Ricardo Oliveira defende sinceridade de Robinho e não acredita em vaias

O atacante sabe que muitos torcedores não gostaram de ver e ouvir o ídolo afirmar que pode atuar inclusive por um rival de São Paulo

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22 MAI 201515h41

Ricardo Oliveira viveu uma longa novela sobre sua renovação contratual em meio à fase final do Campeonato Paulista. Agora, com vínculo estendido e uma valorização salarial garantida, o camisa 9 acompanha de perto toda a repercussão sobre as negociações que envolvem a permanência ou não de Robinho, seu companheiro de ataque no Santos. E o centroavante logo partiu em defesa do discurso franco que o camisa 7 deu nesta quinta, ao esclarecer sua situação.

“Em um âmbito individual, não tenho direito de achar na sobre o que ele falou, se foi certo, se foi errado, só acho que tudo o que ele representa para o Santos tem um peso, tudo o que ele fala tem um peso e ele deixou muito claro ontem, apesar das palavras, que quer ficar no Santos. Isso tem um peso e todos aqueles que fazem parte da diretoria sabem que o desejo dele é de permanecer aqui no Santos. No que diz respeito ao lado familiar e financeiro, ninguém tem direito de falar”, comentou o artilheiro do Campeonato Paulista.

Ricardo Oliveira sabe que muitos torcedores não gostaram de ver e ouvir o ídolo afirmar que pode atuar inclusive por um rival de São Paulo, caso a proposta lhe agrade. Mesmo assim, Oliveira não acredita que Robinho sofra com pressão ou vaias na Vila Belmiro.

“Não acredito (em vaias), repudiaria arduamente se isso acontecesse, é um ídolo do Santos, nunca deixou de ser profissional e de treinar. Existe uma frase do Robinho: ‘dia de jogo do Santos é dia de alegria’. Eu não acredito, o torcedor do Santos, o que faz uma análise da vida e carreira do Robinho, não vai esboçar uma reação contrária a ele”, avisou, antes de completar.

“É uma declaração muito sincera, onde os torcedores movidos a paixão não gostam de ouvir. Eles querem que o ídolo permaneça para sempre, mas é o tempo, eles gostariam de ter o Pelé jogando até hoje”, exemplificou.

Para não parecer apenas uma defesa natural de um companheiro de profissão e amigo, Ricardo Oliveira também fez uma rápida reflexão sobre a vida de um jogador de futebol de alto nível e ressaltou a importância do atleta, em muitos casos, ter de pensar exclusivamente nas suas prioridades.

“Eu, como profissional, já fui muito honrado com várias propostas que recebi, como já fui desvalorizado. O futebol é dinâmico, hoje estamos bem, em cima, mas amanhã as coisas já não prestam, já não valem mais, isso é muito complicado e difícil de lidar. Costumo ver um atleta de futebol como um herói na vida. Quando está bem você pode tudo e quando não está não pode nada. Não pode sair com a sua família, com o seu filho, a sua esposa. Nesse momento da vida do Robinho, vai pesar a família e a parte da remuneração”.

R. Oliveira foi homenageado e entrou para a Calçada da Fama do Museu Pelé (Foto: Tiago Salazar/DL)

Ausência de Robinho

Com contrato renovado ou não, Robinho se apresenta à Seleção Brasileira dia 1º de julho. Com isso, mesmo com contrato até 30 de junho, o Rei das Pedaladas entrará em campo pelo Peixe apenas mais duas vezes, neste domingo, contra a Chapecoense, e na semana seguinte, diante do Sport, ambas as partidas pelo Campeonato Brasileiro. Caso o Brasil vá até a final da Copa América, Robinho pode desfalcar o alvinegro por até sete jogos. Diante disso, Ricardo Oliveira tenta amenizar o desfalque da principal estrela e capitão do time.

“É nítida a importância do Robinho em nosso elenco, em todos os sentidos. É um cara diferenciado, que tem uma qualidade acima da média e que impõe respeito, também. Mas também sabemos que temos jogadores talentosos para suprir a ausência do Robinho enquanto ele estiver na Seleção Brasileira”, disse.

Sobre o seu desempenho individual, Oliveira mantém o discurso confiante e otimista e lembra que, apesar da qualidade de Robinho, ter um novo companheiro de ataque não irá mudar seu papel em campo.

“No meu futebol não influencia, a minha função com Robinho ou sem Robinho é de fazer gols e o melhor para o time. Me dedico, vou fazer isso sempre. Lamentamos o fato de não tê-lo, mas feliz por ele que vai estar representando a nossa nação, o povo brasileiro, fruto do que ele acabou plantando aqui no Santos. Estaremos trabalhando forte para continuar dando uma sequência boa”, finalizou.