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DIA NACIONAL DO FUTEBOL

Portuguesa Santista fez o Brasil se opor ao racismo do apartheid

Em 1959, a Briosa se negou a tirar atletas negros em excursão à África do Sul, o que fez o governo brasileiro se posicionar contra apartheid

Bruno Hoffmann

Publicado em 19/07/2022 às 10:20

Atualizado em 19/07/2022 às 10:57

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Bandeira da Portuguesa Santista / Douglas Teixeira/Portuguesa Santista

Esta história é forte e importante demais. Em 1959, a equipe de futebol da Portuguesa Santista excursionava pela África. Um dos amistosos seria contra um time da Cidade do Cabo, na África do Sul. Os jogadores estavam no hotel quando um dirigente local trouxe o recado: “Nossa política não permite jogadores negros na partida. Entrem apenas com os brancos”.

A notícia chegou aos ouvidos de Dennis Brutus, presidente da Associação Esportiva da África do Sul, um branco que marcou a vida na luta contra o apartheid. Dennis havia criado a associação três meses antes, com a participação de Nelson Mandela, para combater o racismo no esporte.

De imediato, o ativista enviou um telegrama para o presidente do Brasil, Juscelino Kubistchek: “Soubemos que um time brasileiro, na Cidade do Cabo, está sendo impedido de contar com os seus jogadores negros para um amistoso contra um time local. Pedimos que o Brasil se levante contra o racismo. Queremos que o povo brasileiro mostre que não aceita o racismo”.

Juscelino entrou em contato com os dirigentes da Portuguesa, demonstrando apoio à equipe. Foi a primeira vez que o governo brasileiro se posicionou contra o apartheid sul-africano. O jogo foi cancelado. Em entrevista à TV décadas mais tarde, Brutus, que morreu em 2009, deixou um recado aos brasileiros envolvidos no episódio: “Muito obrigado por ter nos ajudado na nossa luta por humanidade”.

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