Filme sobre saúde mental produzido por crowdfunding é lançado na internet

"Luz, Câmera, Inclusão...", do cineasta santista Dino Menezes, retrata os movimentos de Luta Antimanicomial

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21 FEV 2017Por Da Reportagem13h31
"Luz, Câmera, Inclusão...", do cineasta santista Dino Menezes, retrata os movimentos de Luta Antimanicomial"Luz, Câmera, Inclusão...", do cineasta santista Dino Menezes, retrata os movimentos de Luta AntimanicomialFoto: Frame/Luz, Câmera, Inclusão...

Já pode ser visto na internet o longa "Luz, Câmera, Inclusão...um filme sobre a Luta Antimanicomial", produzido pelo diretor Santista Dino Menezes. Para concluir a produção foi utilizada tecnologia e as redes sociais por meio do sistema conhecido como “crowdfunding” ou, em português, “financiamento coletivo”, que funciona a partir de contribuições individuais de interessados através da internet.

O filme começou a ser gravado em 2013, durante as manifestações do dia 18 de maio, quando é celebrado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Nos dois anos seguintes, Dino e sua equipe, trabalharam com recursos próprios e colheram entrevistas de lideranças, usuários do Caps e autoridades como o ex-coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori, substituído por Valencius Wurch, em dezembro de 2015. O documentário mostra várias manifestações dos movimentos ligados à luta antimanicomial, que se intensificaram após a nomeação de Valencius, exonerado do cargo em maio do ano passado. O médico psiquiatra foi diretor de um dos maiores hospícios da América Latina.

A cidade de Santos foi pioneira na luta antimanicomial. Durante 30 anos, a cidade abrigou a Casa de Saúde Anchieta, também conhecida como "Casa dos Horrores". O nome foi dado em razão das condições encontradas no local: a superlotação, falta de profissionais e as denúncias de maus-tratos, fizeram com que a prefeitura intervisse, no final da década de 80, assumindo a direção do hospital psiquiátrico. A partir daí, o lugar passou a adotar terapias e serviços que pudessem garantir o convívio social dos pacientes. A rádio Tam Tam, dirigida pelo arte-educador Renato Di Renzo e produzida dentro do Anchieta pelos chamados "loucutores" era um destes projetos. "Eu já conhecia o trabalho e a história do Renato e sempre tive muita curiosidade sobre o tema. Há alguns anos, fui gravar em um Caps e tive a ideia de fazer o filme", conta o diretor Dino Menezes.

“Luz, Câmera, Inclusão…” foi lançado com grande aceitação dos movimentos ligados à saúde mental. “Emocionante, realista, histórico, engajado e sensível”, avaliou Rodrigo Pressoto, especialista da área e militante de Campinas/SP.