deixar o local imediatamente, procurar um abrigo seguro e acompanhar os alertas emitidos pela Defesa Civil.

O que diz a prefeitura

A Defesa Civil mantém ações contínuas de prevenção e monitoramento, com acompanhamento das encostas e dos índices pluviométricos.

Quando os volumes de chuva atingem níveis críticos — a partir de 80 milímetros — o órgão emite alertas à população, classificados como “Atenção”, “Alerta” e “Alerta Máximo”.

O Conselho Municipal de Proteção e Defesa Civil atua de forma integrada, promovendo articulação entre as secretarias envolvidas, o que garante maior agilidade na tomada de decisões e na adoção de medidas preventivas.

Desde dezembro de 2025, o município conta com o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil, que organiza ações de monitoramento, prevenção e resposta a eventos meteorológicos severos, além de orientar decisões diante de fortes chuvas, deslizamentos, alagamentos e outras ocorrências.