O esporte de alto rendimento exige sacrifícios que, muitas vezes, ficam ocultos dos palcos ou arenas, limitados, muitas vezes, apenas aos bastidores. Entre barras, anilhas e pesos, muita gente faz de tudo um pouco para realizar sonhos.
A história do norte-americano Gary Teeter, de 61 anos, mostra que a força necessária para competir vai muito além dos levantamentos de peso.
Atleta de strongman e powerlifting há quase três décadas, divide a rotina de treinos com trabalhos braçais (como cortar grama e limpar casas) para conseguir bancar sua paixão pelas competições.
Em 2026, após um imprevisto na agenda, o destino escolhido foi São Paulo, durante o evento da franquia Arnold Sports realizado entre os dias 24/04 e 26/04.
Do início aos recordes mundiais
Natural da Califórnia, Teeter construiu um currículo extenso. Ele deu os primeiros passos no powerlifting em 1996 e, já no ano seguinte, ingressou no strongman. A motivação inicial era objetiva: “Na minha primeira competição de strongman, eu só queria levantar os maiores pesos possíveis”, relembra.
O empenho rendeu recordes mundiais em duas categorias de peso e abriu portas para patrocinadores e garantiu o passaporte carimbado em diversos países como Hungria, Alemanha e Canadá. A próxima parada já está marcada para junho, na Itália.
Apesar das conquistas, a logística de um atleta global cobra um preço alto. Com uma agenda que chega a ultrapassar 40 viagens anuais para eventos ligados ao fisiculturismo e aos esportes de força, o americano é pragmático sobre o esforço fora dos ginásios.
“Não é só um estilo de vida, eu amo isso. Faço trabalhos diversos porque viajo muito. Corto grama, limpo casas… não importa. Faço o que for preciso para conseguir dinheiro e continuar competindo”, relata de forma direta.
A vontade de conhecer o Brasil
A vinda ao Brasil se deu por uma adequação de calendário. Impossibilitado de participar da edição do Arnold nos Estados Unidos, Teeter e sua equipe decidiram buscar outro evento internacional da marca.
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A escolha pela capital paulista, no entanto, realizou um desejo antigo enquanto fã declarado de MMA. Ele também é praticante de jiu-jitsu e via no Brasil uma fonte histórica de grandes lutadores e nutria a vontade de acompanhar lutas ao vivo no país.
Fora dos pavilhões do evento, a recepção na cidade tem agradado o veterano, que aproveitou para quebrar um pouco a dieta rigorosa de atleta. “Estou gostando muito. As pessoas são boas, a comida é ótima. Estou indo a churrascarias praticamente todas as noites”, diverte-se.
Legado construído com esforço
Com décadas de experiência, conexões internacionais no esporte e parceiros de treino de peso em sua terra natal, como o atleta John Won, Gary Teater desembarcou no Brasil.
Mostrando que a longevidade esportiva e os recordes são, acima de tudo, resultado de um trabalho árduo e ininterrupto, seja levantando toneladas ou empurrando um cortador de grama.






