Milho indígena é servido em escolas de Itanhaém

Inclusão do milho Guarani no cardápio surgiu com a vinda dos índios.

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09 SET 2019Por Nayara Martins08h37
Ação foi fundamental para incentivar agricultores indígenas.Foto: DIVULGAÇÃO/PREFEITURA DE ITANHAÉM

Realizar um resgate da tradição indígena e voltar a cultivar o milho guarani e outros produtos. Esse é o objetivo da comunidade indígena da aldeia Rio Branco, em Itanhaém, ao fazer o plantio do milho guarani, no último mês de julho. A aldeia Rio Branco conta hoje com cerca de 80 indígenas e 30 crianças.

A coordenadora do Banco de Alimentos, da secretaria de Desenvolvimento Econômico de Itanhaém, Luciana Mello, explica que o Projeto de Inclusão do Milho Guarani na Alimentação Escolar começou com a vinda dos indígenas guaranis da aldeia Tangará para o município, há cerca de seis anos.

O projeto é realizado em parceria entre o Banco de Alimentos, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o departamento de Alimentação Escolar da secretaria municipal da Educação.

Para o coordenador regional do Litoral Sudeste da Funai, Cristiano Vieira Gonçalves Hutter, o projeto foi fundamental para dar um maior incentivo aos agricultores indígenas.

"Foi importante para que os agricultores voltassem a cultivar em terras indígenas, já que o milho guarani estava escasso nas aldeias da região", explicou o coordenador.

A Funai também já trabalhava com as aldeias guaranis para o resgate do cultivo de algumas sementes.

Entre os principais benefícios do plantio, estão a volta da cerimônia de batismo, o resgate da agricultura tradicional e o reforço na alimentação dos indígenas, além da geração de renda.

O milho guarani, hoje, é comercializado por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), pelo departamento de Alimentação Escolar da secretaria municipal da Educação que compra o alimento da comunidade indígena.

A partir do plantio dessa cultura, outros produtos começaram a ser cultivados e comprados pelo departamento de Alimentação Escolar em Itanhaém, como a batata doce guarani, a mandioca, o palmito e a banana.

PLANTIO

A colheita começou neste mês e vai até janeiro. Conforme o ritual indígena, quem faz o plantio é a mulher do agricultor, a Maria "Kerexu" e o guardião das sementes é o agricultor indígena Ribeiro da Silva "Karai Ryapuá".

A partir da primeira colheita do milho, os indígenas passam a guardar as sementes para o ano seguinte. Eles também podem doar algumas sementes para outras comunidades guaranis. A quantidade de milho produzida na aldeia Rio Branco é de cerca de 150 quilos anuais.

"Nossa meta, até 2020, é compor o prato completo guarani a ser fornecido no cardápio aos alunos das escolas nas aldeias guaranis", destacou Luciana.

BATISMO

A partir da colheita, é realizada uma cerimônia chamada "Nhemogara´í", que é o batismo das crianças guaranis. O milho é servido em forma de um pão junto com o mel retirado da floresta, na Casa de Reza.

"Realizamos o ritual na cerimônia do batismo duas vezes por ano, em janeiro e em setembro, para o fortalecimento da espiritualidade das crianças. O ritual ocorre na presença do pajé e dos indígenas com a intenção de escolher o nome das meninas e dos meninos guaranis", explica o cacique Ricardo da Silva, "Werá Xunu".

O alimento, adquirido pelo departamento de Alimentação Escolar da Secretaria da Educação, é consumido na própria escola da aldeia Rio Branco para a merenda, já que o milho é considerado sagrado pela cultura guarani e não pode sair da aldeia.

PRÊMIOS

O projeto de Inclusão do Milho Guarani já recebeu três prêmios: Josué de Castro, em 2017, o da Fundação Getúlio Vargas, do projeto Bota na Mesa, e o Secani, pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) em 2018.

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